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Encontro na FENCOOP reforça o papel das cooperativas de reciclagem como potencial de negócios

O fortalecimento das cooperativas de reciclagem como agentes econômicos foi o principal destaque do Encontro da Reciclagem, realizado na sede do Sistema OCB/PA, em Belém, na sexta-feira (24), durante programação da FENCOOP® 2026. O evento reuniu representantes do setor, especialistas e cooperados para discutir estratégias de desenvolvimento, capacitação e acesso a novos mercados.
Durante o evento, o gerente de desenvolvimento de cooperativas do Sistema OCB/PA, Diego Andrade, enfatizou a necessidade de mudar a forma como a atividade é percebida. Segundo ele, programas de capacitação e acesso ao mercado vêm sendo implementados para tornar essas organizações mais competitivas. “A reciclagem precisa ser vista como uma atividade econômica estruturada, e não como assistencialismo. As cooperativas têm potencial real de gerar negócios, renda e oportunidades”, afirmou.
Uma das iniciativas apresentadas foi a conexão direta entre cooperativas e empresas, promovida dentro do próprio evento. A proposta também incluiu a possibilidade de direcionamento de recursos via leis de incentivo fiscal. “Essa aproximação permite apoiar projetos que gerem emprego e renda dentro das cooperativas”, explicou Andrade.
A presidente da cooperativa CONCAVES, Débora Bahia, destacou a relevância do encontro para o estado. “Este evento é um marco muito importante. O Pará é uma potência em cooperativas de reciclagem e receber representantes nacionais reforça o trabalho que já vem sendo feito”, disse. Ela também ressaltou avanços trazidos por programas recentes. “Conseguimos desenvolver iniciativas que mostram que é possível crescer dentro do cooperativismo, e o programa de negócios deu muito certo”, afirmou.
Cooperativas de coleta seletiva de várias regiões do estado, recebem com entusiasmo as temáticas discutidas do encontro, afinal, sabem do potencial que têm em mãos.
Esse é o caso de Wesley Faustino, representante da Cooperativa de Reciclagem de Marabá, a Corema, fundada no ano de 2019 por 25 famílias, atuando na reciclagem de resíduos sólidos fazendo a coleta de grande, médio e pequeno gerador. Ele ressalta que o objetivo final da reciclagem que a cooperativa faz vai além dos valores econômicos mudando a realidade na cidade.
“O objetivo final da reciclagem engloba muitos valores, tanto o ambiental, social e econômico, visando qualificar, capacitar o ser humano, o catador que estava na margem ali e transformando em um empreendedor, essa é a visão da Corema com resultado as pessoas e fazendo a economia circular” aponta Wesley. Atualmente, a cooperativa da maior cidade do sudeste paraense busca ainda o potencial energético dos resíduos, atuando em diversos bairros e núcleos.
Outro exemplo é Fernanda Lopes de Almeida, natural de Oriximiná, cidade do oeste paraense, que também atua no ramo da reciclagem desde 2007, ela trabalha com pessoas de baixa renda e vulnerabilidade social que encontraram na cooperativa de reciclagem a forma de mudança sociai, a educação ambiental e a aquisição de renda são os principais focos do negócio. A entrada e saída são consideradas normais e com um motivo bem especial.
“Na cooperativa de reciclagem há muita rotatividade. As pessoas passam meses, um ano, dois anos até encontrarem coisa melhor. A gente capacita as pessoas que estão conosco, dá formação. A cooperativa tem acesso livre a ferramenta Capacita Coop e a partir do momento que aqueles que querem se capacitar decidem se continuam com a gente ou não, os que não querem a gente indica ao mercado de trabalho via CLT. Na cooperativa, a renda média é de R$ 1400,00, e não é todos os dias que eles trabalham”, explica Fernanda.
A analista de desenvolvimento de cooperativas do sistema OCB, Luciane Fiel, apresentou detalhes do Programa de Negócios, voltado à profissionalização das cooperativas. “É um programa estruturado em módulos que abordam governança, gestão, finanças e acesso a mercado. A ideia é tornar as cooperativas mais maduras e preparadas para atuar como negócio”, explicou. Segundo ela, a adesão é voluntária e aberta a todas as cooperativas interessadas.
Fonte: OCB/PA Por Marciélen Souto
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Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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