Saúde mental infantil: os sinais que pais e professores não devem ignorar
No Setembro Amarelo, psicólogo alerta para comportamentos que indicam sofrimento emocional entre crianças e adolescentes e destaca o papel da escuta ativa e do acolhimento familiar e escolar
Tristeza constante, isolamento, alterações de comportamento e queda no rendimento escolar são sinais que merecem atenção na infância. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), entre 13% e 20% das crianças e adolescentes podem apresentar indícios de desordens comportamentais ou emocionais ao longo do desenvolvimento. Já uma pesquisa publicada na Revista Ciência & Saúde Coletiva (Fiocruz, 2022) apontou que cerca de 31% das crianças avaliadas apresentaram sintomas relacionados a problemas emocionais e comportamentais, como ansiedade, agressividade, tristeza persistente ou dificuldade de socialização.
O psicólogo da Hapvida, Fabrício Vieira, reforça que é essencial observar mudanças de comportamento que, muitas vezes, são a forma como a criança expressa o que não consegue dizer em palavras. “A infância também é atravessada por emoções intensas. Só que, ao contrário dos adultos, as crianças não conseguem expressar com clareza que estão ansiosas, tristes ou sobrecarregadas. Por isso, o sofrimento emocional costuma aparecer por meio do comportamento”, explica.
Entre os sinais mais comuns estão a irritabilidade fora do padrão, choro frequente, perda de interesse em atividades que antes geravam prazer, dificuldades de sono, alterações no apetite, recusa escolar e comportamentos de isolamento. “Uma criança que costumava ser ativa e começa a evitar o convívio com outras, que deixa de brincar, não quer ir à escola ou passa a apresentar queixas físicas frequentes, como dor de barriga ou dor de cabeça, pode estar pedindo ajuda de forma silenciosa”, destaca o psicólogo.
Fabrício também alerta para a importância do papel da escola nesse processo. “Professores estão na linha de frente e muitas vezes percebem os primeiros sinais. O trabalho em conjunto com as famílias é essencial para garantir que a criança receba o suporte necessário”, afirma.
Ele completa que o cuidado com a saúde emocional deve caminhar junto com os demais aspectos do desenvolvimento infantil. “Assim como cuidamos da alimentação, da vacinação e do crescimento, é essencial cuidar das emoções. Promover conversas saudáveis, respeitar os sentimentos da criança e oferecer apoio afetuoso são atitudes que protegem e fortalecem”, finaliza.
Fonte: Hapvida
Por Norimar Muller






