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Combate às perdas: varredura com geofone vai percorrer quase mil quilômetros de rede para identificar vazamentos em Belém
Ação integra investimento de R$ 860 milhões para reduzir perdas de água e melhorar o abastecimento na capital
A Águas do Pará está fazendo varredura tecnológica em 19 bairros de Belém para identificar vazamentos invisíveis na rede de abastecimento. Ao todo, serão quase 1.000 quilômetros de tubulações analisadas, uma distância equivalente ao trajeto entre Belém (PA) e São Luís (MA). O trabalho é realizado com uso de geofone, equipamento que identifica vazamentos não visíveis a partir de vibrações e sons captados no solo.
A tecnologia permite localizar com precisão pontos de perda ao longo da rede subterrânea, inclusive em situações em que o vazamento já é perceptível na superfície, mas não se sabe exatamente sua origem na tubulação. Com isso, as equipes conseguem direcionar as escavações de forma assertiva, evitando a abertura de grandes valas desnecessárias e tornando as intervenções mais rápidas e eficientes.
A iniciativa faz parte de um pacote mais amplo de investimentos cuja meta é recuperar, neste ano, 13,89 bilhões de litros de água que hoje se perdem em vazamentos, falhas operacionais e ligações irregulares nas cidades de Belém, Ananindeua e Marituba. Na prática, isso significa mais água chegando às torneiras e maior regularidade no abastecimento para a população.
A primeira etapa do geofonamento está percorrendo 19 bairros da zona central da capital: Campina, Cidade Velha, Reduto, Batista Campos, Umarizal, Nazaré, Guamá, Cremação, Condor, São Brás, Fátima, Canudos, Pedreira, Marco, Jurunas, Telégrafo, Sacramenta, Souza e Barreiro. Cerca de 500 mil moradores devem ser beneficiados diretamente pelas melhorias.
Impacto no dia a dia
A varredura com geofone não causa impactos no fornecimento de água nem exige intervenções prévias nas vias, uma vez que o equipamento é utilizado diretamente sobre o solo. No entanto, caso sejam identificados vazamentos, será necessário realizar escavações pontuais para verificar a dimensão do problema e executar os reparos. Nesses casos, podem ocorrer intervenções localizadas nas ruas e, eventualmente, interrupções temporárias no abastecimento. Todas as ações serão previamente comunicadas, e as equipes atuarão para que os serviços sejam concluídos no menor tempo possível, reduzindo transtornos para moradores e motoristas.
Além da varredura, o pacote de melhorias inclui a instalação de equipamentos reserva em sistemas de bombeamento e a modernização de componentes da rede, o que contribui para reduzir falhas e dar mais estabilidade ao abastecimento.
A gerente executiva do Centro de Operações Integradas (COI) da Águas do Pará, Jasmine Ferraz, detalha a ação estratégica dentro do plano de recuperação do sistema. “Estamos utilizando tecnologia para enxergar perdas que não aparecem, mas que impactam diretamente o abastecimento. A varredura com geofone permite atuar com mais precisão, acelerar os reparos e garantir que mais água chegue, de fato, à casa das pessoas”, destaca.
Avanços na zona central de Belém
O trabalho de redução de perdas já resultou no reparo de 82 vazamentos visíveis com ponto de precisão identificados após a inspeção de mais 300 km de redes de água com geofone. Além da identificação de 246 possíveis vazamentos que não seriam possíveis enxergar sem o trabalho do geofone.
Além disso, quatro válvulas foram substituídas, nas entradas e saídas de reservatórios, medida que regula o fornecimento e a pressão de maneira individualizada, garantindo o controle da vazão, eficiência operacional e evitando o rompimento da tubulação pela pressão da água.
Nas próximas semanas, a varredura com geofone será intensificada em áreas dos bairros Pedreira, Sacramenta, Souza, Telégrafo, partes do Barreiro, partes do Marco, Guamá, além de trechos da Condor e da Cremação.
Plano integrado de redução de perdas
A iniciativa faz parte de um pacote amplo de investimentos, que prevê a aplicação de R$860 milhões em ações de redução e controle de perdas de água no estado. Desse montante, mais de R$100 milhões serão investidos apenas na capital paraense, visando recuperar água que se perde no caminho do reservatório até as torneiras dos moradores. O trabalho integra um conjunto estruturado de ações executadas pela Águas do Pará para reverter um cenário histórico de perdas elevadas no sistema de abastecimento.
Além da varredura em campo, o plano inclui instalação de equipamentos de controle de pressão, monitoramento em tempo real da rede, substituição de tubulações antigas e reforço das equipes operacionais, que atuam 24 horas na identificação e correção de vazamentos. O resultado esperado é um sistema mais eficiente, com menos desperdício e maior previsibilidade no fornecimento de água, beneficiando diretamente a população de Belém.
Investimentos e resultados
Desde o início das operações no estado, em 2025, a Águas do Pará antecipou R$220 milhões em investimentos em Belém, Ananindeua e Marituba, em parceria com o Governo do Estado. Os recursos foram aplicados na modernização dos sistemas de captação e tratamento de água, além da limpeza de poços e reservatórios e da implantação do Centro de Operações Integradas (COI), ampliando o monitoramento e contribuindo para maior regularidade no abastecimento.
Entre os destaques está a implantação dos sistemas de água e esgotamento sanitário na Vila da Barca, na região central de Belém, onde cerca de 5 mil moradores já têm acesso à água tratada e devem contar com coleta e tratamento de esgoto.
Universalização do saneamento
A Águas do Pará será responsável pelos serviços de água e esgotamento sanitário em 126 municípios do estado, beneficiando 5,5 milhões de pessoas. A meta é alcançar, até 2033, atendimento com abastecimento de água para 99% da população. Já a universalização do esgotamento sanitário, com 90% de atendimento, deverá ser atingida até 2033 na Região Metropolitana de Belém e Marajó; e até 2039 nas demais regiões atendidas.
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