Saúde

Da orientação à ação: como a Zoonoses protege a população

Prefeitura garante vacinação, monitoramento de doenças e ações educativas, que fazem parte do trabalho da Unidade de Vigilância de Zoonoses para prevenir riscos e orientar moradores de Belém.

Quando o assunto é saúde pública, prevenir significa agir antes que um problema chegue à população. Em Belém, esse trabalho também passa pela Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), que atua no acompanhamento de doenças que podem circular entre animais e seres humanos e leva orientações diretamente aos moradores.

A rotina envolve investigação de situações de risco, orientação à população, acompanhamento de animais, coleta de amostras para diagnóstico e ações de educação em saúde. O trabalho acontece tanto na unidade quanto em diferentes pontos da cidade, aproximando a prevenção do cotidiano dos moradores.

Com o animal sobre a mesa de atendimento, a equipe acompanha os procedimentos e orienta os responsáveis sobre os cuidados necessários após a avaliação. Crédito: Jonas Vila

Um trabalho que começa pela prevenção

A atuação da Zoonoses está diretamente ligada à proteção da saúde humana. Por meio do acompanhamento de situações relacionadas aos animais e ao ambiente, as equipes trabalham para identificar riscos, orientar a população e contribuir para evitar a circulação de doenças.

“A zoonose é aquela veia da saúde humana que permeia os animais. Então, quando a gente trabalha com zoonoses, a gente está trabalhando diretamente com a saúde das pessoas, usando o animal como uma das formas de identificar, acompanhar e prevenir determinadas doenças”, explica Adriano Mozart, médico-veterinário da UVZ.

Adriano Mozart Dantas Nery, médico-veterinário da UVZ, reforça que o serviço está disponível para os moradores. “Uma pessoa bem orientada consegue se proteger de várias coisas.” Crédito: Jonas Vila

Entre as situações acompanhadas estão doenças como raiva, leptospirose, esporotricose e leishmaniose. O trabalho envolve identificação, monitoramento e orientação para que a população saiba reconhecer situações de atenção e adote medidas de prevenção.

“O nosso intuito é prevenir o casos de raiva, de leptospirose, de esporotricose, de leishmaniose… A gente trabalha justamente para identificar essas situações, orientar a população e evitar que o problema avance. Por isso, a informação é tão importante dentro desse processo”, destaca Adriano.

Informação que chega aonde as pessoas estão

A prevenção também acontece fora da unidade, diretamente nos espaços aonde a população circula. Durante a ação Verão Livre de Zoonoses, realizada em diferentes pontos de Belém, a equipe da Sesma orientou cerca de 4 mil pessoas sobre cuidados para prevenir zoonoses, distribuiu 2,5 mil materiais educativos e aplicou 258 doses de vacina antirrábica em cães e gatos.

A iniciativa passou por Icoaraci, Outeiro, Mosqueiro e Cotijuba, aproximando as orientações de moradores e visitantes.

A educação em saúde também é direcionada a situações específicas que fazem parte da rotina da população. Nas praias, por exemplo, equipes da Sesma realizaram uma ação educativa que alcançou cerca de 5 mil pessoas com orientações sobre como evitar acidentes envolvendo arraias.

Para Adriano, a informação é uma ferramenta essencial nesse processo, porque permite que o próprio cidadão compreenda os riscos e saiba como agir.

“Eu penso que uma pessoa bem orientada consegue se proteger de várias coisas. O foco da prevenção é justamente a educação: a gente educa, ensina o que é, como é e como se precaver. Quando a pessoa entende o que está acontecendo, ela consegue tomar uma decisão melhor e também ajudar a evitar que aquela situação se transforme em um problema maior”, informa.

Vacinação como parte da prevenção

Entre as estratégias de prevenção está a vacinação de cães e gatos contra a raiva. Em julho, a Sesma reforçou esse trabalho com uma ação de imunização para ampliar o acesso à vacina e orientar tutores sobre a importância de manter os animais protegidos.

Os dados da UVZ mostram que, em 2025, foram vacinados 57.954 animais contra a raiva em Belém, sendo 32.496 cães e 25.458 gatos. Entre janeiro e agosto de 2026, foram registradas 12.684 doses aplicadas, com 6.315 cães e 6.369 gatos imunizados.

A imunização integra as medidas de prevenção adotadas pela rede de saúde para reduzir riscos relacionados à circulação do vírus da raiva e reforçar os cuidados que devem ser mantidos pelos responsáveis pelos animais.

Quando o serviço chega a quem cuida dos animais

Esse trabalho também é percebido por quem procura a unidade para cuidar de animais em situação de rua. É o caso de Melrilene Rocha, de 45 anos, que há cerca de três anos utiliza os serviços da Zoonoses e já levou mais de 50 animais para atendimento.

Ela conta que costuma resgatar gatos, utilizando caixas, armadilhas e outros equipamentos para conseguir retirar os animais das ruas e buscar atendimento. Na região onde mora, começou priorizando as fêmeas e, depois de atender os animais de diferentes pontos próximos, passou a buscar também o atendimento dos machos.

“É muito bom a gente ter uma assistência assim para os animais e poder contar com esse acompanhamento por aqui. Isso melhora muito para a população, porque a gente se sente mais amparado e sabe que os animais também estão recebendo os cuidados que precisam”, conta Melrilene.

