Belém receberá, nos dias 9 e 10 de novembro, a psicóloga paraense Ivy Daure, referência internacional em terapia sistêmica e psicologia intercultural. Doutora, com mais de 25 anos de experiência clínica na França, 14 livros e mais de 80 artigos científicos publicados, ela retorna à cidade natal para dois dias de atualização profissional, vivências e intercâmbio de conhecimentos.
Professora nas universidades francesas de Bordeaux, Toulouse e Paris, Ivy construiu carreira internacional, participando de conferências e atividades acadêmicas na França, Bélgica, Luxemburgo, Itália, Suíça e Canadá.
Sua especialidade, a terapia sistêmica, compreende o indivíduo como parte de uma rede de relações familiares, sociais, culturais e afetivas.
CIÊNCIA E EXPERIÊNCIA
A programação abordará relações conjugais, recomposição familiar, parentalidade, multiculturalismo e impactos das migrações nos vínculos humanos, combinando teoria, vivências, simulações clínicas (role play) e troca de experiências.
Entre os destaques está o lançamento de um autoteste de estilos de parentalidade, desenvolvido por Ivy em parceria com a psicóloga Catherine Vasselier-Novelli e financiamento de organismo público francês. O instrumento auxilia profissionais e famílias a compreender os efeitos dos conflitos parentais sobre o desenvolvimento emocional e o bem-estar dos filhos, especialmente nas separações.
Também será apresentado o livro Famílias Multiculturais: A Terapia Sistêmica Intercultural, uma Leitura Clínica Atual, lançado no Brasil pela Editora Artesã em janeiro de 2026. A obra examina migrações, relações familiares, transmissão de valores entre gerações, casamentos multiculturais e os desafios emocionais de quem parte e de quem permanece.
REENCONTRO COM AS RAÍZES
O retorno tem significado especial. Foi em Belém, durante sua formação, que Ivy conheceu a obra do renomado terapeuta familiar Maurizio Andolfi, descobrindo a abordagem que transformaria sua trajetória profissional.
Mais de três décadas depois de deixar a capital paraense para aprofundar seus estudos, ela retorna determinada a fortalecer o pensamento sistêmico na Amazônia, campo que, segundo avalia, perdeu espaço na formação acadêmica local.
Seu objetivo é estimular novas iniciativas de ensino, pesquisa e atendimento clínico, ampliando a compreensão das relações humanas e dos conflitos familiares.
“Quero replantar a semente, reativar os recursos e reacender a chama”, resume.
A iniciativa conta com apoio da Associação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef), Editora Artesã e Unama, além da colaboração de professores e profissionais paraenses.
Voltado a psicólogos, terapeutas, professores, estudantes e interessados nas relações humanas, o encontro promete marcar a retomada do debate sobre terapia sistêmica no Pará.
Afinal, não é todos os dias que Belém recebe uma especialista com tamanha produção científica, experiência internacional e disposição para compartilhar décadas de conhecimento. Diante dessa oportunidade, o auditório da Unama corre sério risco de ficar pequeno.
Fonte: Assessoria
Por: José Croelhas






