Saúde

Sespa reforça importância da vacinação para combater câncer de colo de útero

Durante a campanha Março Lilás, a Sespa intensifica as ações de orientação e promoção da saúde da mulher, como parte da programação 'Por Todas Elas

O câncer de colo do útero continua sendo um importante desafio para a saúde pública no Brasil. Entre os anos de 2019 e 2025, no Pará, a doença foi o terceiro tipo de câncer mais prevalente entre pessoas do sexo feminino atendidas em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), reforçando a importância de ampliar as ações de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. Por isso, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) vem fortalecendo estratégias voltadas ao enfrentamento da doença, que incluem campanhas de conscientização, vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano), exames de rastreamento e ampliação da rede de atendimento oncológico.

O câncer de colo do útero se desenvolve na parte inferior do útero, conhecida como colo uterino. Na maioria dos casos, ele está associado à infecção persistente pelo HPV, vírus transmitido principalmente por contato sexual. A infecção pelo HPV é bastante comum e, muitas vezes, não apresenta sintomas. Em boa parte das situações, o próprio organismo consegue eliminar o vírus. No entanto, quando a infecção permanece por muito tempo, pode provocar alterações nas células do colo do útero que, se não forem detectadas e tratadas, podem evoluir para o câncer

A principal forma de identificar alterações antes que a doença se desenvolva é por meio do exame preventivo do colo do útero, conhecido como PCCU (preventivo do câncer de colo uterino) ou exame citopatológico, realizado nas unidades de saúde. O exame permite detectar lesões precursoras do câncer, possibilitando o tratamento ainda em fases iniciais.

Tecnologia – Além do exame tradicional, o SUS passou a incorporar uma nova tecnologia para o rastreamento da doença. Em março de 2024, o Ministério da Saúde publicou uma portaria que incluiu no sistema público o teste molecular DNA-HPV, que identifica diretamente o material genético dos tipos do vírus com maior potencial de causar câncer.

“O câncer de colo do útero é uma doença que pode ser evitada quando conseguimos atuar na prevenção e no diagnóstico precoce. Por isso, estratégias como o exame preventivo, a ampliação do acesso ao teste de DNA do HPV e a vacinação são fundamentais. O teste de DNA-HPV permite identificar a presença do vírus antes mesmo do surgimento de lesões, o que possibilita um acompanhamento mais rápido e seguro das mulheres na rede de saúde”, informou Michele Monteiro, enfermeira da Coordenação Estadual de Atenção Oncológica e responsável pela implantação do exame de DNA-HPV no Pará.

Esse exame é considerado mais sensível e eficiente na detecção do HPV, permitindo identificar precocemente alterações que podem levar ao desenvolvimento do câncer do colo do útero. O teste molecular pode ser realizado por mulheres que apresentam atraso no rastreamento ou que nunca realizaram o exame preventivo, incluindo aquelas em diferentes faixas etárias dentro do público indicado pelo programa de rastreamento. O preventivo com DNA-HPV é indicado na primeira fase para pessoas com útero, na faixa etária de 30 a 49 anos, que nunca realizaram o exame citopatológico ou estão com atraso de três anos.

Rosiani Pontes, 48 anos, foi a uma unidade de saúde, no Bairro da Condor, em Belém, e fez o teste de DNA-HPV. “Foi uma experiência única fazer esse exame. Muitas mulheres já morreram por causa dessa doença. Conseguir saber antes se há chances de tê-la é muito importante”, disse.

Imunização – A vacinação contra o HPV é considerada a estratégia mais eficaz para prevenir o câncer de colo do útero e outras doenças relacionadas ao vírus. No SUS, a vacina está disponível gratuitamente para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, faixa etária em que a imunização apresenta maior eficácia. No entanto, o SUS também mantém estratégias de resgate vacinal para adolescentes até 19 anos, ainda não imunizados.

Além desse público, a vacina é indicada para pessoas imunossuprimidas, entre 9 e 45 anos, e pessoas que vivem com HIV, transplantados, pacientes oncológicos ou em tratamento com medicamentos imunossupressores, além de vítimas de violência sexual e pessoas com papilomatose respiratória recorrente. A imunização protege contra os tipos de HPV associados não apenas ao câncer de colo do útero, mas também a outros tipos de câncer, como os que atingem pênis, canal anal e região da boca.

“A principal forma de combater o câncer de colo do útero é investir na prevenção. A vacina contra o HPV, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde, é uma ferramenta essencial porque protege contra os tipos de vírus mais associados ao desenvolvimento da doença. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis levem crianças e adolescentes para se vacinar, e garantam essa proteção desde cedo”, afirmou Patrícia Martins, coordenadora de Oncologia da Sespa.

Rede de atendimento – Dados do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS apontam que, em 2025, a cobertura vacinal contra o HPV alcançou 70,44% entre meninas e 58,08% entre meninos. Quando há suspeita ou confirmação da doença, os pacientes são encaminhados para acompanhamento especializado. No Pará, a rede pública conta com hospitais habilitados para atendimento oncológico adulto, incluindo o Hospital Ophir Loyola (HOL) e o Hospital Universitário João de Barros Barreto, ambos em Belém.

Outras unidades regionais também integram essa rede, como o Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém; o Hospital Regional do Sudeste do Pará, em Marabá; o Hospital Regional de Tucuruí e o Hospital Regional de Castanhal. Para o atendimento de crianças e adolescentes com câncer, os serviços especializados são realizados no Hospital Oncológico Infantil Octavio Lobo, em Belém, e também no Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém.

Dados da Sespa mostram que o Estado registrou 958 casos de câncer de colo do útero em 2023. No ano seguinte, foram contabilizados 938 casos, enquanto em 2025 foram registrados 627 casos da doença. Até meados de fevereiro de 2026 havia 14 casos registrados. Esses números reforçam a necessidade de ampliar o acesso à prevenção, aos exames de rastreamento e à vacinação.

No mês da campanha Março Lilás, iniciativa dedicada à conscientização sobre a prevenção do câncer de colo do útero, a Sespa intensifica as ações de orientação e promoção da saúde da mulher. As atividades fazem parte da programação “Por Todas Elas”, que ocorre em diversos pontos da Região Metropolitana de Belém e em municípios do interior.

As ações incluem vacinação, testagem para infecções sexualmente transmissíveis, orientações sobre prevenção do HPV e encaminhamentos para exames e consultas, além de atendimentos realizados por meio de carretas de saúde, com exames de diagnóstico e atendimento médico. Estão previstas diversas atividades itinerantes durante o mês, envolvendo órgãos do Estado, para ampliar o acesso da população aos serviços de saúde.

Texto: Caroliny Pinho – Ascom/Sespa

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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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