Melrilene Rocha da Silva Nogueira, 45 anos, vendedora de pizza, cuida de animais em situação de rua e recorre aos serviços da Zoonoses. “Eu priorizei primeiro as fêmeas, porque eram as que mais estavam tendo filhotes.” Crédito: Jonas Vila

A experiência da cuidadora mostra como o serviço público também pode apoiar moradores que assumem, por iniciativa própria, o cuidado de animais abandonados. Para além do atendimento, a orientação oferecida pela unidade ajuda a direcionar essas ações e a ampliar o acesso aos cuidados veterinários disponíveis.

Monitoramento que ajuda a prevenir

Outra frente importante do trabalho da Zoonoses é o monitoramento de animais que podem participar da circulação de agentes causadores de doenças. É o caso dos morcegos, acompanhados pelas equipes por meio de ações de captura, análise e vigilância.

Em 2025, a equipe realizou 13 saídas de campo e encaminhou 35 amostras ao Instituto Evandro Chagas (IEC). Entre janeiro e agosto de 2026, foram 14 saídas e 53 amostras encaminhadas. A atividade integra o trabalho de monitoramento de morcegos para prevenir a circulação do vírus da raiva.

Além das atividades de campo, a unidade recebe solicitações para recolher morcegos encontrados mortos em áreas urbanas. Foram 34 amostras provenientes desse tipo de atendimento em 2025 e 57 até agosto de 2026. O acompanhamento permite reunir informações importantes para a vigilância em saúde e identificar situações que precisam de atenção.

A vigilância também acompanha casos suspeitos de esporotricose em gatos. A doença, causada por um fungo, pode afetar animais e seres humanos. A UVZ registrou 1.553 atendimentos relacionados à suspeita da doença em 2025 e 1.202 entre janeiro e agosto de 2026.

Na ilha de Cotijuba, o monitoramento da leishmaniose visceral canina também faz parte das atividades da equipe. Em 2025, foram realizadas 25 viagens de monitoramento e coletadas 191 amostras. Entre janeiro e agosto de 2026, foram 26 viagens e 101 amostras coletadas. O trabalho inclui ações em parceria com o Instituto Evandro Chagas, como a utilização de coleiras em cães acompanhados.

Controle de roedores e atendimento à população

O controle de roedores é outra medida importante para reduzir riscos sanitários, especialmente em locais onde há registros de leptospirose ou condições que favorecem a presença desses animais.

Em 2025, a UVZ realizou 365 ações de desratização. Até agosto de 2026, foram registradas 195 ações. As atividades incluem intervenções em áreas relacionadas a focos de leptospirose, feiras, mercados e vias públicas.

A unidade também mantém o atendimento a solicitações da população relacionadas a animais e situações de interesse da vigilância. Foram registrados 375 formulários de atendimento em 2025 e 300 entre janeiro e agosto de 2026.

Entre as demandas estão ocorrências envolvendo cães, gatos, morcegos, pombos, caracóis, animais peçonhentos e outros animais. O registro dessas solicitações contribui para identificar situações que exigem acompanhamento e direcionar as equipes.

Quando a informação vira caminho

A busca pelo serviço também começa, muitas vezes, pela necessidade de encontrar orientação. Jaqueline, de 36 anos, conheceu a Zoonoses pela internet, quando procurou um contato para conseguir atendimento para dois gatos que estavam em situação delicada.

Ela lembra que já tinha ouvido falar do serviço por meio do próprio pai, que costumava encontrar animais nas ruas e procurar a Zoonoses. Ao buscar atendimento, recebeu orientação e acompanhou os procedimentos realizados pelos profissionais.

“É muito bom a gente ter uma assistência assim para os animais, porque muitos animais nascem e ficam por aí. Dependendo da gente, não vamos deixar um gatinho abandonado na rua”, relata Jaqueline.

Jaqueline, 36 anos, procurou a Zoonoses para buscar atendimento para dois gatos em situação delicada. Crédito: Jonas Vila

A história reforça o papel da informação como porta de entrada para o serviço público. Saber onde procurar atendimento pode fazer diferença para quem encontra um animal em situação de risco e não sabe como agir.

Um serviço presente na cidade

Além das ações realizadas em diferentes pontos de Belém, a UVZ mantém atendimento para orientar moradores que tenham situações relacionadas às zoonoses.

“A gente está disponível inclusive sábado, domingo e feriados. É portas abertas para que a população possa buscar orientação quando tiver uma situação relacionada às zoonoses”, explica Adriano.

Em Belém, o trabalho da Zoonoses se constrói a partir de diferentes frentes: informação, vacinação, monitoramento, acompanhamento e presença nos espaços onde a população está. A prevenção, nesse sentido, deixa de ser apenas uma orientação e passa a fazer parte da rotina de cuidado com a saúde pública.

Informações e serviços

Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ)

Localização: Rod augusto Montenegro km 11
WhatsApp: (91) 98588-3608
Telefone: (91) 98588-3487
Segunda a sexta: 8h às 12h e 13h às 16h
Fins de semana e feriados: plantão das 7h às 17h

Fonte: Agência Belém

Por: Patrícia Madrini

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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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