Cultura

Feitiços da Amazônia: Festival Jambu Live 2023 celebra diversidade cultural da Amazônia e realiza shows gratuitos com artistas paraenses

Evento acontece há 4 anos, em Belém, com o objetivo de fomentar a carreira de novos talentos da música

Pensando em uma forma de fortalecer o trabalho e carreira dos fazedores e fazedoras de cultura do estado, surge o Jambu Live: um festival que reúne a diversidade e pluralidade da Amazônia através de artistas em potencial para o mercado brasileiro.

Este ano, com o tema “Feitiços da Amazônia”, o Jambu Live tem como proposta encantar o público com o que há de melhor na cultura paraense: entre música, dança e performances, há espaço para que os artistas – em sua grande parte novos na cena local – divulguem seus trabalhos e se apresentem ao público em 3 dias seguidos de shows gratuitos. Na edição deste ano, o Festival terá a sua locação no Memorial dos Povos, um espaço em Belém de grande importância para a história e tradição local. 

Marina Morais
Foto: Alle Peixoto

“O Jambu Live nasce em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Na época, iríamos realizar um festival presencial, que foi suspenso pela pandemia. Com a parada do setor cultural em todo o mundo, vimos os artistas em Belém sem renda e com os shows suspensos. Daí, pensamos em realizar um festival com lives para movimentar o setor e fortalecer os artistas naquele momento. Seguindo as medidas de segurança, conseguimos fazer as lives e foi um sucesso. E assim o Jambu Live foi tomando forma e no ano passado conseguimos realizar a nossa primeira edição presencial” explica Regina Lima, docente da UFPA e coordenadora do evento.

Visando incentivar uma grande variedade de ritmos, sons e gêneros, a line-up do Jambu Live 2023 traz nomes que estão despontando no cenário regional como novas descobertas da música. Do samba ao rock, das guitarradas e lambadas à música eletrônica, a programação conta com mais de 20 artistas. São eles: Pagode das Meninas, Tiffany Boo, Anna Suav, Lambada Social Club, Nirah Duarte, Aline Alves, Zara, Marina Morais, Haus of Ver-A-Queen, Eduardo Du Norte e os Tambores Encantados, Luizinho Moura, Gielly Lima, Jotta C, DJ Coytada, Boi de Máscaras Veludinho, DJ Marcio Lins, DJ Tiana, Vozes EMUFPA, Açaí Jazz e Heloiá.

“Outro ponto de grande relevância para o Jambu Live é o de abrir espaço para fazedores e fazedoras de cultura que estão fora da agenda tradicional de eventos culturais. Em muitos festivais e programações, vemos que há uma certa preferência por músicos, cantores, performers e outros que já são conhecidos pelo público e que já conseguem viver da arte. Nosso objetivo é abrir portas para aqueles que estão começando, que estão tentando conseguir seu momento de brilhar no mercado e fazer a sua carreira acontecer. E muitos desses artistas são negros, ribeirinhos, indígenas, quilombolas, LGBTI+ e da periferia. Logo, é nosso dever oportunizar chances para esses novos nomes, trazendo um caráter mais democrático e plural pro Festival”, ressalta Regina Lima.

Dentro da programação do Festival Jambu Live, um destaque é a seleção “Aposta Jambu”, uma iniciativa que visa descobrir um novo nome da música regional a partir de votação online nas redes sociais do evento. Na edição deste ano, 43 artistas solos e grupos se inscreveram e enviaram vídeos cantando para a equipe organizadora. A vencedora do concurso foi a cantora, compositora, instrumentista e professora Gielly Lima, que recebeu mais de 2 mil votos e 40 mil visualizações em seu vídeo. Devido ao sucesso grandioso da competição, o segundo colocado no ranking do Aposta Jambu, o cantor Jotta C, também foi selecionado. Como resultado, os dois artistas farão parte da line-up do Festival.

“Fiquei sabendo do Aposta Jambu por meio das redes sociais e foi meu primeiro contato com a iniciativa, que logo me chamou atenção. O primeiro passo foi decidir o que cantar. Por fim, optei por utilizar uma música minha para que os avaliadores já conhecessem meu trabalho autoral. Fiz um vídeo exclusivamente pra seleção para demonstrar que dediquei um tempo a isso e estava muito interessado em estar no evento. Na segunda fase, que era votação do público, resolvi fazer o bom e velho boca a boca. Ia rolando o feed do Instagram e encaminhando o Reels do concurso pra quem aparecesse por lá. Muitas pessoas compartilharam também e me ajudaram a conquistar essa vaga. Sou muito grato”, comenta Jotta C. 

