Mestres ribeirinhos criam coleção de moda inspirada no Círio
Camisas levam para as ruas palavras e expressões da cultura paraense desenhadas com os traços das embarcações amazônicas. A renda das vendas é destinada aos mestres ribeirinhos e contribui para fortalecer o ofício tradicional.
Mestres abridores de letras transformaram seus traços em estampas de uma coleção criada especialmente para o Círio de Nazaré 2026. As camisas podem ser encontradas no Canto das Letras, no bairro do Reduto, em Belém, e também online, no site do Instituto Letras que Flutuam. A renda das vendas é destinada aos próprios mestres.
Entre as estampas estão palavras e expressões ligadas ao vocabulário, à cultura e a lugares da região, como “Mana”, “Amazônia”, “Círio”, “Marajó”, “Ribeirinha”, “Caboco”, “Curumim”, “Açaí”, “Égua”, “Pavulagem”, “Belém” e “Nazinha”.
As palavras ganham cores, formas e ornamentos característicos do trabalho dos abridores de letras, artistas responsáveis pelas pinturas que tradicionalmente identificam embarcações nos rios da região.
“O Círio é um espetáculo da cultura popular que reúne muitos sotaques: vem gente do mundo todo. E é uma celebração do povo paraense, com a cara dessa fé cabocla, com essa estética amazônica. Uma arena onde diversas manifestações da cultura regional também se encontram, como a grafia dos abridores de letras, os brinquedos de miriti, e tantas outras linguagens que derivam da tradição ribeirinha”, afirma Fernanda Martins, fundadora do Instituto Letras que Flutuam.
Dos barcos para as camisas
Os abridores de letras são mestres responsáveis por uma tradição visual presente nas embarcações amazônicas. Letras ornamentadas, combinações de cores e desenhos próprios formam uma linguagem gráfica transmitida entre gerações e presente na paisagem dos rios.
Na coleção de Círio deste ano, os mestres levaram características dos próprios trabalhos para as peças. Palavras conhecidas do cotidiano paraense e referências a lugares, costumes e à própria festividade aparecem interpretadas a partir dos traços dos abridores de letras.
A comercialização das peças também é uma forma de gerar renda para os artistas e contribuir para a continuidade do ofício. A renda obtida com as vendas é destinada aos mestres ribeirinhos associados ao Instituto.
“São produtos que se tornam uma ótima oportunidade para valorizar a cultura tradicional em prol dos detentores desse saber, que são os mestres ribeirinhos. É uma maneira da gente incluí-los no mercado da moda, gerando renda e reconhecimento”, afirma Fernanda.
Criado em 2024, o Instituto Letras que Flutuam é o primeiro do país dedicado à cultura gráfica ribeirinha, com atuação voltada ao mapeamento, formação e geração de renda para esses artistas.
Além das camisas da coleção de Círio, o Canto das Letras reúne produtos desenvolvidos em parceria com mestres ribeirinhos, como ecobags, cadernetas, adesivos, letras impressas e placas decorativas pintadas à mão.
Serviço
Coleção Círio 2026 – Instituto Letras que Flutuam
Canto das Letras: Travessa Rui Barbosa, 257, sala 3, Vila Prana, bairro Reduto, Belém
Horário durante o Círio: De segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
Vendas: pelo site https://www.useletrasqflutuam.
Fonte: Assessoria
Por: Gil Sóter






