Mamografia aos 40 anos reacende debate sobre diagnóstico do câncer de mama em mulheres jovens
Com previsão de 1.320 novos casos da doença por ano no Pará, mudanças nas orientações para realização do exame reforçam a importância do acesso à saúde, especialmente para mulheres jovens e moradoras do interior do estado
O câncer de mama deve atingir cerca de 78,6 mil mulheres por ano no Brasil entre 2026 e 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). No Pará, a previsão é de 1.320 novos casos anuais, sendo 520 somente em Belém. Os números ganham destaque durante o Outubro Rosa e reforçam a importância de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, especialmente no estado onde as grandes distâncias geográficas e as dificuldades de deslocamento ainda representam desafios para quem precisa de atendimento especializado.
Uma das principais discussões deste ano envolve a realização da mamografia a partir dos 40 anos. Com a atualização das orientações do Ministério da Saúde, mulheres entre 40 e 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas suspeitos, podem ter acesso ao exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante orientação profissional e decisão compartilhada sobre seus benefícios e riscos. A recomendação de rastreamento populacional a cada dois anos permanece direcionada às mulheres de 50 a 74 anos.
Segundo a especialista, “o cuidado especializado deve ser oferecido às mulheres com alterações nas mamas ou nos exames de imagem. A partir dessa avaliação, o profissional pode orientar sobre a periodicidade dos exames, considerando o risco individual, o histórico familiar e outros fatores de risco, como o tabagismo. Além disso, hábitos de vida saudável contribuem para reduzir o risco da doença, como a prática regular de atividade física”, explica Patrícia Penido, ginecologista e obstetra da pós-graduação da Afya Educação Médica Belém.
A mamografia é um dos principais métodos de identificação de alterações mamárias antes mesmo do aparecimento de sintomas. Sinais suspeitos, como nódulos persistentes, alterações na pele ou secreção espontânea pelo mamilo, precisa de investigação médica independentemente da idade recomendada para o rastreamento.
Quando o câncer de mama em mulheres jovens exige atenção
Apesar de a maior parte dos diagnósticos ocorrer em mulheres acima dos 50 anos, o câncer de mama também pode surgir antes dos 40, fase em que muitas mulheres ainda não realizam mamografias de rotina. Nesses casos, reconhecer alterações no corpo e procurar atendimento médico são medidas fundamentais para evitar atrasos na investigação.
“O rastreamento mamográfico anual a partir dos 40 anos, pode ter indicação precocemente em mulheres com histórico familiar da doença, especialmente quando há casos em parentes de primeiro grau, como mãe ou irmãs.”, destaca a especialista. A ginecologista alerta ainda, que nódulos benignos são mais comuns nesse período de idade, portanto, os exames também são direcionados para tranquilizar e realizar o acompanhamento adequado diante de cada caso, ressalta.
Diagnósticos precoces contribuem para tratamentos menos agressivos e maiores possibilidades de controle da doença. A atenção à saúde das mamas deve fazer parte da rotina feminina em todas as fases da vida, e não apenas durante o mês de outubro.
Os desafios de tratamentos na Amazônia
No Pará, as particularidades geográficas acrescentam dificuldades à jornada das pacientes. Em municípios distantes dos grandes centros urbanos, a necessidade de deslocamentos rodoviários e fluviais pode tornar mais complexo o acesso a consultas, exames complementares, biópsias e tratamentos especializados.
Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), em outubro de 2026, apontam que a rede estadual conta com 108 mamógrafos, 18 serviços de diagnóstico e oito hospitais de referência para tratamento oncológico. Entre abril de 2025 e outubro de 2026, as ações itinerantes de saúde possibilitaram a realização de mais de 9,2 mil mamografias em diferentes regiões paraenses.
Apesar da ampliação da assistência, garantir que uma alteração suspeita seja investigada rapidamente e que a paciente tenha continuidade no tratamento permanece como um desafio importante, sobretudo para quem vive em localidades mais afastadas.
“Ao notar qualquer alteração nas mamas ou axilas, principalmente nódulos fixos ou endurecidos, crescimento progressivo, mudanças na pele como retrações da pele ou mamilos, saída de secreções espontâneas, sinais de inflamação nas mamas como vermelhidão, deve-se buscar atendimento de especialistas em ginecologia ou mastologia”, destaca a professora e ginecologista da Afya Belém.
O tratamento do câncer de mama pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo, dependendo das características do tumor e do estágio da doença. Para pacientes que precisam percorrer longas distâncias, a frequência das consultas e sessões pode representar uma dificuldade adicional, com impactos na rotina familiar, profissional e financeira.
Nesse cenário, fortalecer a rede de atenção à saúde, ampliar o acesso aos exames e assegurar encaminhamento oportuno aos serviços especializados são medidas fundamentais para reduzir desigualdades e melhorar a assistência oncológica na Amazônia.
Fonte: Assessoria por Tamiris Balieiro






