Cop30

Lideranças sociais e participantes da Cúpula dos Povos na COP 30 discutem futuro climático e unificam lutas globais

BELÉM (PA) – A discussão sobre o futuro climático e social ganhou destaque no Eixo 3 da Plenária da Cúpula dos Povos, com a participação de importantes líderes que defendem uma transformação radical nos modelos econômicos vigentes. O debate reuniu perspectivas globais e de base, focadas na desconstrução do sistema de exploração e comercialização de recursos naturais e na garantia de direitos para os povos do Sul Global.

Exigência de transformação sistêmica e democrática

Fernando Tormos-Aponte, sociólogo político, pesquisador e membro da Just Transition Alliance (Aliança para a Transição Justa), nos Estados Unidos. articulou a necessidade de uma mudança que vá além das soluções de mercado. Sua fala apontou diretamente para a raiz estrutural das crises:

“Nós estamos exigindo ir contra o sistema capitalista, racista e patriarcal que consistentemente prioriza o lucro e a acumulação em detrimento da vida e da natureza. Vemos o impacto desse sistema na privatização de todos os serviços sociais, onde aquilo que não gera lucro não merece atenção. Propomos, portanto, um sistema diferente que não coloque o lucro antes da vida. E para isso temos que ter uma transformação sistêmica. Nós sabemos que essa transformação é um processo que leva a outras pessoas afetadas por essas transições. E essa é uma aposta na democracia.”

A perspectiva da classe trabalhadora brasileira foi trazida por Rosalina Amorim, secretária Nacional de Meio Ambiente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que destacou a urgência de democratizar a energia. Rosalina criticou veementemente a forma como a transição energética tem sido implementada, sem garantir o acesso das comunidades mais distantes e penalizando a classe trabalhadora. Ela reforçou que é preciso estar na linha de frente da discussão para garantir que a energia não se torne mais um fator de exclusão e que a classe trabalhadora não seja a principal vítima desse processo.

O ativista Farai Maguwu, diretor Fundador do CNRG (Centre for Natural Resource Governance), no Zimbábue somou-se à discussão, trazendo a perspectiva africana da luta contra a exploração e comercialização de recursos naturais e os abusos de direitos humanos ligados a esse comércio. Sua atuação, especialmente na denúncia de crimes relacionados a diamantes no Zimbábue, reforça a necessidade de controlar o capital transnacional e garantir a soberania sobre os recursos naturais.

O consenso na Plenária Eixo 3 é que a Transição Justa e Popular deve ser um processo guiado pela democracia, justiça social e pelo abandono de um sistema que coloca o lucro acima da vida.

Em comum: a dor une lutas globais na Cúpula dos Povos

A Plenária do Eixo 3 da Cúpula dos Povos abriu espaço para um momento de fundamental importância: o compartilhamento direto das dores e injustiças sentidas em diferentes partes do mundo. A força desse momento reside na constatação de que, embora atuem em países e organizações distintas, os ativistas são movidos por um impulso comum: o enfrentamento às mazelas geradas pelo mesmo sistema capitalista e exploratório.

As narrativas convergiram para uma única direção, provando que a crise é sistêmica. Maria das Graças Lima Bento, atingida pelo crime da Samarco, VALE e BHP, barragem de Fundão em 2015, em Mariana, trouxe o drama vivido em Barra Longa, Minas Gerais. Ao descrever a devastação da lama que comprometeu os terrenos de plantio e a renda familiar, ela ressaltou que a luta pelos direitos conquistados — como o Programa de Transferência de Renda (PTR) — já dura dez anos, e que sua participação é em solidariedade a todos os atingidos, seja por barragens ou outras formas de exploração.

Essa luta contra a negação de direitos encontra eco nas críticas diretas às estruturas de poder. Moira, ativista Mapuche da Patagônia, fez grande apelo pela mudança de paradigma político, defendendo que a terra seja reconhecida como sujeito histórico e social nas discussões democráticas, e não apenas as pessoas. Ela criticou duramente os atuais “modelos de países que negam o direito dos povos indígenas e, sobretudo, que negam a terra”, classificando as nações sul-americanas como “repúblicas coloniais”.

