Obesidade: Dra. Avany Palmeira Pereira, respeitada endocrinologista paraense, fala sobre obesidade. Quando uma pessoa é considerada obesa?. Leia o que ela diz
Nossa reportagem conversou com a Dra. Avany Martins Palmeira Pereira, endocrinologista muito respeitada e muito prestigiada em nosso Estado e em nossa Região.
Dra. Avany fala sobre importantes assuntos na área de saúde, em especial, sobre obesidade.
Leia, na íntegra, a entrevista com a Dra. Avany Martins Palmeira Pereira, Endocrinologista formada pela Universidade Estadual do Pará, Residência médica pela Santa Casa de Misericórdia do Pará e Especialização em Endocrinologia pelo Hospital Federal da Lagoa-RJ.

Dra. Avany estará em São Paulo, nesta semana, participando de mais um congresso voltado para o seu segmento de atuação. Leia, atentamente, o que diz a endocrinologista, em sua entrevista.

Foto: Allan Bruno
1. Em sua entrevista para este portal você falou sobre pandemia da obesidade.
O que você quis dizer ?
R-A pandemia da obesidade refere-se ao aumento global significativo das taxas de obesidade em todo o mundo. Isso é uma preocupação séria de saúde pública, pois a obesidade está associada a várias doenças crônicas, como diabetes tipo 2, doenças cardíacas e certos tipos de câncer. Fatores como dieta inadequada, falta de atividade física e mudanças nos padrões de estilo de vida contribuíram para essa epidemia. O combate à pandemia da obesidade requer esforços de saúde pública, educação sobre nutrição e promoção de hábitos de vida saudáveis.
2. O que é a obesidade ?
R- Pela definição da Organização Mundial da Saúde, obesidade é o excesso de gordura corporal, em quantidade que determine prejuízos à saúde. Uma pessoa é considerada obesa quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual a 30 kg/m2 e a faixa de peso normal varia entre 18,5 e 24,9 kg/m2.
Sabemos que esse cálculo do IMC é utilizado pela facilidade de realizá-lo , porém existem condições em que o indivíduo com IMC considerado normal, apresenta sua constituição corpórea com baixa massa muscular e alto índice de gordura . Um exemplo é aquele biótipo de braços e pernas finos, porém com circunferência abdominal aumentada. Esse indivíduo , que armazena gordura nas vísceras ,tem alto risco de desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares, mesmo com IMC normal.
3- Quais os riscos da obesidade?
R- * Doenças cardíacas: A obesidade aumenta o risco de doenças cardíacas, como hipertensão, doença coronariana e acidente vascular cerebral (AVC).
* Diabetes tipo 2: A obesidade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2.
* Apneia do sono: Pessoas obesas têm maior probabilidade de desenvolver apneia do sono, o que pode levar à fadiga e problemas de saúde a longo prazo.
* Doenças respiratórias: A obesidade pode causar problemas respiratórios, como síndrome de hipoventilação da obesidade e asma.
* Problemas articulares: O excesso de peso coloca pressão adicional nas articulações, aumentando o risco de osteoartrite e dor crônica.
* Câncer: A obesidade está associada a um maior risco de desenvolver vários tipos de câncer, incluindo câncer de mama, cólon e próstata.
* Problemas de saúde mental: A obesidade pode contribuir para problemas de saúde mental, como depressão e baixa autoestima.
* Problemas no fígado: A esteatose hepática não alcoólica (fígado gorduroso) é mais comum em pessoas obesas e pode levar a problemas hepáticos mais graves.
* Redução da expectativa de vida: Em geral, a obesidade está associada a uma menor expectativa de vida devido aos riscos aumentados de várias doenças graves.
4- Quando uma pessoa é considerada obesa?
A OMS preconiza o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) , utilizando a seguinte fórmula:
IMC = Peso (kg) / (Altura (m) * Altura (m))
* Primeiro, você precisa saber seu peso em quilogramas (kg).
