Exames podem monitorar os impactos dos excessos de fim de ano
Especialista detalha como a ingestão de álcool e gorduras altera taxas de colesterol e sobrecarrega o fígado
Após a maratona de festas de Natal e Ano Novo, é comum o organismo manifestar sinais da sobrecarga metabólica. Do ponto de vista bioquímico, o consumo excessivo de gorduras e álcool provoca o aumento imediato de colesterol, triglicerídeos e glicose no sangue. De acordo com a farmacêutica e bioquímica Jacqueline Parente, docente do curso de Farmácia da UNAMA Santarém, as enzimas do fígado também sofrem alterações, indicando que o órgão está trabalhando além do normal para processar os excessos.
Para garantir a precisão dos diagnósticos, a especialista alerta para a necessidade de um tempo de respiro antes de procurar o laboratório. O ideal é aguardar de 3 a 5 dias. “Fazer o exame logo na data seguinte pode dar um resultado alterado sem que a pessoa tenha, de fato, uma doença. A recomendação padrão é manter jejum de 8 a 12 horas e evitar o consumo de álcool por, pelo menos, 72 horas antes da coleta”, explica.
O fígado é o órgão que mais sofre com as celebrações. Sua inflamação ou sobrecarga é detectada por meio de exames específicos, como TGO, TGP e Gama GT. A elevação dessas siglas nos laudos laboratoriais é um achado frequente após o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, pois o tecido hepático está sob estresse.
Em regiões como Santarém, onde a ceia é tradicionalmente rica em carboidratos e gorduras, o aumento repentino dos triglicerídeos é bem comum. Esse fenômeno decorre da síntese exagerada de lipoproteínas pelo fígado. “Níveis elevados estão associados ao aumento do risco cardiovascular e, quando muito altos, podem predispor a eventos agudos, como pancreatite, exigindo acompanhamento e intervenção adequada”, pontua a bioquímica.
Doenças silenciosas e sinais de alerta
Os excessos com doces e bebidas também podem revelar condições de saúde que permaneciam ocultas, como pré-diabetes. É recorrente os pacientes descobrirem a alteração na glicose ou na hemoglobina glicada justamente nos exames de rotina de início de ano. Embora seja uma doença silenciosa, o corpo pode emitir sinais sutis de alerta e eles não devem ser ignorados. Alguns são o cansaço persistente, a sede excessiva e o aumento do volume de urina.
Apesar da importância do monitoramento, a especialista observa que muitos pacientes tentam mascarar o mal-estar com o uso de medicamentos por conta própria. No entanto, o diagnóstico correto depende de uma análise limpa das taxas metabólicas para identificar problemas reais antes de se tornarem graves.
Check-up para o novo ano
Para quem estabeleceu a saúde como meta para 2026, a recomendação é realizar um pacote básico de acompanhamento anual. Este protocolo deve incluir glicemia de jejum, hemoglobina glicada, perfil lipídico completo (colesterol e frações, triglicerídeos), além da avaliação das funções renal e hepática.
O monitoramento regular é a estratégia mais eficaz para evitar patologias crônicas ao longo do ano. “Esse acompanhamento ajuda a prevenir doenças silenciosas e permite que o paciente tenha um panorama real da sua condição física”, finaliza a especialista.
Fonte: ASCOM/Por Henrique Britto






