FIEPA recebe ministro da Pesca e articula agenda para reconstrução e modernização do setor pesqueiro do Pará
Reunião com representantes da indústria resultou na entrega de memorial técnico-institucional com gargalos e propostas para fortalecer a cadeia produtiva da pesca e aquicultura no estado
A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) recebeu, nesta quarta-feira (23), o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, para uma reunião com lideranças e representantes da indústria pesqueira paraense. O encontro colocou em pauta os principais desafios estruturais da atividade no estado e marcou a entrega de um memorial técnico-institucional com gargalos e propostas para a reconstrução, regularização e modernização do setor.
A agenda integra a programação do ministro em Belém, que prevê diálogo institucional com representantes do setor produtivo e discussão de estratégias para o desenvolvimento da pesca e da aquicultura na região.
O documento apresentado pelo setor reuniu demandas consideradas prioritárias para ampliar a capacidade produtiva e criar condições mais adequadas para o desenvolvimento da cadeia pesqueira no Pará.
O presidente da FIEPA, Alex Carvalho apontou que a agenda é uma oportunidade de fortalecer a articulação entre o setor produtivo e o poder público em torno de uma atividade estratégica para o Pará e para a Região Norte.
“Temos uma vocação natural para a pesca e uma atividade que faz parte da história e da economia do nosso Estado. Ao mesmo tempo, sabemos que o setor enfrenta desafios históricos e perdas recorrentes que precisam ser enfrentados com planejamento, organização e políticas capazes de fortalecer toda a cadeia produtiva. O setor produtivo paraense vê este novo momento com muita esperança e, sobretudo, com o desejo de contribuir. A FIEPA e o Sinpesca estarão ao lado do Ministério, colocando sua experiência, sua capacidade de articulação e seu diálogo à disposição para ajudar a construir caminhos para o desenvolvimento sustentável da pesca no Pará e na Região Norte”, declarou o presidente.
Para o presidente do Sinpesca, Apoliano Nascimento, a regularização está entre os pontos mais sensíveis e que precisam avançar com prioridade. “Como sindicato, a expectativa é muito boa, até pela sensibilidade do ministro em acolher as nossas demandas. Ele é engenheiro de pesca e realmente conhece aquilo que a gente entregou para ele. Eu acredito que a expectativa é boa e nós vamos ter resultado disso”, pontuou.
Para o ministro Edipo Araujo, a reunião representa uma oportunidade de aproximar o setor produtivo e o Governo Federal na construção de políticas públicas alinhadas às características e necessidades do território paraense. “Foi um importante momento para que a gente pudesse falar de construção de pontes, de construção de políticas públicas efetivas, do setor pesqueiro e aquícola paraense, que merece o protagonismo”, destacou.
O ministro ressaltou a dimensão econômica e social da atividade no estado. Segundo dados apresentados por ele, o Pará possui mais de 435 mil pescadores registrados, além de cerca de 1.300 aquicultores e aproximadamente 2.300 embarcações. Para Araujo, esse contingente evidencia a necessidade de uma atuação articulada para enfrentar os gargalos e fortalecer a cadeia do pescado. “Esse setor merece ter o protagonismo, o Pará merece ter”, afirmou.
Na avaliação do ministro, a organização das demandas pelo setor produtivo e a apresentação de um documento técnico contribuem para a construção de um plano estratégico com participação dos diferentes atores envolvidos.
Mudanças climáticas entram no debate
Outro ponto de atenção frisado pelo ministro foi o impacto das mudanças climáticas sobre a atividade pesqueira na Amazônia. Edipo Araujo destacou a perspectiva de ocorrência de um El Niño de intensidade moderada a forte em 2026 e seus possíveis efeitos sobre o regime de chuvas e os níveis dos rios na região.
Segundo Araujo, a redução do nível dos rios pode afetar diretamente a mobilidade dos pescadores e o funcionamento da atividade, especialmente em comunidades que dependem dos rios também como principal meio de deslocamento. A estimativa apresentada pelo ministro é de que pelo menos 222 mil dos 435 mil pescadores registrados no Pará possam sentir os efeitos das mudanças climáticas sobre sua atividade.
O cenário também exige articulação entre diferentes áreas do Governo Federal. O ministro citou um plano de enfrentamento com investimento de R$ 1,3 bilhão, envolvendo setores como infraestrutura, agricultura, agricultura familiar e transportes, além de ações específicas voltadas à pesca e à aquicultura.
“Estamos trabalhando na perspectiva de construir um auxílio extraordinário, nos moldes do que foi feito nos anos de 2023 e 2024, quando tivemos secas extremas aqui na região amazônica. Ou, até mesmo, fala-se muito em pedir uma antecipação do seguro-defeso”, explicou o ministro.
Construção conjunta
A reunião na FIEPA reforçou a importância da articulação entre indústria, entidades representativas e poder público para transformar os gargalos identificados pelo setor em uma agenda de ações. Para o ministro, o documento entregue pelos representantes da cadeia produtiva permite ao Governo Federal conhecer de forma mais precisa as demandas do território e avançar na formulação de políticas públicas.
“Foi uma ótima oportunidade para que a gente pudesse unir forças e construir um plano estratégico pujante para a pesca e aquicultura paraense, mas com participação, diálogo e construção coletiva”, afirmou Araujo.
Fonte: Comunicação Sistema FIEPA






