Cultura

No Centro Cultural Banco da Amazônia Roda de conversa debate arquitetura sustentável e saberes ancestrais

Debater o papel da arquitetura no fortalecimento da permanência de povos indígenas e comunidades tradicionais em seus territórios, por meio de práticas construtivas compartilhadas. Esse foi um dos temas da roda de conversa promovida na tarde desta quarta-feira (21), no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém, dentro da programação da exposição Habitar a Floresta, em cartaz até 1º de fevereiro.

ABERTURA EXPOSIÇÃO HABITAR A FLORESTA – CCBA FOTO: NAILANA THIELY

Com a temática “A Ética do Projeto Colaborativo: desafios interculturais na Amazônia, a partir da coautoria e da cocriação em projetos com comunidades tradicionais”, o encontro reuniu estudantes dos cursos de Conservação e Restauro, Museologia e Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Antes do início da roda de conversa, os estudantes visitaram a exposição como forma de imersão nos modos de habitar a floresta, desenvolvida a partir da escuta das comunidades tradicionais e do respeito à biodiversidade.

Emocionada, a estudante do curso de Conservação e Restauro, Gileuza Santos Leite, de 36 anos, destacou o quanto a mostra é significativa e representativa por dialogar diretamente com sua própria trajetória de vida. “Eu sou quilombola, fui criada numa casa de pau a pique e depois estudei em uma escola muito simples de madeira. Em todo o projeto, eu me identifiquei, eu me vi na história apresentada pelo Banco da Amazônia”, relatou. Segundo ela, a exposição foi um privilégio e uma experiência marcante, que a conectou com suas origens e fortaleceu sua identidade.

O bate-papo com os estudantes foi conduzido pelas professoras Idanise Hamoy, do curso de Museologia, e Monique Bentes, do curso de Arquitetura e Urbanismo, com mediação da aluna Tainá Marçal. A proposta foi refletir sobre como esses debates atravessam a formação dos estudantes e futuros profissionais, abordando questões que norteiam a reflexão sobre ética, protagonismo comunitário, políticas territoriais e justiça socioambiental.

Monique Bentes destacou como a mostra apresenta novas referências e saberes fundamentais para a formação em arquitetura. “A arquitetura popular carrega uma sabedoria muito importante. Como arquitetos, precisamos nos abrir mais, sair de uma postura técnica e compreender que podemos aprender muito com essas práticas construtivas, muitas delas adaptadas às características bioclimáticas da nossa região”, afirmou.

Já a professora Idanise Hamoy ressaltou a importância da relação direta com as comunidades tradicionais e o papel da universidade nesse processo. “Essa relação com as comunidades nos faz refletir sobre o distanciamento que tivemos da própria natureza. Na disciplina, trabalhamos muito isso com os alunos. A universidade, muitas vezes, também nos afasta, e eventos como esse — uma aula aberta para discutir o habitar na floresta — nos provocam a pensar como aplicar o conhecimento acadêmico dentro das comunidades, que é o verdadeiro papel social da troca entre academia e sociedade”, pontuou.

Ela também frisou a diversidade de realidades amazônicas. “Nós que vivemos na Amazônia sabemos que existem várias Amazônias. Há a Amazônia dos grandes centros urbanos, mas também vivemos em uma capital cercada de ilhas, com uma forte realidade ribeirinha, que muitas vezes é desconhecida por quem vive na cidade”, completou.

A professora Monique Bentes complementou, ressaltando a urgência de repensar a relação entre urbanização e natureza na região. “É fundamental refletirmos sobre como conviver com a floresta e sobre a forma como ocupamos a Amazônia, especialmente no Pará, que é um dos estados mais urbanizados da região.” Ela destacou ainda que o processo de urbanização não considerou a adaptação à natureza e que hoje os impactos das mudanças climáticas já são sentidos. “Precisamos aprender a conviver com a floresta, e não apenas ocupá-la, pensando em soluções urbanísticas e arquitetônicas que respeitem os ciclos naturais”, concluiu.

com curadoria dos arquitetos Marcelo Rosenbaum e Fernando Serapião, a exposição “Habitar a Floresta” está em cartaz na Galeria 2 do Centro Cultural Banco da Amazônia desde 30 de outubro de 2025 e foi prorrogada até 1º de fevereiro de 2026, como parte das celebrações de aniversário da capital paraense. A mostra reúne 13 projetos arquitetônicos desenvolvidos na Amazônia brasileira e em outros territórios latino-americanos, como Peru e Equador.

Patrocinada pelo Banco da Amazônia e pelo Governo Federal, a exposição integrou a programação oficial da COP 30 Amazônia – 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Para ampliar o acesso, o espaço conta com vídeos em Libras e caderno em braile com os textos da exposição.

Entre os projetos apresentados, dois foram desenvolvidos no Pará: o Centro Experimental Floresta Ativa, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, em Santarém, e o Carpinteiros da Amazônia, na ilha do Murutucu, em Belém.

SERVIÇO

Exposição: Habitar a Floresta
Visitação: até 1º de fevereiro de 2026
Horários: Terça a sexta-feira: das 10h às 19h | Sábados, domingos e feriados: das 10h às 14h
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia – Avenida Presidente Vargas, 800 – Campina – Belém, PA.

Fonte: Jambo Comunicação/Por:> Marcela Conde

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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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