Academia Paraense de Letras celebra em noite histórica o primeiro Dia de Alfredo
A Academia Paraense de Letras celebra em noite histórica o primeiro Dia de Alfredo, nesta segunda-feira, 16, às 19h. A sessão tem acesso livre e gratuito, com debate em seguida aos pronunciamentos da oradora oficial da APL, professora doutora Betânia Fidalgo Arroyo, titular da cadeira n° 2, reitora da Unama, presidente do Conselho Estadual de Educação e da Fundação Escola do Legislativo do Pará, e do professor doutor Paulo Nunes, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, escritor e pesquisador, estudioso da obra dalcidiana e maior especialista no tema, curador do acervo Dalcídio Jurandir e seu biógrafo.
O evento começará pontualmente às 19h. Na ocasião será lançada a Unilivre Marajó – Universidade Livre do Marajó, por José Varella Pereira.
O personagem Alfredo transita em 9 de 10 obras do escritor. As aventuras de Alfredo, nome do pai de Dalcídio e alter ego nas suas histórias, permeiam a série de romances desde “Chove nos Campos de Cachoeira”, no qual o menino traça planos de morar e estudar na capital, imerso na fantasia do seu caroço de tucumã, ao qual manifesta seus desejos mais íntimos e seus medos mais viscerais.
O “Dia de Alfredo” em 16 de junho (data da morte de Dalcídio Jurandir) foi instituído pela lei municipal nº 9.164/2015, mas nunca foi celebrado oficialmente, protagonismo que coube à APL, que a partir deste ano inclui a efeméride de modo pioneiro no calendário cultural do Pará, à semelhança do Bloomsday em referência ao personagem Leopold Bloom, de James Joyce, no romance Ulysses, marco da literatura mundial, publicado em 1922. O sobrinho de Dalcídio, José Varella Pereira, é o idealizador do Dia de Alfredo, como forma de divulgar a obra do gigante da literatura brasileira, que partiu do regional para o universal.
Romancista, contista, cronista, poeta, jornalista e político, Dalcídio Jurandir difundiu ao mundo elementos constitutivos da identidade cultural amazônica, a gente marajoara, dando ênfase ao ser humano, seus medos, angústias, sentimentos e sobrevivência. Publicou onze romances em vida, dez deles no que ficou conhecido como o Ciclo do Extremo-Norte (Chove nos Campos de Cachoeira, Marajó, Três Casas e um Rio, Belém do Grão-Pará, Passagem dos Inocentes, Primeira Manhã, Ponte do Galo, Chão dos Lobos, Os Habitantes e Ribanceira), além de Linha do Parque, publicado também na Rússia.
Premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1972 pelo conjunto da sua obra, foi contemporâneo de Graciliano Ramos, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Wilson Louzada e Rachel de Queiroz, dentre tantos outros que reconheceram o seu imenso talento. Atuou nos principais jornais de circulação regional e nacional em sua época. Integrou a icônica Academia do Peixe Frito, que reunia brilhantes intelectuais parauaras.
A sede da Academia Paraense de Letras é localizada na Rua João Diogo, nº 235, bairro da Campina, em Belém do Pará, ao lado do Colégio Estadual Paes de Carvalho.
Foto: Ascom/APL






