Saúde
Barros Barreto alerta sobre os perigos do cigarro eletrônico após morte de adolescente
Hospital realiza ação educativa para conscientizar pacientes e reforçar o combate ao tabagismo
Belém (PA) – Mesmo com a proibição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos popularmente como vapes, continuam circulando no país, principalmente entre adolescentes e jovens. Compactos, coloridos, com sabores atrativos e aroma adocicado, esses aparelhos escondem riscos à saúde humana: o uso está associado a doenças pulmonares graves, dependência química acelerada e, em casos extremos, pode levar à morte.
Nesta semana, o caso de uma adolescente de 15 anos, que faleceu em Brasília (DF) por complicações pulmonares relacionadas ao uso prolongado de cigarro eletrônico, reacendeu o sinal de alerta em todo o país. A jovem, que consumia vape havia pelo menos três meses, apresentou um quadro grave que inicialmente foi confundido com pneumonia, mas que depois evoluiu para perda total do pulmão esquerdo. Segundo os médicos, tratava-se de EVALI, sigla em inglês para lesão pulmonar associada à utilização de dispositivos eletrônicos para fumar.
Diante disso, no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) e vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), profissionais de saúde têm intensificado a divulgação de informações sobre os riscos dos cigarros eletrônicos, especialmente entre os mais jovens.
De acordo com a pneumologista Flávia Farinha, chefe da Unidade do Sistema Respiratório do HUJBB, a composição desses dispositivos é altamente nociva. “O vape não é inofensivo. Pelo contrário: além da nicotina, que causa dependência, esses aparelhos liberam mais de 2 mil substâncias químicas, muitas delas tóxicas e cancerígenas. O que vemos na prática é uma nova porta de entrada para o tabagismo, muitas vezes entre adolescentes que sequer teriam contato com o cigarro convencional”, afirma a médica.
Embora frequentemente apresentados como uma alternativa mais segura ou como método para parar de fumar, os dispositivos não têm eficácia comprovada para a cessação do tabagismo. Na verdade, estudos indicam que o uso do vape pode quadruplicar a chance de o usuário experimentar cigarros tradicionais e aumentar a recaída de ex-fumantes. “É fundamental desmascarar esse discurso de que o vape é menos prejudicial. A exposição precoce à nicotina, principalmente em cérebros em desenvolvimento, compromete a saúde física, o controle dos impulsos e o aprendizado, além de facilitar o surgimento de uma dependência química severa”, adverte a profissional.
Conscientização por meio da arte
O Hospital Barros Barreto promoveu, nesta sexta-feira (30), uma atividade com cerca de 30 pacientes atendidos pelo Laboratório de Avaliação e Reabilitação das Disfunções Cardiovasculares, Oncológicas e Respiratórias (LACOR). Realizada em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste sábado (31), a iniciativa incluiu uma visita guiada ao Museu de Arte Sacra do Pará, localizado na Cidade Velha, em Belém. A ação integra uma programação anual que busca aliar a promoção da saúde ao acesso à cultura.
“A ação é um momento de acolhimento, mas também de educação em saúde. Conversamos com os pacientes sobre os impactos do tabagismo e os caminhos para quem deseja parar de fumar, inclusive com o suporte gratuito oferecido pelo SUS”, destaca o fisioterapeuta do LACOR, Saul Rassy, que coordenou a atividade.
Para os participantes, a experiência foi inesquecível. É o caso de Ana Rosa Carneiro, de 68 anos, que realiza tratamento de fisioterapia no LACOR desde outubro do ano passado, após complicações causadas pela Covid-19. Foi a primeira vez que ela participou de uma atividade externa promovida pelo hospital. “Vai ficar gravado pro resto da vida. Vou contar tudo pro meu filho que mora em Marabá. Vostrar as fotos e repassar esse alerta contra o tabagismo”, conta.
Ana Rosa destacou ainda como esses momentos fora do ambiente hospitalar contribuem para o bem-estar e a socialização entre os pacientes. “A gente conhece outros horários, outras pessoas, cria um vínculo. Não fica só ali. Até com os profissionais, a gente se sente mais próxima”, garante.
Dados são preocupantes
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o tabaco seja responsável por cerca de 8 milhões de mortes por ano no mundo, incluindo mais de 1 milhão de casos por exposição passiva à fumaça. Em 2025, a campanha global da OMS foca em “desmascarar a indústria do tabaco” e seus mecanismos de atratividade, especialmente entre o público mais jovem.
Entre os principais alvos da campanha, estão os aromatizantes, o apelo visual e a falsa sensação de segurança vendida pelos dispositivos modernos. A pneumologista Flávia Farinha destaca que, embora parar de fumar seja um desafio, os benefícios para a saúde são significativos e começam a surgir logo nas primeiras horas de abstinência. “Após 20 minutos, a pressão arterial começa a se normalizar. Em 24 horas, os pulmões já funcionam melhor. E, após um ano sem fumar, o risco de infarto já cai pela metade”, explica.
Ela reforça ainda que abandonar o cigarro é uma das medidas mais importantes para reduzir os riscos de doenças associadas ao tabagismo, “como o câncer de pulmão, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e as doenças cardiovasculares, especialmente o Infarto Agudo do Miocárdio”, conclui a médica.
O tratamento para parar de fumar é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com acompanhamento profissional, apoio psicológico e, quando necessário, medicamentos.
Sobre a Ebserh
O CHU-UFPA faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
| Unidade de Comunicação Regional 13 (PA/AP) |









