Estresse pós-traumático: como a psicologia auxilia as vítimas de escalpelamento
De acordo com informações do 4º e 9º Comando do Distrito Naval da Marinha do Brasil , 86 casos de escalpelamento foram registrados na última década (de 2010 a 2020), sendo que 60% deste total foram crianças. Este tipo de acidente é muito comum nas cidades ribeirinhas, locais típicos da região amazônica, onde os moradores utilizam pequenas embarcações como meio de transporte.
O escalpelamento é a remoção acidental e brusca do couro cabeludo pelo eixo rotativo de motores sem proteção de embarcações fluviais. Cabelos longos se engancham no eixo do motor, o que acontece com crianças e mulheres, deixando sequelas como cicatrizes e mutilações na cabeça, rosto e pescoço das vítimas. O acidente atinge tanto o nível físico, quanto o social e psicológico.
O psicólogo do Grupo Hapvida NDI, Fabrício Vieira, explica como se dão as consequências emocionais nestes pacientes. “Além das sequelas físicas, este acidente pode desencadear outros sofrimentos, prejudicando a saúde mental e vida social das vítimas. Diante disso, é substancial abordar a temática do transtorno de estresse pós- traumático em mulheres e crianças vítimas de escalpelamento, porque esse transtorno decorre de um evento traumático ou estressante, que implica na qualidade de vida do indivíduo”, ressalta.
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM 5, 2014), o transtorno de estresse pós-traumático possui alguns critérios como: vivenciar diretamente o evento traumático; lembranças intrusivas angustiantes, recorrentes e involuntárias do evento traumático; reações dissociativas onde o indivíduo sente ou age como se o evento traumático estivesse ocorrendo novamente; sofrimento psicológico intenso ou prolongado; alterações negativas em cognições e no humor; perturbação do sono; estado emocional negativo persistente, como medo e vergonha. “Diante disso, a assistência psicológica é de suma importância pois contribui significativamente na reorientação e recuperação da autoimagem das mulheres e crianças vítimas de escalpelamento, objetivando uma percepção de si mesma a partir da ressignificação positiva. A atuação do psicólogo na assistência ocorre juntamente com uma equipe multidisciplinar”, finaliza.
Fonte: Norimar Muller Comunicação e Marketing
Por Vanessa Lago






