Inteligência Artificial: Porque a inteligência pode ser artificial, mas o cuidado será sempre humano
PROMPT – Por Denis Paes Barreto
Imagine um bibliotecário (não consigo pensar em exemplo mais apropriado) que leu todos os livros de todas as bibliotecas do mundo, acessou todas as revistas científicas já publicadas, assistiu a todos os vídeos disponíveis no YouTube e leu todas as enciclopédias já editadas pela humanidade — só para ilustrar o início da estreia desta coluna. Uso esse exemplo para tentar dar a você, leitor, uma dimensão do que é um LLM (Large Language Model ou Grande Modelo de Linguagem). Ele é o banco de dados por trás de uma Inteligência Artificial Generativa como o ChatGPT. Se algum de nós tentasse ler todo o conteúdo usado para treinar o ChatGPT-5, levaríamos mais de 940 mil anos!
Mas o que isso significa?
Significa que é muito difícil competir com a memória prodigiosa de um LLM, com sua velocidade de resposta e capacidade de identificar padrões e compará-los com uma base de dados vasta — para não dizer gigantesca — de análise, comparação e síntese, mesclando os mais diversos idiomas simultaneamente. Então, qual seria o caminho para profissionais — como os médicos — que jamais devem perder protagonismo diante de seus próprios pacientes? Há poucos anos, o paciente chegava ao consultório com os links do Dr. Google debaixo do braço. Hoje, aparece com um relatório completo sobre sua doença, possíveis diagnósticos, diagnósticos diferenciais e hipóteses terapêuticas.
Para você entender por que estou falando de IA na medicina, preciso contar uma breve história. Sou médico, formado pela UEPA em 1987.
Após uma breve residência, decidi fazer uma transição de carreira (há 38 anos esse termo nem existia) para seguir uma vocação: trabalhar com tecnologia. Não foi um caminho fácil, mas com foco e determinação encontrei o tal “caminho do meio” — ou, se preferir, uma convergência de carreira. Sou professor universitário, finalizei uma pós-graduação em psiquiatria, sou mestrando em Educação Médica, estou envolvido em um projeto inovador na área de educação (quem sabe uma pauta para a próxima coluna?) e atuo como evangelista de Inteligência Artificial.
Esclarecido meu hiperfoco funcional, passo ao que interessa. O futuro da medicina clínica — entre outras especialidades fortemente impactadas pela disseminação da IA generativa — passa por duas grandes reflexões. Primeiro, como o profissional pode usar a IA como uma ferramenta de co-inteligência. Para isso, precisa imergir desde já nos conceitos de uso e aplicá-los no dia a dia. Segundo, e talvez mais importante, é se comprometer com o paciente para que ambos usem a IA, formando juntos um tripé — médico, paciente e IA — na investigação do curso da doença e das opções terapêuticas.
O que vejo como insubstituível na relação médico-paciente — mesmo diante de todo o avanço dos modelos de IA (e há quem preveja o surgimento de uma IA senciente, aquela que teria consciência de si mesma) — é a sensibilidade, a experiência desse profissional em forma de um repertório capaz de criticar a IA, e o velho e bom “olho no olho”, o aperto de mão, a empatia. Isso, nenhuma IA jamais poderá fazer.
Agradeço de coração o convite do amigo de jornada Guarany Júnior para contribuir com seu portal e prometo trazer sempre um tema instigante ligado à tecnologia para reflexão. Comente, compartilhe e sugira temas. Até a próxima!
Denis Acatauassú Paes Barreto
• Médico formado pela UEPA
• Pós-graduado em Marketing Universidade da Amazônia – UNAMA & ESPM
• Pós-graduado em Psiquiatria IBCMED
• Mestrando em ENSINO EM SAÚDE/EDUCAÇÃO MÉDICA – CESUPA
• Professor da UNAMA – Comunicação Social
• Gerente Regional da Secretaria Extraordinária da COP30 – SECOP
• Evangelista de Inteligência Artificial
Mais de 30 anos de experiência em negócios, inovação e tecnologia (Gerente Executivo da TIM por 12 anos), consultor e palestrante em Inteligência Artificial.
Edição: Carol Holanda






