Newton Belesi, diretor da Climep, em entrevista para esse Portal externa sua opinião sobre a pandemia do Coronavírus.
- Nome Completo – Newton Belesi
Naturalidade – paraense nascido em Santa Catarina
Profissão – médico (CRM-PA 765)
Especialidade – infectologista e alergoimunologista (RQE 2483 e 5110)
Diretor da Clínica de Medicina Preventiva do Pará, CLIMEP.Dr. Newton Belesi, em entrevista para este Portal.1. Como médico qual o impacto da pandemia do Covid -19?
R – Não há na História da Humanidade registro de pandemia atingindo tão grande número de indivíduos em todo o Mundo – cerca de 8 bilhões de indivíduos – considerando a ação do vírus, o constrangimento causado pelo noticiário, o contingenciamento e consequências sociais.
2. Consegue comparar com alguma situação, desse tipo, em nossa história?
R – A pandemia de gripe (influenza) de 1918 infectou cerca de 500 milhões pessoas, das quais entre 50 milhões e 100 milhões foram a óbito, num contingente de cerca de 2 bilhões de habitantes, mas a difusão de notícias era muito reduzida.
3. O Sr. acha que até quanto tempo vamos passar por tudo isso?
R – Até que pelo menos a metade, talvez 60% da população do País e do Mundo, tenha passado pela infecção e desenvolvido imunidade, atingindo imunidade coletiva ou de rebanho, quando a disseminação do vírus fica mais reduzida. Isto pode se delongar por vários meses, conforme maior ou menor isolamento social.
4. Temos vacina ou remédio, à curto prazo, para o Coronavírus?
R – O ideal seria dispor de vacinação capaz de imunizar a maior parte da população sem risco de adoecimento, o que é aguardado para daqui um a dois anos. A grande maioria dos indivíduos apresenta infecção assintomática ou pouco característica, como um resfriado, mas entre 15% e 20% desenvolvem doença dependente de cuidados médicos e uns 5% chegam a óbito, considerando a capacidade de tratamentos paliativos, de suporte, disponíveis. Existem fortes indícios – ora sob rigorosos estudos confirmatórios nacionais e internacionais – de que a cloroquina, facilmente acessível, possa reduzir a gravidade e duração da CoViD-19, bem como o número de mortes. Outras drogas promissoras seguem sob pesquisa podendo ser brevemente liberadas.
Para prevenir equívocos, doenças graves e suas complicações vacinação para gripe influenza e pneumocócicas são intensamente recomendados pelo Ministro da Saúde e sociedades médicas de imunizações, geriatria, alergia, entre várias outras.5. As medidas estão sendo suficientes?
R – Considerando o conhecimento e recursos disponíveis o Ministério da Saúde e o Governo Federal de maneira geral vêm apresentando desempenho exemplar. Muito dependerá da contribuição e da afinação de cada membro (estado, prefeitura) da orquestra.
6. Quais as consequências? O que fazer neste momento?
R – Frente ao entendimento de como a pandemia vem evoluindo em diversos países, no Brasil e no Pará as consequências negativas serão mais sociais que de saúde. Parece que a disseminação do SARS-CoV-2 é mais lenta e menos funesta em áreas de clima quente, como o nosso. Inegavelmente muitos pacientes crônicos e idosos sofrem e continuarão sofrendo até que a imunidade de rebanho seja alcançada, mas em número bem menor que o das enfermidades e mortes causadas por enfermidades não infecciosas endêmicas, como eventos adversos dos cuidados de saúde, cardiocerebrovasculares, câncer, entre outras mazelas.
7. Qual sua mensagem ao Brasil?
R – Manter equilíbrio, serenidade, tolerância, pois a quase totalidade da população saíra ilesa de mais essa pandemia. Deveremos seguir as recomendações do Ministério da Saúde que vem demonstrando maior discernimento que a própria Organização Mundial da Saúde. A cada semana mais conhecimento e recursos vêm sendo agregado ao enfrentamento desta pandemia.






