Os gastos dos turistas também devem aumentar. A projeção para este ano é de cerca de US$ 40,6 milhões, contra US$ 38,9 milhões em 2025, um crescimento de 4,4%. Usando o dólar comercial a R$ 5,112, cotação do dia nove de setembro, o valor equivale a aproximadamente R$ 207,5 milhões. Pel o mesmo câmbio, os gastos de 2025 chegaram a R$ 198,9 milhões.
Os dados vêm de uma pesquisa feita com 1.200 turistas entre 8 e 15 de outubro de 2025, em locais próximos ao Centro Arquitetônico de Nazaré, à Basílica e à Casa de Plácido. O levantamento foi aplicado pela Universidade Federal do Pará (UFPA).
A maioria dos visitantes é mulher (52,75%) e tem entre 35 e 50 anos (35,33%). Depois aparecem as faixas de 51 a 65 anos (24,92%) e de 26 a 34 anos (21,83%). O nível de escolaridade é alto: 42,50% têm ensino superior completo e 25,67% têm pós-graduação.
As rendas mais comuns ficam entre dois e três salários mínimos (24,83%) e entre quatro e cinco salários mínimos (24,17%). O Maranhão é o estado que mais envia turistas, seguido por São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas. A pesquisa também identificou visitantes de todas as outras unidades da federação.
Como eles viajam e onde ficam
A viagem é, em boa parte, em família: 50,75% dos entrevistados vieram com parentes, 27,17% em grupo e 22,08% sozinhos. A grande maioria (86,42%) não comprou pacote turístico.
O avião foi o meio de transporte mais usado (60,67%). Carro próprio e ônibus de empresa empataram, com 12,33% cada.
Na hospedagem, a casa de parentes foi a opção mais citada (38,08%), seguida por hotéis (26,33%) e casas de amigos (15,08%). Quase seis em cada dez turistas (59,22%) ficaram em Belém entre três e sete dias. A permanência média fica em torno de sete dias.
O que eles fazem e o que elogiam
Durante a estadia, 31,17% disseram que pretendiam conhecer outras localidades. Os destinos mais citados foram Salinópolis, Mosqueiro, Marajó, Bragança e Combu. Na capital, os pontos mais lembrados são a Basílica de Nazaré, a Estação das Docas, o Ver-o-Peso, o Porto Futuro e o Mangal das Garças.
A festa tem forte poder de fidelização: 63,83% dos turistas já haviam participado do Círio antes, e 93% pretendem voltar. A principal forma de conhecer a festa é o boca a boca — amigos ou parentes responderam por 67% das respostas, bem à frente da internet e das redes sociais (10,50%) e da TV e do rádio (8,33%).
Entre os pontos positivos de Belém, os turistas destacaram a gastronomia (23,00%), a hospitalidade (19,50%), a cultura (6,42%), os pontos turísticos (6,17%) e a beleza da cidade (4,42%).
Já o que precisa melhorar, na visão deles, é o trânsito (22,17%), a limpeza urbana (12,75%), a segurança (4,75%) e o transporte (3,42%).
Na pesquisa de 2025, a alimentação foi o item que mais consumiu o orçamento dos visitantes: 38,14% dos gastos. Depois vêm hospedagem (28,62%), lembranças e souvenires (18,13%) e transporte interno (15,11%).
O gasto médio por dia foi de R$ 150,11, e o gasto médio individual, de cerca de R$ 960,11.
Segundo o Observatório do Turismo e o Dieese/PA, o impacto do Círio vai além dos dias de procissão. O evento envolve preparação, deslocamentos e consumo em vários setores, movimentando desde grandes empresas até pequenos negócios, trabalhadores autônomos e a economia popular.
Para as instituições, os resultados também apontam prioridades: melhorar trânsito, limpeza, segurança e transporte, ampliar a divulgação e estimular a visita a outros destinos paraenses são medidas que podem fazer os turistas ficarem mais tempo e espalhar melhor os ganhos do turismo pelo estado.
Fonte: G1 Pará