Fórum Varanda da Amazônia reúne mulheres que transformam a forma de pensar e construir a região
Quarta edição conecta conhecimentos tradicionais, ciência, economia e cultura nos dias 6 e 7 de outubro, em Belém
Mulheres que trabalham hoje com alguns dos principais desafios da Amazônia estarão reunidas em Belém nos dias 6 e 7 de outubro para a quarta edição do Fórum Varanda da Amazônia. Ciência, desenvolvimento, mudanças climáticas, economia e cultura entram na programação a partir de experiências que combinam conhecimento produzido no território, atuação profissional e diferentes perspectivas sobre os caminhos da região.
Criado por Fafá de Belém, o Fórum terá como tema “Amazônia: Substantivo Feminino” e parte de uma característica que atravessa a própria região. Conhecimentos transmitidos entre gerações convivem com pesquisa científica, novas cadeias produtivas, inovação e uma produção cultural que influencia a maneira como o Brasil enxerga o Norte. Durante dois dias, o encontro vai aproximar mulheres que atuam diretamente nessas frentes e discutir o que acontece quando essas experiências deixam de ser tratadas separadamente.
“A Amazônia passou tempo demais sendo explicada por quem olha de fora. Queremos reunir mulheres que conhecem essa região por caminhos muito diferentes e colocar essas experiências em circulação. Estamos falando de conhecimento, economia, cultura, ciência e de quem está construindo tudo isso a partir daqui. São mulheres que não aparecem apenas como personagens da Amazônia. São autoras dessa história”, afirma Fafá de Belém.
Conhecimento que atravessa gerações
A relação entre conhecimento, território e futuro percorre parte importante da programação. Adriana Ramos, secretária-executiva do Instituto Socioambiental e integrante da coordenação do Observatório do Clima, leva ao Fórum mais de duas décadas de atuação em discussões sobre conservação, políticas públicas e direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais.
O debate ganha outras perspectivas com Ellen de Nazaré Souza Gomes, cientista e professora da Universidade Federal do Pará, Érica Monteiro, da Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará, a Malungu, e Dayanne, da AME. São trajetórias que aproximam a produção científica dos conhecimentos construídos nos territórios e das experiências de comunidades que convivem diretamente com as transformações ambientais da região.
Essa relação ganhou ainda mais peso diante da emergência climática. Parte do conhecimento necessário para compreender a Amazônia é produzida nos centros de pesquisa, mas também está na experiência acumulada por populações que conhecem os ciclos da floresta, manejam seus recursos e desenvolveram formas próprias de relação com o território.
O Fórum aproxima essas perspectivas sem colocá-las em campos opostos. A programação busca discutir o que esse encontro pode oferecer para problemas atuais, da conservação às mudanças climáticas, e como conhecimentos produzidos na própria região podem participar das respostas construídas para ela.
Da biodiversidade à economia
O debate sobre desenvolvimento aparece na programação por diferentes caminhos. A biodiversidade abre possibilidades para novos produtos, negócios e cadeias produtivas, ao mesmo tempo em que mudanças climáticas e conservação impõem questões cada vez mais concretas sobre o futuro econômico da região.
Renata Faber, diretora de ESG da Exame, será uma das mediadoras do Fórum. Em um dos painéis, conduz a conversa com Renata Nobre, secretária-adjunta de Gestão de Águas e Clima do Pará, sobre os impactos da agenda climática no território e os caminhos para responder a transformações que já afetam a Amazônia.
Em outro momento da programação, Camille Bendahan Bemerguy, secretária-adjunta de Bioeconomia do Pará, leva o debate para as possibilidades econômicas abertas pela biodiversidade e para a construção de cadeias produtivas associadas à floresta. São discussões distintas, mas atravessadas por uma questão comum sobre como transformar recursos e conhecimento em desenvolvimento, renda e oportunidades que permaneçam também na região.
“Pensar o futuro econômico da Amazônia exige olhar ao mesmo tempo para a floresta, para quem vive dela e para as condições necessárias para que conhecimento e riqueza permaneçam também na região”, destaca Fafá de Belém.
A Amazônia contada a partir do território
A forma como a região é apresentada ao restante do país também integra a programação. A jornalista paraense Ísis Drumond leva ao Fórum a experiência de uma carreira construída a partir do próprio território e participa das discussões sobre cultura, identidade e representação.
O tema atravessa uma questão maior desta edição. Ciência, economia, conhecimentos tradicionais e cultura também dependem de quais histórias ganham circulação e de quem ocupa o lugar de narrá-las. Em uma região frequentemente apresentada a partir da floresta, das crises ambientais ou de imagens construídas de fora, o Fórum abre espaço para perspectivas produzidas por quem conhece e vive a complexidade amazônica.
Da Varanda de Nazaré ao Fórum criado em 2023
O Fórum nasceu em 2023 como um desdobramento da trajetória da Varanda de Nazaré, criada por Fafá em 2010 durante o Círio de Belém. A proposta ampliou para um espaço de discussão questões que já atravessavam a experiência da Varanda, como cultura, identidade, território e desenvolvimento.
Em 16 anos, a Varanda ampliou a programação cultural e a rede profissional mobilizada em torno de uma das maiores manifestações religiosas do país. Hoje, envolve mais de 1.500 profissionais por ano, entre produção, técnica, logística, alimentação, transporte, hospitalidade, comunicação, cultura e economia criativa.
Essa experiência também ajuda a colocar em prática uma das discussões que atravessam a quarta edição. Tradição, cultura e conhecimento movimentam cadeias produtivas, formam profissionais e geram renda. Na Amazônia, essas dimensões convivem com inovação e novas possibilidades de desenvolvimento sem precisar romper com aquilo que foi construído no território.
Nos dias 6 e 7 de outubro, o Fórum volta a reunir essas diferentes experiências em Belém para discutir uma região que preserva conhecimentos construídos ao longo de gerações enquanto produz respostas para questões cada vez mais contemporâneas.
Este ano, a Varanda de Nazaré 2026 conta com patrocínio e apoio de Vale, Magalu, Cerpa e Oncológica. O IV Fórum Varanda da Amazônia tem patrocínio e apoio da Caixa Cultural, Cerpa, Oncológica e Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA).
Serviço
Fórum Varanda da Amazônia 2026
Tema: “Amazônia: Substantivo Feminino”
6 de outubro: a partir das 17h30
7 de outubro: a partir das 10h
Local: Mercedários, Boulevard Castilhos França, s/n, Campina, Belém
Fonte: Assessoria
Por: Jeferson Hoenisch