A responsabilidade global por essa estrutura foi destacada por Tyrone Scott, da organização britânica War on Want. Scott definiu a Cúpula como um processo coletivo de imaginação e organização dos movimentos da América Latina, África, Ásia e Europa que se recusam a ver a ideia de transição ser “capturada” pelo status quo. Scott chamou a atenção para a responsabilidade histórica e contínua do Norte Global sobre o caos climático e a morte ecológica, defendendo que não pode haver transição justa no Sul sem que as nações e corporações ricas se contabilizem por terem causado a crise.

Em essência, as falas, unidas pela mesma motivação, ecoam a crítica feita por Rosalina Amorim (CUT Brasil) em outro momento da plenária: a rejeição a qualquer transformação energética que seja implementada sem garantir o acesso às comunidades mais distantes ou que penalize a classe trabalhadora, reforçando a urgência da democratização da energia e dos recursos. O clamor coletivo é claro: a dor da exploração capitalista é o motor para a construção de uma frente unificada por um futuro justo.

Encerramento

Com a conclusão das contribuições, o Eixo da Transição Justa, Inclusiva e Popular se encerra, celebrando a Unidade e a Esperança que marcam os espaços da Cúpula dos Povos. O documento de síntese, enriquecido pelos aportes de quase 30 ativistas, seguirá agora para a Declaração Final, e todos os participantes são convidados a se dirigirem à Tenda Solidariedade, onde se encontrarão com os demais eixos em um passo crucial para a consolidação de uma frente unificada de luta.

Líderes Sociales y Participantes de la Cumbre de los Pueblos en la COP 30 Discuten el Futuro Climático y Unifican Luchas Globales

BELÉM (PA) – La discusión sobre el futuro climático y social ganó protagonismo en el Eje 3 de la Plenaria de la Cumbre de los Pueblos, con la participación de importantes líderes que defienden una transformación radical en los modelos económicos vigentes. El debate reunió perspectivas globales y de base, centradas en la deconstrucción del sistema de explotación y comercialización de recursos naturales y en la garantía de derechos para los pueblos del Sur Global.

Exigencia de Transformación Sistémica y Democrática

Fernando Tormos-Aponte, sociólogo político, investigador y miembro de la Just Transition Alliance (Alianza para la Transición Justa), en Estados Unidos, articuló la necesidad de un cambio que vaya más allá de las soluciones de mercado. Su discurso apuntó directamente a la raíz estructural de las crisis:

“Estamos exigiendo ir contra el sistema capitalista, racista y patriarcal que consistentemente prioriza la ganancia y la acumulación en detrimento de la vida y la naturaleza. Vemos el impacto de este sistema en la privatización de todos los servicios sociales, donde aquello que no genera ganancia no merece atención. Proponemos, por lo tanto, un sistema diferente que no ponga la ganancia antes de la vida. Y para ello tenemos que tener una transformación sistémica. Sabemos que esta transformación es un proceso que lleva a otras personas afectadas por estas transiciones. Y esta es una apuesta por la democracia.”

La perspectiva de la clase trabajadora brasileña fue presentada por Rosalina Amorim, Secretaria Nacional de Medio Ambiente de la Central Única de los Trabajadores (CUT), quien destacó la urgencia de democratizar la energía. Rosalina criticó vehementemente la forma en que se ha implementado la transición energética, sin garantizar el acceso de las comunidades más distantes y penalizando a la clase trabajadora. Reforzó que es necesario estar en la primera línea de la discusión para garantizar que la energía no se convierta en otro factor de exclusión y que la clase trabajadora no sea la principal víctima de este proceso.

El activista Farai Maguwu, Director Fundador del CNRG (Centre for Natural Resource Governance), en Zimbabue, se sumó a la discusión, aportando la perspectiva africana de la lucha contra la explotación y comercialización de recursos naturales y los abusos de derechos humanos ligados a este comercio. Su actuación, especialmente en la denuncia de crímenes relacionados con diamantes en Zimbabue, refuerza la necesidad de controlar el capital transnacional y garantizar la soberanía sobre los recursos naturales.

