Outubro Rosa: As informações sobre câncer de mama, como prevenir a doença e a importância do diagnóstico precoce
Outubro Rosa é uma das campanhas de saúde de maior visibilidade no mundo. As informações sobre câncer de mama, como prevenir a doença e a importância do diagnóstico precoce são fortemente difundidas pelos meios de comunicação, mostram como a conscientização é fundamental para reduzir os impactos da doença, mas, na prática, grande parte da população não segue as recomendações dos especialistas, não coloca em prática as medidas de prevenção.
O mastologista Fábio Botelho, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – regional Pará, reforça a necessidade das medidas de prevenção para frear a tendência de crescimento no número de novos casos. “Temos boas razões para supor que o atual estilo de vida das brasileiras é decisivo para esse crescimento do número de casos de câncer de mama.
Hoje, elas têm um menor número de filhos; optam, geralmente, por uma gestação depois dos 30, 35 anos; possuem, muitas vezes, uma rotina estressante, com dificuldades para ter uma boa alimentação e prática regular de atividade física; além do consumo de álcool, hábito crescente entre as mulheres. Tudo isso tem relação direta com o câncer de mama”, explica o mastologista.
A chamada prevenção primária é sinônimo de estilo de vida saudável. As mulheres precisam saber que alimentação saudável, exercícios físicos regulares e o corte do consumo de bebida alcoólica são medidas que previnem câncer de mama. Muitas pesquisas já comprovaram que obesidade, sedentarismo e álcool aumentam as chances de a mulher ter câncer de mama. Mulheres com estilo de vida saudável diminuem as chances de ter câncer de mama em quase 30%.
Já com a prevenção secundária, a meta é conseguir o diagnóstico precoce, quando nódulos ou outros tipos de lesões estão bem pequenos, nem são identificados em um autoexame ou mesmo exame clínico, feito pelo médico. Por isso, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que mulheres a partir dos 40 anos façam a mamografia anualmente, além da consulta com o especialista. A mamografia é o melhor exame de rastreamento para identificar a doença nas fases iniciais.
“O fato é que as mulheres precisam entender a importância de estarem atentas ao diagnóstico precoce, terem acesso aos exames de imagem e realizá-los, buscarem atendimento em caso de quaisquer anormalidades e terem este atendimento disponível. Somente com estas estratégias é que conseguiremos diminuir o número de casos avançados que exigem tratamentos mais agressivos e resultam em menos possibilidades de cura”, explica o mastologista Fábio Botelho.
Para o médico, o cuidado das mulheres com a própria saúde deve ser redobrado. “É do conhecimento de todos que a grande arma para redução da mortalidade reside no diagnóstico precoce, daí a necessidade de as mulheres se submeterem a exames de mamografia anualmente a partir dos quarenta anos”.
Mas o Brasil está longe de alcançar a cobertura de 70%, recomendada pela OMS. Nos últimos 10 anos, o Brasil não conseguiu atingir mais do que 30% da meta de cobertura para mamografias em mulheres entre 50 e 69 anos (faixa etária recomendada pelo Ministério da Saúde). Entre 2015 e 2019, a cobertura de mamografias em mulheres nessa faixa etária foi de apenas 23%. A região Norte foi a que apresentou o pior cenário: 94% dos municípios da região apresentam cobertura de mamografias abaixo de 13%.
Não é difícil compreender porque tantas mulheres só descobrem a doença tardiamente. 54% das mulheres subestimam a importância da mamografia – principal exame de rastreamento, segundo uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Mastologia.
Diagnóstico – Segundo o Inca, estima-se que em 2023, mais de 73 mil novos casos de câncer de mama serão registrados no Brasil – o segundo tipo com maior incidência, com 10,5% do total de diagnósticos (o 1º em incidência é o câncer de pele não melanoma).
O diagnóstico tardio, ainda predominante no Brasil, aumenta muito a gravidade da doença e os índices de mortalidade. Em contrapartida, se o câncer de mama for diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é muito bom. As chances de cura são superiores a 90%.
A falta de rastreamento eficaz do câncer de mama tem consequências. Os estados com piores indicadores são o Acre, com 56% de diagnósticos tardios, seguido pelo Pará e Ceará, ambos com 55% de diagnósticos tardios. “Ou seja, mais da metade das mulheres nesses estados só descobrem o câncer de mama em estágios avançados, que requerem tratamentos mais difíceis e chances de cura reduzidas”, lamenta o presidente da SBM no Pará.
Fonte: Assessoria de imprensa do CTO
Por Dina Santos






