Estudo do Observatório da FIEPA mede relação entre confiança empresarial e emprego no Pará
Quanto a confiança do empresário influencia a decisão de contratar? Um novo estudo do Observatório da Indústria do Pará, da FIEPA, investiga essa relação e dimensiona como mudanças nas expectativas empresariais estão associadas à geração de empregos formais no estado.
Intitulado “Confiança que vira carteira assinada”, o levantamento analisa 72 meses, de janeiro de 2020 a dezembro de 2025, combinando o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) e dados das Sondagens Industrial e da Indústria da Construção, realizadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL Pará), com os registros de admissões e desligamentos do Novo CAGED.
A novidade está em ir além do acompanhamento isolado desses indicadores. Por meio de modelos econométricos, o estudo busca identificar em que medida e com que velocidade mudanças na confiança se refletem no emprego, revelando comportamentos distintos entre a indústria e a construção.
Os resultados mostram uma relação mais forte e imediata na construção. Na indústria, embora a resposta estimada também seja positiva, ela é menor e estatisticamente imprecisa. Essa diferença está relacionada às características de cada atividade, enquanto a construção consegue ajustar suas equipes mais rapidamente ao início e ao encerramento de obras, a indústria paraense possui forte presença de grandes plantas ligadas à mineração e à transformação mineral, com decisões influenciadas também por contratos de longo prazo e pelo mercado internacional.
Outro dado chama atenção: na construção, a relação apresenta sinais de funcionar em duas direções. As expectativas se relacionam com as contratações, mas o desempenho do emprego também ajuda a antecipar o comportamento futuro da confiança empresarial, indicando um processo de retroalimentação entre percepção e atividade econômica.
A análise ganha relevância diante do cenário observado em 2025. Em dezembro, o ICEI da construção caiu para 34,2 pontos, o menor resultado dos 72 meses analisados e inferior até ao registrado no pior momento da pandemia no setor.
Mais do que apresentar números conjunturais, “Confiança que vira carteira assinada” propõe uma nova leitura sobre os indicadores empresariais no Pará, mostrando como as expectativas podem ajudar a compreender movimentos concretos do mercado de trabalho e o porquê essa relação assume intensidades diferentes conforme a estrutura de cada setor.
O estudo completo apresenta a dimensão estimada desses efeitos, sua duração, as diferenças entre indústria e construção e os possíveis desdobramentos da deterioração recente da confiança. O material está disponível para download no site do Observatório.
Fonte: Comunicação Sistema FIEPA