El consenso en la Plenaria Eje 3 es que la Transición Justa y Popular debe ser un proceso guiado por la democracia, la justicia social y el abandono de un sistema que coloca la ganancia por encima de la vida.

En Común: el Dolor Une las Luchas Globales en la Cumbre de los Pueblos

La Plenaria del Eje 3 de la Cumbre de los Pueblos abrió espacio para un momento de fundamental importancia: el intercambio directo de los dolores e injusticias sentidos en diferentes partes del mundo. La fuerza de este momento reside en la constatación de que, aunque actúen en países y organizaciones distintas, los activistas son movidos por un impulso común: el enfrentamiento a las plagas generadas por el mismo sistema capitalista y explotador.

Las narrativas convergieron en una única dirección, probando que la crisis es sistémicaMaria das Graças Lima Bento, afectada por el crimen de Samarco, VALE y BHP (la represa de Fundão en 2015) en Mariana, trajo el drama vivido en Barra Longa, Minas Gerais. Al describir la devastación del lodo que comprometió los terrenos de siembra y los ingresos familiares, ella resaltó que la lucha por los derechos conquistados — como el Programa de Transferencia de Renta (PTR) — ya dura diez años, y que su participación es en solidaridad con todos los afectados, ya sea por represas u otras formas de explotación.

Esta lucha contra la negación de derechos encuentra eco en las críticas directas a las estructuras de poder. Moira, activista Mapuche de la Patagonia, hizo un gran llamado por el cambio de paradigma político, defendiendo que la tierra sea reconocida como sujeto histórico y social en las discusiones democráticas, y no solo las personas. Criticó duramente los actuales “modelos de países que niegan el derecho de los pueblos indígenas y, sobre todo, que niegan la tierra”, clasificando a las naciones sudamericanas como “repúblicas coloniales“.

La responsabilidad global por esta estructura fue destacada por Tyrone Scott, de la organización británica War on Want. Scott definió la Cumbre como un proceso colectivo de imaginación y organización de los movimientos de América Latina, África, Asia y Europa que se niegan a ver la idea de transición ser “capturada” por el status quo. Scott llamó la atención sobre la responsabilidad histórica y continua del Norte Global sobre el caos climático y la muerte ecológica, defendiendo que no puede haber transición justa en el Sur sin que las naciones y corporaciones ricas se contabilicen por haber causado la crisis.

En esencia, los discursos, unidos por la misma motivación, se hacen eco de la crítica hecha por Rosalina Amorim (CUT Brasil) en otro momento de la plenaria: el rechazo a cualquier transformación energética que se implemente sin garantizar el acceso a las comunidades más distantes o que penalice a la clase trabajadora, reforzando la urgencia de la democratización de la energía y los recursos. El clamor colectivo es claro: el dolor de la explotación capitalista es el motor para la construcción de un frente unificado por un futuro justo.

Cierre

Con la conclusión de las contribuciones, el Eje de la Transición Justa, Inclusiva y Popular se cierra, celebrando la Unidad y la Esperanza que marcan los espacios de la Cumbre de los Pueblos. El documento de síntesis, enriquecido por los aportes de casi 30 activistas, seguirá ahora hacia la Declaración Final, y todos los participantes son invitados a dirigirse a la Carpa Solidaridad, donde se encontrarán con los demás ejes en un paso crucial para la consolidación de un frente unificado de lucha.

Social Leaders and Participants of the People’s Summit at COP 30 Discuss Climate Future and Unify Global Struggles

BELÉM (PA) – The discussion on the climate and social future took center stage in Axis 3 of the People’s Summit Plenary, with the participation of important leaders advocating for a radical transformation of current economic models. The debate brought together global and grassroots perspectives, focusing on deconstructing the system of exploitation and commercialization of natural resources and guaranteeing rights for the peoples of the Global South.

