Ação integrada leva saúde, informação e autocuidado a internas de unidade prisional em Ananindeua
Iniciativa reuniu órgãos do governo do Pará e Judiciário e realizou 563 atendimentos, incluindo consultas médicas, palestras educativas e serviços de cuidado pessoal
Uma ação integrada entre órgãos do governo do Pará e o Poder Judiciário levou atendimentos de saúde e serviços de autocuidado a cerca de 300 mulheres privadas de liberdade da Unidade de Custódia e Reinserção Feminina (UCRF), em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. A iniciativa reuniu esforços da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), da Secretaria de Estado de Articulação da Cidadania (Seac), da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), da Secretaria de Estado das Mulheres (Semu), da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA).
As atividades ocorreram na segunda-feira (9) e foram encerradas nesta terça-feira (10), com uma programação voltada à promoção da saúde, acesso à informação e valorização pessoal das custodiadas. Ao longo dos dois dias, foram realizados 120 atendimentos em palestras educativas, 250 consultas oftalmológicas, 61 atendimentos dermatológicos por telemedicina, além de 66 serviços de corte de cabelo e 66 atendimentos de design de sobrancelhas, totalizando 563 atendimentos durante a programação.

A iniciativa integrou a 32ª Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa, mobilização promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com o TJPA, por meio da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid). No primeiro dia de atividades, as internas participaram de palestras educativas voltadas à conscientização sobre os direitos das mulheres e ao enfrentamento da violência doméstica e familiar.
Veja no video, o que diz Joyce Medeiros, detenta.
Ao comentar as ações desenvolvidas dentro do sistema penitenciário, a diretora da Diretoria de Assistência Biopsicossocial (DAB) da Seap, Michelle Holanda, destacou que iniciativas desse tipo integram as políticas de assistência voltadas às pessoas privadas de liberdade.
Veja no video, o que diz Michele Holanda – Diretora da Diretoria de Assistência Biopsico Social da Seap.
“A política penal envolve um conjunto de outras políticas públicas, como saúde, assistência social e educação. Essas ações reforçam a garantia de direitos das pessoas privadas de liberdade e demonstram que, mesmo em situação de cárcere, essas mulheres têm perspectivas de reconstrução de vida com dignidade”, destacou.
Veja no video, o que dia Jenifer Silva Holanda, 33 anos.
Para a diretora, as palestras garantem informações essenciais para as internas, auxiliando nas condutas fora do sistema prisional. “As palestras foram de cunho educativo e de direitos da mulher. Dentro da perspectiva de reintegrá-las à sociedade, teve as palestras que falam sobre as questões de empresariado, produtividade, recurso, trabalho, emprego e renda. Com relação também aos direitos, teve a questão dos direitos de família, com relação aos filhos, aos pais, de como lidar com essa questão depois do cárcere. E a própria política de cuidados, de cuidados da mulher, de prevenção, de exames e consultas”, reforçou Michelle Holanda.

Durante a programação, as custodiadas também receberam orientações sobre a Lei Maria da Penha, direitos, medidas protetivas e informações sobre o funcionamento da rede de atendimento às mulheres. As atividades foram conduzidas pela equipe da Cevid e realizadas em diferentes espaços da unidade.
Veja no video, o que diz a desembargadora Luana Santalices.
Ao abordar a importância da iniciativa, a desembargadora Luana Santalices, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, ressaltou que a proposta é ampliar o acesso das internas a serviços e orientações também oferecidos à população em geral.

“O Tribunal sempre tem essa preocupação com as pessoas encarceradas, não só com o jurisdicionado que está em liberdade, mas também com quem está encarcerado. A ideia é levar conhecimento, serviços e também promover o autocuidado, fortalecendo a autoestima dessas mulheres e mostrando que elas continuam sendo parte da sociedade. Esse projeto busca justamente reunir esses serviços, então são várias pessoas que trabalham junto com o Judiciário e, dentro do Judiciário, nós temos projetos muito importantes voltados às pessoas encarceradas”, afirmou.
No segundo dia da programação, a ação foi direcionada aos atendimentos de saúde realizados dentro da unidade. Foram oferecidas consultas em dermatologia por meio de telemedicina da Universidade do Estado do Pará (Uepa), com mediação de médicos da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), além de atendimentos clínicos e consultas oftalmológicas, com realização de exame de vista e entrega de óculos por meio da Secretaria de Estado de Articulação da Cidadania (Seac).
Veja no video, o que Dione Cunha.
Ao falar sobre a ampliação da assistência em saúde nas unidades prisionais, a coordenadora estadual de Atenção Integral à Saúde da Pessoa Privada de Liberdade da Sespa, Dione Cunha, explicou que a iniciativa integra as estratégias da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade (PNAISP). “A atuação em parceria com a Seap permite ampliar o acesso à assistência em saúde dentro das unidades prisionais, garantindo acompanhamento e prevenção de doenças para essa população”, explicou.

Durante a programação também foram disponibilizados serviços ligados à política de cuidados, como corte de cabelo, design de sobrancelhas e outros serviços de estética, realizados em parceria com a Secretaria de Estado das Mulheres. A proposta foi oferecer momentos de valorização pessoal e contribuir para o fortalecimento da autoestima das participantes.
Veja no video, o que diz Maria Clarice Leonel – Diretora de autonomia econômica e políticas transversais – SEGUP
A diretora de Autonomia Econômica e Políticas Transversais da Semu, Maria Clarice Leonel, observou que as atividades estão alinhadas à política de cuidados direcionada às mulheres. “A política de cuidados envolve o direito de cuidar, o direito de ser cuidado e o autocuidado. A gente sabe que a importância disso está na autoestima das mulheres em situação de privação de liberdade. Você vê a felicidade e a satisfação estampadas no rosto dessas mulheres”, pontuou.

Para as internas, a iniciativa também representou um momento de acolhimento dentro da rotina da unidade. Ao relatar a experiência durante a programação, a interna Leilani Barbosa Salles destacou a importância da ação. “Hoje eu resumiria tudo em uma palavra: acolhimento. Tivemos acesso a informações importantes e também a cuidados que fazem diferença para nós”, afirmou.
Veja no video, o que diz a Tainá Lopes – detenta.
Já a custodiada Tainá Lopes, destaca que os mutirões são importantes e que sempre são realizados pela Seap, mas esta ação trouxe uma novidade, como as consultas oftalmológicas. “A gente sempre tem mutirões com atendimentos médicos, jurídicos, mas esse daqui tá sendo diferente, porque tem acesso a exame de vista, além dos atendimentos de saúde. Se você tá bem, saúde mental, física, você consegue fazer tudo, e pra mim é uma coisa muito importante”, disse.
Texto: Kaila Fonseca
Fonte: Agência Pará
Por Caroline Rocha (SECOM)






