Maior banco genômico da biodiversidade brasileira é lançado em Belém
“GenRefBR”, plataforma aberta que reúne dados genômicos de espécies da fauna brasileira tem o objetivo de facilitar o acesso à informação, apoiar pesquisas e impulsionar a conservação e a ciência no Brasil
Integrada ao projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), o maior esforço já realizado para gerar dados genômicos da flora e da fauna do país, a GenRefBR – Referências Genômicas de Espécies Brasileiras (genrefbr.itv.org) foi lançada oficialmente nesta quarta-feira (19/11), na sede do Instituto Tecnológico Vale – Desenvolvimento Sustentável (ITV DS), em Belém. Inicialmente, a ferramenta concentra-se em espécies de vertebrados, reunindo dados essenciais para pesquisas, conservação e políticas públicas.
A plataforma é uma das entregas desenvolvidas dentro do projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira, parceria entre o ITV DS e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A iniciativa busca facilitar o acesso a informações genômicas, apoiando pesquisas em evolução, conservação, identificação de espécies e monitoramento ambiental. O GBB mobiliza cientistas de todo o país para produzir referências genômicas de espécies ameaçadas e de interesse para a bioeconomia, gerando dados essenciais para ações de monitoramento e planejamento da conservação no Brasil.
Gisele Nunes, pesquisadora do ITV DS e Doutora em Microbiologia Agrícola, coordena o projeto juntamente com o também pesquisador do Instituto, Renato Oliveira. Ela explica como surgiu a criação da GenRefBR. “No âmbito do GBB, havia uma meta definida: selecionar dentre as milhares de espécies brasileiras, quais seriam incluídas no sequenciamento genômico. O projeto visa gerar 80 genomas de referência e 1600 genomas organelares, priorizando espécies ameaçadas e sem dados genômicos disponíveis. Para isso, precisávamos de um ponto de partida: uma lista completa das espécies brasileiras indicando quais já possuíam algum tipo de dado genético, como marcador molecular, genoma nuclear ou organelar, e quais ainda não tinham qualquer informação registrada. Diante desse desafio, por onde começar? A solução inicial foi recorrer ao National Center for Biotechnology Information (NCBI), principal portal genômico global, para fazer uma varredura abrangente desses dados”, explica.
O NCBI é considerado o maior banco público de dados genéticos do mundo e reúne informações genômicas e biológicas de milhares de espécies. “Apesar de sua relevância, havia uma limitação na extração de dados, pois ele não permite filtrar informações exclusivamente por espécies brasileiras, ou seja, por um país específico, o que dificultava identificar com precisão quais delas atendiam aos critérios do GBB. Na GenRefBR, isso muda! A plataforma permite personalizar as buscas por meio de filtros, possibilitando cruzar dados por bioma, nível de ameaça, abordagem genômica, entre outros parâmetros, de forma clara e interativa”, ressalta Nunes.
O processo
O lançamento oficial da plataforma marca um avanço significativo para a compreensão do status genômico da fauna brasileira, ampliando e facilitando o acesso a informações que podem ser estratégicas para apoiar pesquisas científicas e orientar ações de conservação em todo o país. “A democratização dos dados genômicos é essencial para impulsionar a conservação e fortalecer a ciência aberta no Brasil. A GenRefBR chega para preencher uma lacuna histórica e consolidar a soberania científica brasileira”, afirma a equipe do projeto.
A criação da GenRefBR exigiu, antes de tudo, identificar quais espécies brasileiras já possuíam dados genéticos ou genômicos disponíveis. Para isso, a equipe iniciou um amplo levantamento em diferentes listas de fauna, com a finalidade de reunir os nomes científicos que serviriam de base para as buscas. Naquele momento, ainda não era claro qual lista era a mais atualizada e adequada para ser considerada como referência. “Durante as reuniões com o ICMBio, chegamos à conclusão de que a lista mais precisa era a gerada pelo SALVE (Sistema de Avaliação de Espécies Ameaçadas), uma plataforma oficial que reúne dados de espécies brasileiras contendo informações atualizadas sobre risco de extinção, biomas de ocorrência, taxonomia revisada e outros elementos essenciais para a construção da GenRefBr”, explica Gisele.