Demand for Systemic and Democratic Transformation

Fernando Tormos-Aponte, a political sociologist, researcher, and member of the Just Transition Alliance in the United States, articulated the need for a change that goes beyond market solutions. His speech pointed directly to the structural root of the crises:

“We are demanding to go against the capitalist, racist, and patriarchal system that consistently prioritizes profit and accumulation over life and nature. We see the impact of this system in the privatization of all social services, where what does not generate profit is not worthy of attention. We therefore propose a different system that does not put profit before life. And for that, we must have a systemic transformation. We know that this transformation is a process that leads to other people being affected by these transitions. And this is a bet on democracy.”

The perspective of the Brazilian working class was brought by Rosalina Amorim, National Secretary for the Environment of the Unified Workers’ Central (CUT), who highlighted the urgency of democratizing energy. Rosalina vehemently criticized the way the energy transition has been implemented, without guaranteeing access for the most remote communities and penalizing the working class. She reinforced that it is necessary to be at the forefront of the discussion to ensure that energy does not become another factor of exclusion and that the working class is not the main victim of this process.

Activist Farai Maguwu, Founding Director of CNRG (Centre for Natural Resource Governance) in Zimbabwe, joined the discussion, bringing the African perspective on the fight against the exploitation and commercialization of natural resources and the human rights abuses linked to this trade. His work, especially in denouncing crimes related to diamonds in Zimbabwe, reinforces the need to control transnational capital and guarantee sovereignty over natural resources.

The consensus in the Axis 3 Plenary is that the Just and Popular Transition must be a process guided by democracy, social justice, and the abandonment of a system that puts profit above life.

The Common Thread: Pain Unifies Global Struggles at the People’s Summit

The Plenary of Axis 3 of the People’s Summit opened space for a moment of fundamental importance: the direct sharing of the pain and injustices felt in different parts of the world. The power of this moment lies in the realization that, although they work in different countries and organizations, activists are driven by a common impulse: confronting the ills generated by the same capitalist and exploitative system.

The narratives converged in a single direction, proving that the crisis is systemicMaria das Graças Lima Bento, affected by the Samarco, VALE, and BHP crime (the Fundão dam collapse in 2015) in Mariana, brought the drama experienced in Barra Longa, Minas Gerais. Describing the devastation of the sludge that compromised planting areas and family income, she stressed that the struggle for conquered rights — such as the Income Transfer Program (PTR) — has already lasted ten years, and that her participation is in solidarity with all those affected, whether by dams or other forms of exploitation.

This fight against the denial of rights finds an echo in the direct critiques of power structures. Moira, a Mapuche activist from Patagonia, made a strong appeal for a change in political paradigm, advocating that land be recognized as a historical and social subject in democratic discussions, and not just people. She sharply criticized the current “country models that deny the rights of indigenous peoples and, above all, that deny the land,” classifying South American nations as “colonial republics.”

The global responsibility for this structure was highlighted by Tyrone Scott, from the British organization War on Want. Scott defined the Summit as a collective process of imagination and organization of movements from Latin America, Africa, Asia, and Europe that refuse to see the idea of transition being “captured” by the status quo. Scott drew attention to the historical and ongoing responsibility of the Global North for the climate chaos and ecological death, arguing that there can be no just transition in the South without wealthy nations and corporations being held accountable for causing the crisis.

In essence, the speeches, united by the same motivation, echo the criticism made by Rosalina Amorim (CUT Brazil) at another point in the plenary: the rejection of any energy transformation that is implemented without guaranteeing access to the most remote communities or that penalizes the working class, reinforcing the urgency of democratizing energy and resources. The collective clamor is clear: the pain of capitalist exploitation is the driving force for building a unified front for a just future.

Conclusion

With the conclusion of the contributions, the Axis of the Just, Inclusive, and Popular Transition concludes, celebrating the Unity and Hope that mark the spaces of the People’s Summit. The synthesis document, enriched by the contributions of nearly 30 activists, will now proceed to the Final Declaration, and all participants are invited to proceed to the Solidarity Tent, where they will meet with the other axes in a crucial step towards the consolidation of a unified front of struggle.

 

Fonte:  Ascom Operativo Nacional da Cúpula
Fotos: Samara Silva/Ag.EficazPress

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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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