* Em seguida, meça sua altura em metros (m).
* Finalmente, aplique a fórmula, dividindo o peso pela altura ao quadrado (altura * altura)
* IMC menor que 18,5: Abaixo do peso.
* IMC entre 18,5 e 24,9: Peso normal.
* IMC entre 25 e 29,9: Sobrepeso.
* IMC entre 30 e 34,9: Obesidade Grau 1 (leve).
* IMC entre 35 e 39,9: Obesidade Grau 2 (moderada).
* IMC maior que 40: Obesidade Grau 3 (grave).
* Lembrando que existe falha por este método para os músculo, que daria um falso positivo e para os que acumulam gordura abdominal com extremidades finas, que daria um falso negativo. Nesse caso a inbioimpedância ajuda.
* 5- Açúcar ou adoçante? O que faz mal à saúde?
R -Bem, essa pergunta dá muita discussão.
Isso porque existe a orientação de que as pessoas adocem menos, utilizem menos açúcar e adoçante, pois alguns estudos questionam a segurança do adoçante em doses muito elevadas , assim como benefícios a longo prazo na redução da gordura corporal.
A verdade é que para emagrecer você precisa ingerir menos calorias do que gastar e os adoçantes podem auxiliar, porem não emagrecem por si só. Precisa de uma dieta equilibrada e maior gasto energético com atividades.
Quanto a segurança essas substâncias são liberadas pelo FDA e a pela ANVISA , pois não existem evidências científicas que condenam os adoçantes em doses coerentes.
6- Qual a incidência no Brasil e no Pará ?
R- No Brasil temos cerca de 17% da população com obesidade,imc maior que 30kg/cm3. No entanto , mais de metade estão acima do peso ideal, imc igual ou maior 25 kg/cm3 .
No Pará, 23,5 % da população é obesa e sendo que 35 % estão acima do peso ideal.
Chama atenção o percentual de obesidade entre os jovens e crianças aumentando a cada ano.
7- Há casos em que todos os indivíduos da família são obesos?
R-Sim, inclusive é muito comum, pois se trata de uma doença com influência genética e também com influência de hábitos familiares.
Existe , de fato, pessoas que necessitam de muito mais esforço pra se manterem magra, que outros com genética de biotipo magro.
A obesidade é uma doença complexa, ainda não devidamente desvendada , mas sabemos que existe forte influência genética e que esta pode ser modificada com hábitos de vida , portanto a matemática de ganho e perda de peso não é exata e varia de individuo para indivíduos por questões ainda não esclarecidas.
O que sabemos, com muita certeza, é que hábitos alimentares saudáveis , assim como atividade física regular e continua são as melhoras armas para o combate dessa doença. Sabemos também, com respaldo científico, que por ser uma doença crônica e recidivante , o tratamento medicamentoso é muito bem vindo , encarado como um auxílio ético e respaldado para o controle da doença.
Quero ressaltar nessa entrevista que a obesidade é uma doença estigmatizada , por si só e seu tratamento medicamentoso é rebaixado erroneamente, como se fosse “ culpa do paciente portador de obesidade “ não controlar sem medicação. Portanto, cabe a médicos e profissionais da saúde, que tratam com respeito essa doença, conscientizar a população da gravidade da doença, da necessidade de tratar e incentivar o tratamento de quem precisa. Cabe a nós levar ao conhecimento público que prescrever medicação para o tratamento da obesidade é ético, que seu uso adequado não é desleixo , não é falta de força de vontade, não é preguiça.
8- O que você recomenda ?
R -Como última mensagem gostaria de além agradecer sua atenção, lhe alertar para a gravidade da obesidade, a necessidade de prevenção com bons hábitos de vida e principalmente passar a mensagem que obesidade é doença grave e que precisa ser tratada com respeito, assim como diabetes, hipertensão, depressão ou qualquer doença de caráter crônico.
Edição por Caroline Holanda, da Editoria Especial do Portal Guarany Júnior






