Gastronomia

Açaí no hospital: tradição paraense vira gesto de acolhimento para pacientes e acompanhantes

Hospital Rio Mar oferece pequenas porções do fruto a quem aguarda atendimento e a pacientes liberados para o consumo; iniciativa valoriza hábitos regionais e torna a permanência no ambiente hospitalar mais acolhedora

Presença quase obrigatória na mesa do paraense, o açaí ganhou um espaço diferente no Hospital Rio Mar, da Hapvida. Pequenas porções do alimento estão sendo distribuídas para pessoas que aguardam atendimento, acompanhantes e para pacientes que estão liberados para o consumo, respeitando as orientações da equipe assistencial.

A iniciativa surgiu com a proposta de tornar mais acolhedora a permanência no ambiente hospitalar, utilizando um alimento que carrega forte relação com a cultura e a memória afetiva de quem vive no Pará.

Segundo Lana Tolksdorf, coordenadora de Nutrição do Hospital Rio Mar e idealizadora da ação, a iniciativa nasceu da percepção de que pequenos gestos também podem fazer diferença durante a estadia no hospital.

“Pensamos em algo simples, mas que tivesse significado para as pessoas. O açaí faz parte da nossa identidade e da rotina do paraense. Trazer esse alimento para o hospital, dentro de todos os cuidados necessários, foi uma maneira de oferecer um momento de acolhimento e tornar a experiência de pacientes e acompanhantes um pouco mais leve”, explica.

*Tradição regional também pode fazer parte de uma alimentação equilibrada*

Para Lana, é importante lembrar que o açaí é uma fruta, assim como tantas outras presentes na alimentação. No Hospital Rio Mar, ele é oferecido em sua forma tradicional, por meio da polpa da fruta, sem adição de açúcar ou qualquer outro tipo de aditivo.

“Não estamos servindo sorvete de açaí. Estamos oferecendo a fruta, na forma de polpa, como ela faz parte da nossa cultura alimentar. O açaí é um alimento natural, nutritivo e que carrega uma forte relação com a identidade do povo paraense”, explica Lana.

Segundo a nutricionista, o consumo de alimentos naturais e nutritivos faz parte de uma alimentação adequada e pode contribuir para a manutenção da saúde e para o bom funcionamento do organismo, inclusive do sistema imunológico.

No ambiente hospitalar, entretanto, a oferta é realizada de forma responsável e seguindo os critérios definidos pela equipe de Nutrição. O açaí é disponibilizado aos pacientes que não apresentam alergia ou intolerância ao alimento e que estejam aptos ao consumo, sempre respeitando as condições clínicas e as orientações estabelecidas individualmente.

“A alimentação dentro do hospital também faz parte do cuidado. Por isso, antes de oferecer o açaí, avaliamos se aquele paciente pode consumi-lo. A proposta é proporcionar essa experiência sem deixar de lado a segurança e as necessidades nutricionais de cada pessoa”, ressalta a especialista.

*Um cuidado que vai além do atendimento*

Além dos benefícios nutricionais, a ação também foi pensada como uma forma de acolhimento, afeto e fortalecimento de vínculos durante a hospitalização.

Para Eduardo Monteiro, gerente administrativo do Hospital Rio Mar, a iniciativa reforça uma visão de cuidado que considera não apenas o atendimento clínico, mas também a experiência de quem passa pelo hospital.

“Quem chega a um hospital muitas vezes está vivendo um momento de ansiedade, preocupação ou espera. Nem sempre conseguimos mudar essa circunstância, mas podemos pensar em formas de tornar esse período mais acolhedor. Foi com esse olhar que abraçamos essa ideia”, conta.

A identificação com a cultura local foi um dos principais motivos para a escolha do alimento.

“Poderíamos oferecer diferentes opções, mas queríamos algo que tivesse conexão com as pessoas daqui. Quando alguém recebe aquela pequena porção de açaí, existe também uma memória, uma familiaridade, uma sensação de estar próximo de algo que faz parte da sua vida. É um gesto pequeno, mas com bastante significado”, acrescenta Eduardo.

Lana destaca que essa relação afetiva também faz parte da alimentação e ganha ainda mais significado durante uma internação.

“Quando levamos para dentro do hospital um alimento tão presente na vida do paraense, estamos levando também um pouco de casa, de memória e de afeto. Em um momento em que o paciente está afastado da sua rotina e da família, esse tipo de experiência pode tornar a permanência no hospital mais leve e contribuir para o bem-estar emocional”, ressalta.

Para a nutricionista, unir segurança alimentar, cuidado e identidade regional é justamente o que dá sentido à iniciativa. “Comer não envolve apenas nutrientes. Alimentação também é cultura, memória e afeto. Quando conseguimos respeitar as necessidades clínicas e, ao mesmo tempo, aproximar o cuidado da realidade das pessoas, contribuímos para uma experiência mais humanizada”, conclui.

Fonte: NM Comunicação

Por: Norimar Müller

COMPARTILHAR
Mostrar Mais

guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo