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Maio Amarelo: responsabilidade coletiva no trânsito salva vidas

Traumatismo cranioencefálico, traumatismo raquimedular e o politraumatismo estão entre as consequências mais graves dos acidentes

A campanha Maio Amarelo de 2026 traz a mensagem: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.” Lançada pela Secretaria Nacional de Trânsito, a campanha reforça a importância da responsabilidade coletiva na redução de acidentes e mortes nas vias brasileiras. E entre as consequências mais graves de acidentes no trânsito estão o traumatismo cranioencefálico (TCE), o traumatismo raquimedular (TRM) e o politraumatismo.

Em 2024, o SUS registrou 227.656 internações hospitalares por sinistros terrestres, o equivalente a uma vítima necessitando atendimento de emergência a cada dois minutos. Em dez anos, foram 1,8 milhão de internações, com despesas hospitalares diretas de R$ 3,8 bilhões. Mais de 60% dos atendimentos envolveram principalmente homens jovens e motociclistas. Nos motociclistas, o quadro mais recorrente foi o politraumatismo.

De acordo com o neurocirurgião Daniel Serfaty, o TCE é uma lesão física do tecido cerebral que pode comprometer temporária ou permanentemente a função do cérebro. É possível ocorrer em colisões, atropelamentos, quedas de moto, acidentes com bicicleta e outros eventos de alta energia. “Nos casos graves, pode exigir intubação, neurocirurgia, monitorização intensiva e longos períodos de reabilitação.”, explica o neurocirurgião.

Um levantamento epidemiológico com dados do DATASUS entre 2014 e 2024 registrou 1.170.268 internações por TCE no Brasil. Destas, 54,8% ocorreram em adultos entre 20 e 59 anos. No mesmo período, houve 111.310 óbitos, correspondendo a 9,5% das internações. O ano de 2024 apresentou o maior número absoluto de óbitos por TCE da série analisada, com 11.282 mortes.

O TRM é outra face dramática da violência no trânsito. De acordo com o neurocirurgião, trata-se de lesão na coluna vertebral e na medula espinhal. “Pode causar perda de força, alteração de sensibilidade, dor crônica, disfunções urinárias e intestinais, dependência funcional e, em casos graves, paraplegia ou tetraplegia”, ressalta.

 Estudos brasileiros citam estimativa do Ministério da Saúde de 40 a 80 novos casos de trauma raquimedular por milhão de habitantes ao ano, e a lesão medular pode ocorrer em cerca de 15% a 20% das fraturas vertebrais.

No Pará e na Região Metropolitana de Belém, essa realidade é muito próxima. O Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua, referência em trauma no Norte do Brasil, atendeu 6.779 pacientes vítimas de acidentes de trânsito entre janeiro e novembro de 2024, um aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior. As principais causas foram colisões, acidentes com motos e atropelamentos, com predomínio de homens jovens entre 20 e 39 anos.

O Detran-PA também apontou a gravidade do problema entre motociclistas: somente em maio de 2024, dos 2.509 acidentes registrados no Pará, 815 envolveram motocicletas. “Esses dados precisam ser traduzidos em ação. Não basta lembrar do Maio Amarelo apenas em maio. É necessário transformar a prevenção em política permanente.”, alerta o médico.

“O trânsito não produz apenas estatísticas. Ele produz famílias interrompidas, trabalhadores afastados, jovens com sequelas permanentes e pacientes que, em segundos, passam de uma vida ativa para uma longa jornada de internações, cirurgias e reabilitação.”, ressalta Daniel Serfaty.

 

Fonte: Norte Comunicação

Por: Iva Muniz

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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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