Microfone aberto transforma público em protagonista no Sarau Tecer o Rio
Terceira edição do encontro no Centro Cultural Banco da Amazônia reuniu música e poesia e abriu espaço para novas vozes compartilharem seus textos
A amizade entre Rosangela Rocha e Cléia Freire começou na fila do Theatro da Paz, em Belém, há pouco mais de um ano. Desde então, reuniram outras amigas em um grupo online e passaram a compartilhar a programação cultural da cidade e a combinar novos encontros. Na quarta-feira, 14, foram juntas ao Centro Cultural Banco da Amazônia para a terceira edição do Sarau Tecer o Rio. Mas, dessa vez, Rosangela teve um motivo a mais para estar ali: aproveitar o momento Microfone Aberto e declamar seus poemas diante do público.
Economista aposentada, Rosangela já havia participado de encontros literários em Portugal. Em Belém, porém, o Tecer o Rio foi sua primeira experiência em um sarau. “Esse evento tem uma importância muito grande porque já tem poetas conhecidos do público, mas tem muita gente que escreve e não tem essa oportunidade. Então, é um evento que dá espaço também para outras vozes. Eu fiquei um pouco nervosa, mas declamei”, contou, ao lado da amiga, orgulhosa. “Foi lindo ver minha amiga declamando, mesmo nervosa, ela conseguiu. E a participação dos outros também foi fantástica. Voltarei outras vezes”, garantiu Cléia.
A participação de Rosângela traduz a proposta que vem ganhando força a cada edição do Tecer o Rio. Conduzido pela jornalista e escritora Carmen Palheta, o encontro reúne artistas de diferentes linguagens, mas também abre espaço para que o público deixe de ser apenas espectador. No Microfone Aberto, a palavra circula para além das apresentações previstas e chega a qualquer pessoa que tenha um poema para ser compartilhado.
“A cada sarau, a gente tenta fazer uma estrutura que seja mais aberta ao coletivo, para aquelas pessoas que possuem uma poesia, um texto literário, algo para compartilhar, mas que às vezes não encontram espaço para isso”, explica Carmen. Ela ressalta que a proposta é encorajar essas vozes e fazer do encontro um lugar de partilha, em que a experiência de ouvir também pode despertar a vontade de se expressar.
Essa troca entre convidados e público esteve presente em toda a programação da noite, que reuniu o Quinteto Caxangá, grupo de música instrumental brasileira, e os artistas Helena Ressoa, Antônio Juraci Siqueira, Jeová Barros e Roseli Sousa. Para Camila Alves, integrante do Quinteto Caxangá, a experiência a fez sair da rotina de apresentações musicais e estabelecer contato com outras expressões artísticas. Além de tocar, ela tomou coragem para também declamar.
“Eu acho que o Sarau é um momento importante para a gente se enxergar, entender os trabalhos dos outros e fazer com que isso também se some ao nosso. É uma soma de forças, de energias. E aqui não é só o show de um grupo. São muitas energias juntas”, afirmou Camila, destacando que a vivência despertou nela a vontade de retomar a escrita, atividade que cultivava na adolescência.
A escritora Rita Melém, integrante da Academia de Letras de Belém e da biblioteca comunitária itinerante BombomLer, também participou do Microfone Aberto. Para ela, a iniciativa amplia as possibilidades de encontro entre quem já tem trajetória literária e quem está começando a mostrar seus textos. “A palavra é uma possibilidade de encontro, de acolhimento. Este sarau tem sido isso, tem acolhido as escritoras e os escritores paraenses nesse momento de partilha da palavra poética”, destacou.
O coordenador do Centro Cultural Banco da Amazônia, Geraldo Monteiro, explica que unir diferentes manifestações artísticas é parte fundamental não apenas do Sarau, como das demais atividades do espaço, sempre gratuitas. “Este é um espaço democrático, de valorização da cultura e o objetivo é justamente ser um espaço aberto para todos nós”, concluiu.
Sobre o Centro Cultural – O Centro Cultural Banco da Amazônia é um importante espaço de fomento à arte e à cultura na região amazônica. Localizado no coração de Belém – Av. Presidente Vargas nº 800 -, o espaço promove exposições, mostras e eventos gratuitos, reforçando o compromisso da instituição com a democratização do acesso à cultura e a valorização dos talentos locais e nacionais.
SERVIÇO
Centro Cultural Banco da Amazônia
Endereço: Avenida Presidente Vargas, 800, Campina, Belém
Exposições em cartaz
- Burle Marx – Expedição Amazônia;
- Floresta Encantada (até 18 de outubro);
- Fluxos, de Miguel Chikaoka (a partir de 29 de outubro).
Entrada: gratuita
Visitação: terça a sexta, das 10h às 16h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.
Fonte: FSB Comunicação
Por: Ana Danin






