Novo livro de Ernesto Feio Boulhosa será lançado em Belém
Obra convida os leitores a sentirem a floresta, desvendar seus mistérios e se conectar com as histórias de um povo que pulsa com a natureza
“Jagarajó”, a 15ª obra de Ernesto Feio Boulhosa, é mais do que um livro, é um portal para a vida pulsante da Amazônia. Através de uma prosa rica e envolvente, o autor, natural de Ponta de Pedras, no Marajó, nos transporta para um cenário onde a natureza exuberante se entrelaça com as complexidades da alma humana, revelando a beleza e os desafios de uma região tão vasta quanto misteriosa.
A “econarrativa” de Boulhosa, que é membro da Academia Marajoara de Letras, se destaca pela sua capacidade de pintar cenários com palavras e memórias. Os leitores são convidados a sentirem o coração da gente marajoara, o calor úmido, ouvir o canto dos pássaros e o sussurro dos rios, e quase pode tocar a densa folhagem da floresta. Essa imersão sensorial é fundamental para a compreensão dos dilemas e das escolhas dos personagens, que são moldados e, por vezes, desafiados pelo ambiente em que vivem.
“Jagarajó é um livro de memórias que apresenta uma econarrativa de um passado onde a coexistência dos ribeirinhos era preservacionista. Eles valorizavam a pesca artesanal, a agricultura familiar e a partilha diária, sem a busca constante por lucro. Os ribeirinhos viviam uma vida tranquila, respeitando a natureza”, destaca o memorialista.
Os personagens de “Jagarajó” são construções complexas e verossímeis. Eles não são meros arquétipos, mas indivíduos com suas próprias paixões, medos e contradições. Boulhosa explora suas relações com a terra, suas crenças e suas lutas pela sobrevivência, oferecendo um olhar perspicaz sobre a cultura e as tradições amazônicas. “O livro retrata poeticamente a interação profunda entre o ser humano e a natureza, expressando amor por todos os elementos naturais, desde pequenas pedras até rios e raízes curativas.
A obra também aborda as tradições marajoaras e seus seres encantados, como o boto, a matinta pereira, o mapinguari, a caapora e a cobra grande”, diz o autor. “Esses seres são respeitados na tradição marajoara por protegerem a natureza, demonstrando uma relação antropológica com o homem. Atualmente, a busca incessante do ser humano por ‘ter sempre mais’ está causando desmatamento acentuado, poluição dos rios, descaso e falta de respeito pelo meio ambiente”, completa.
Um dos pontos mais fortes da obra é a maneira como ela aborda a relação entre o homem e a natureza. Não se trata apenas de um pano de fundo, mas de um personagem ativo que influencia diretamente o destino de todos. A floresta, ora protetora, ora implacável, reflete a dualidade da vida na Amazônia, onde a abundância convive com os perigos e a necessidade de respeito à terra. “O livro Jagarajó alerta o homem moderno para que não perca sua interação com a natureza, pois essa conexão é essencial para a vida. É um convite para desacelerar e se reconectar com a natureza, que oferece qualidade de vida, silêncio e melhora para a ansiedade e depressão. A natureza envia uma mensagem: ‘ei estou aqui, vem tomar banho nos meus rios, vem fazer trilha na mata, vem escutar os cantos dos pássaros’”, analisa o escritor.
A obra de Ernesto Feio Boulhosa não apenas entretém, mas também educa, despertando a curiosidade e o respeito por um dos ecossistemas mais importantes do planeta.
Para quem busca uma leitura que vá além do entretenimento, oferecendo uma profunda conexão com a Amazônia e suas gentes, “Jagarajó” é uma escolha imperdível. É um livro que permanece na memória muito tempo depois de suas páginas terem sido viradas, deixando um sabor de encantamento e, ao mesmo tempo, de uma certa melancolia diante dos desafios que persistem. “Os seres humanos precisam retornar ao seu passado antropológico, pois são parte integrante do meio ambiente.”, resume Boulhosa.
O livro será lançado no dia 8 de agosto de 2025, às 19h, na Academia Paraense de Letras, que fica na rua João Diogo, 235, Cidade Velha, Belém-Pará.
Fonte: Assessoria/Por Felipe Melo