Com a base consolidada, a estratégia adotada foi cruzar os nomes científicos das espécies com dados disponíveis nos repositórios públicos do NCBI, BOLD e GBIF e extrair todas as informações associadas às espécies encontradas. Porém, surgiu outro desafio: o volume massivo de registros resultou em planilhas extensas e de difícil interpretação, exigindo o uso de scripts computacionais, para organizar, filtrar e analisar os dados, um processo trabalhoso para a equipe do projeto.
“Por mais que os dados já estivessem compilados, a acessibilidade ainda era um grande desafio. A primeira solução considerada foi o uso do Power BI, mas o acesso continuava limitado. Foi então que surgiu a ideia de desenvolver uma plataforma de acesso universal e livre. A partir desse ponto, iniciamos um intenso trabalho de concepção, design e integração. As ideias foram evoluindo até resultar em uma plataforma capaz de reunir e interligar milhares de dados genômicos de maneira dinâmica, visual e interativa, tornando tudo acessível. Ao perceber o potencial dessa ferramenta, ampliamos os esforços para entregar o que hoje se tornou a GenRefBR”, comemora Gisele.
Comunicação da ciência
“Comunicar à sociedade a relevância de um banco genômico é tão estratégico quanto desenvolvê-lo, pois torna visível o esforço científico e tecnológico necessário para garantir a conservação da biodiversidade e a soberania genética da biodiversidade brasileira”, destaca a gerente de Projetos do ITV, Josiane Martins. Neste contexto, outras duas ações do Instituto foram lançadas junto a GenRefBR: uma delas é a parceria com a Mata N’Ativa (Mata N’Ativa), laboratório digital de conteúdos patrocinados de impacto, com foco em ciência e meio ambiente. A parceria entre ITV e Mata N’Ativa resultou na criação de seis histórias exclusivas, que apresentam em detalhes o trabalho de pesquisas do ITV e traduzem estudos complexos em conteúdos ilustrados, interativos e acessíveis a um público não especializado. As histórias inéditas podem ser acessadas em: https://matanativa.art/pt/gbb/
Josiane Martins reforça que a iniciativa também democratiza o papel da comunicação científica. “O diálogo entre especialistas continua sendo a base da ciência, mas hoje é fundamental ir além. A sociedade precisa compreender por que a ciência é tão importante para buscarmos soluções para nossos desafios”, ressalta.
A outra iniciativa lançada pelo Instituto Tecnológico Vale é a plataforma FoCar ou Fonoteca de Carajás, a primeira biblioteca de sons dos animais de Carajás. Inicialmente dedicada aos morcegos que habitam as cavernas da região, esta plataforma reúne registros sonoros destes animais, especialmente de ecolocalização, mecanismo pelo qual esses animais emitem ondas sonoras para perceber o ambiente, identificar obstáculos e se orientar em voo. A partir deste acervo, a plataforma promete trazer mais eficiência e transparência na tarefa de prospectar biodiversidade nestes ecossistemas.

Sobre o ICMBio
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é responsável por gerir, proteger, monitorar e fiscalizar as 340 Unidades de Conservação Federais (UC) existentes em todo o país. Previstas pela Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação na Natureza (SNUC) as UCs possuem particularidades que, em conjunto, representam inúmeras riquezas da biodiversidade brasileira, que devem ser conservadas e protegidas. O Instituto gerencia 14 Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação em diferentes áreas do conhecimento, ligados à biodiversidade.
Sobre o ITV
O Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS) atua há 15 anos na Amazônia como um centro de pesquisa multidisciplinar, tendo investido nesse período cerca de R$ 685 milhões em projetos que impulsionam o desenvolvimento sustentável no bioma amazônico e no Brasil.
Em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) o ITV-DS desenvolve o projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), o maior esforço de sequenciamento genético da fauna e flora já realizado do país. Com US$ 25 milhões em investimentos até 2028, o GBB ampliará o monitoramento e a conservação de espécies, além de impulsionar a bioeconomia, aplicando DNA ambiental em larga escala e promovendo a capacitação de especialistas para fortalecer a preservação da biodiversidade.
Fonte: Relacionamento com a Imprensa/Vale






