Saraus se consolidam como opção de lazer e cultura em Belém
Grandes encontros de celebração da palavra cantada e escrita ficam mais populares e já fazem parte da programação periódica e gratuita do Centro Cultural Banco da Amazônia
Se para alguns, os encontros literários e musicais ainda são associados às elites dos livros, novelas e filmes de época, para muitos os Saraus têm sido uma opção cada vez mais frequente e popular de programação cultural em Belém. O Tecer o Rio, realizado no Centro Cultural Banco da Amazônia, é um exemplo. O evento, que começou de maneira discreta, em agosto passado, cresceu em público e atrações na edição do último dia 25, e já tem data marcada para a terceira edição: 14 de outubro.
“Quando a gente começa um projeto desse, ele é pequenino. O público vai aderindo aos poucos e agora, no segundo, cresceu e participou muito mais. E o objetivo é justamente esse: trazer não apenas autores, poetas e músicos conhecidos, mas também fazer com que o público se sinta acolhido e confortável para falar sem medo porque a poesia, a palavra em si, ela precisa disso”, explica a escritora e jornalista Carmen Palheta, idealizadora do Sarau.
O tecnólogo em gestão de cooperativas, Airton Cardoso, conta que já havia prestigiado saraus em outros espaços de Belém e que se encantou com o Tecer o Rio, evento que agora fará parte da sua agenda cultural. “Estou maravilhado e quero que tenha vários! Nós precisamos desses espaços e oportunidades, tanto que quando abriu o microfone para o público, todo mundo participou porque todos temos algum escrito guardado”, destacou o tecnólogo, que leu um poema feito especialmente para o evento.
Poesia que atravessa gerações
A segunda edição do Sarau Tecer o Rio reuniu nomes reconhecidos na música e nas letras, como Renato Torres, Antônio Juraci Siqueira, Edir Gaya, Edson Coelho, Jeová Barros, Josette Lassance, Danielle Fonseca, Mainumy Beijaflô e Victor Peres.
Na plateia, a professora de Língua Portuguesa Ingrid Gabriela acompanhou tudo atenta e encantada. “Eu acabei escrevendo, naquele momento, o meu poema. Então, quando eles abriram o microfone, eu fui lá e li o que havia acabado de escrever”, contou, ressaltando que a inspiração sentida no evento é parte da própria vida: ela é neta do poeta Antônio Juraci Siqueira. “Meu avô me ensinou (a amar a literatura) desde criança, embora eu não tenha o hábito de escrever. Mas, naquele momento, com ele declamando junto com os outros poetas e músicos, eu me inspirei e quis compartilhar meu texto também”, completou, mostrando o papelzinho azul, com o poema escrito a lápis.
“A Ingrid é ‘culpada’ por um dos meus livros mais adotados nas escolas: ‘Paca, tatu; Cutia Não!’ que é um livro para crianças”, destacou Juraci Siqueira, orgulhoso da neta. “Para mim, como poeta, todos os saraus são sempre nota dez. São uma festa da palavra. Eu faço votos para que continue sempre”, completou, reforçando a alegria de reunir pessoas de diferentes gerações no evento.
Próxima edição – A próxima edição do Sarau Tecer o Rio, em 14/10, permanece gratuita, como todas as programações oferecidas pelo Centro Cultural Banco da Amazônia. O evento se iniciará às 18h30 e não será necessária nenhuma inscrição prévia para participar. Dentre os artistas já confirmados está o Quinteto Caxangá, grupo de música instrumental brasileira, que toca ritmos como choro, carimbó, forró, baião e muitos outros. “Esperamos receber um público grande de professores, alunos e da comunidade, em geral, que gosta de música e poesia. Estão todos convidados”, afirma Carmen Palheta. “Nós estamos explorando novos horários e linguagens como a poesia e a música. Ficamos muito felizes com o sucesso dessa segunda edição – o público dobrou em comparação ao primeiro Sarau -, e é isso que queremos: abraçar o público e ser sempre esse lugar de cultura viva”, completa Ana Amélia Fadul, gerente do Centro Cultural Banco da Amazônia.
Sobre o Centro Cultural – O Centro Cultural Banco da Amazônia é um importante espaço de fomento à arte e à cultura na região amazônica. Localizado no coração de Belém – Av. Presidente Vargas nº 800-, o espaço promove exposições, mostras e eventos gratuitos, reforçando o compromisso da instituição com a democratização do acesso à cultura e a valorização dos talentos locais e nacionais.
SERVIÇO
Centro Cultural Banco da Amazônia
Endereço: Avenida Presidente Vargas, 800, Campina, Belém
Exposições em cartaz
- Povos Amazônicos não morrem, viram semente, de Rafael Prado
- Floresta Encantada
- Burle Marx – Expedição Amazônia
Entrada gratuita
Horários de visitação – Terça a sexta, das 10h às 16h. Sábado, domingo e feriados, das 10h às 14h.
Fonte: FSB Comunicação
Por: Ana Danin