O jovem multiartista, natural de Ananindeua, da Região Metropolitana de Belém, entrou no mundo das artes na adolescência e atualmente trabalha na cena da música, principalmente no gênero pop. Em junho de 2023, Jotta C lançou seu primeiro EP intitulado “DANÇAR COM A SOLIDÃO”, um trabalho autoral com produção assinada por Fonse e a participação da cantora Drag Queen Tiffany Boo. Ele destaca que o Jambu Live é um evento necessário para o cenário musical amazônida, visto que ainda há poucas oportunidades para os atores culturais. “Eu fiquei muito feliz. Sem contar que essa é a primeira vez que estou num line-up de um Festival. Isso é muito significativo e especial. Esse show já é um marco na minha carreira, antes mesmo dele acontecer. Só tenho gratidão a todos que tornaram essa vaga possível”, afirma. 

A cantora Tiffany Boo, um dos novos talentos do tecnobrega no Pará, revela como sua identificação com o propósito do Jambu Live foi quase que instantânea. “Quando eu vi o possível line-up desse ano, eu pensei ‘tá aí uma coisa que eu faria’. Se um dia a Tiffany estiver em um festival, é nessa pegada: com rostos novos, com pessoas que estão iniciando a carreira musical… Porque quando a gente está começando, muita gente não levanta a mão pra gente. E o que o Jambu faz com esses artistas novos, inclusive eu, é um sonho. A gente tem a oportunidade de mostrar o nosso trabalho numa plataforma muito grande e com isso estamos realizando sonhos”, comenta ela. “Pra esse show do Jambu Live, teremos um show totalmente novo. Novo setlist, novos arranjos, novos mash-ups, algo totalmente diferente. Estamos trabalhando com 3 produtores diferentes e o Festival vai ser esse palco onde vamos mostrar essas novidades pra galera”, conclui.

Mostra Amazônia Multitelas – Um dia antes da abertura oficial do Festival Jambu Live, ocorrerá a segunda edição da Mostra Amazônia Multitelas: um evento que exibirá produções audiovisuais produzidas ou pensadas para discutir a Amazônia com aprofundamento, sensibilidade e qualidade técnica. A programação contará com 5 obras, sendo 4 curtas e 1 longa-metragem:  Leona (2023), de Clara Soria e Hugo Resende; Ventre (2018), de Gaia Bê; Monteiro Lopes (2022), de Bianca D’Aquino; Mandinga (2023), de Adrianna Oliveira e Raidol; e Noites Alienígenas (2022), de Sérgio de Carvalho. Todas as produções apresentam novas visões e representações das realidades e vivências das populações da Região Norte do país, que frequentemente é minimizada na área do cinema. 

Homenagem do ano – Baseado nos princípios de valorização e divulgação da cultura paraense, o Festival Jambu Live 2023 cria também um momento para celebrar a trajetória brilhante da cantora, poetisa, compositora, sindicalista e professora Dona Onete. A artista, nascida em Cachoeira do Arari, sempre teve profunda conexão com a cultura e história do estado, em trabalhos que variavam desde a licenciatura de História e Estudos Paraenses a apresentações de carimbó, benguê e lundu.

Conhecida como a “Diva do Carimbó”, Ionete da Silveira Gama atua há décadas em busca da manutenção da música e cultura tradicional do Pará, fomentando manifestações populares, festivais e lutando pela vida dos trabalhadores da educação pública. Aos 73 anos, em 2012, Dona Onete grava e lança seu primeiro CD “Feitiço Caboclo” e ganha visibilidade não só no Brasil, mas em outros países da América e Europa. Desde então, Dona Onete leva a pluralidade sonora da Amazônia para o mundo.

Circuito Jambu Multicultural – O Festival Jambu Live é parte importante do Circuito Jambu Multicultural, projeto de extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA). Ele consiste em uma série de eventos multiculturais que visam o enriquecimento local, ampliando a visibilidade do trabalho dos fazedores e fazedoras de cultura na região amazônica e possibilitando o acesso de artistas pretos, indígenas, quilombolas, LGBTI+ e pessoas com deficiência nas agendas artísticas e culturais do estado. 

O Circuito Jambu Multicultural é financiado por emenda parlamentar do Deputado Federal Airton Faleiro, tem apoio do Na Figueredo, Lo Slow 360,  Fumbel e Prefeitura de Belém, e apoio institucional da Faculdade de Comunicação (Facom), do Instituto de Letras e Comunicação (ILC), da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa e da Pró-Reitoria de Extensão da UFPA.

Serviço 

Jambu Live 2023

Data: De 26 de novembro.

Local: Memorial dos Povos, na Av. Gov. José Malcher, 257. Bairro Nazaré.

Entrada: Gratuita.

Mais informações: @jambulive.

Fonte: Assessoria por Giullia Moreira

Anna Suav
Foto: Alex Costa
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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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