Sem investidores e apostando no próprio talento: paraense e empreendedora do Sul criam negócio autoral e começam a chamar atenção no mercado nacional
Em um país onde a maior parte dos novos negócios enfrenta dificuldades já nos primeiros anos de operação, duas mulheres brasileiras decidiram fazer o caminho mais improvável possível.
Sem investidores, aporte financeiro externo, grandes estruturas industriais e sem o respaldo de multinacionais. A paraense Ingrid Pipolos e a empreendedora Roberta Szczepaniak passaram quase dois anos desenvolvendo um projeto próprio que hoje começa a ganhar atenção no mercado nacional justamente por desafiar uma lógica que domina o empreendedorismo contemporâneo: a ideia de que para crescer é preciso primeiro captar investimento.
Natural de Belém e há anos atuando nacionalmente nas áreas de comunicação estratégica, posicionamento de marca e desenvolvimento empresarial, Ingrid decidiu dar um passo completamente fora da trajetória profissional que construiu ao longo da última década.
Em vez de lançar mais um curso, uma consultoria ou ampliar sua atuação na comunicação, escolheu entrar em um território onde praticamente não possuía estrutura prévia: o desenvolvimento de um produto físico autoral em um segmento altamente competitivo. Foi então que surgiu a parceria com Roberta Szczepaniak, química, empresária e especialista em formulações premium.
As duas começaram a desenhar um modelo de negócio que não seguiria padrões tradicionais do mercado, durante quase dois anos, todo o projeto foi financiado exclusivamente pelas próprias empreendedoras. Sem fundos de investimento, incubadoras, investidores-anjo e sem linhas externas de financiamento.
A decisão, segundo Ingrid, foi intencional. “Nós queríamos provar que ainda é possível construir algo altamente sofisticado partindo apenas de conhecimento, coragem e capacidade de execução. Hoje existe uma cultura muito forte de que todo negócio precisa nascer buscando investimento. Nós decidimos fazer o caminho inverso.”
O movimento acompanha uma transformação importante dentro da economia mundial. Nos últimos anos, especialistas começaram a observar o crescimento acelerado da chamada Creator Economy, conceito estudado pela pesquisadora americana Li Jin, que analisa como profissionais independentes estão transformando reputação, conhecimento e audiência em ativos econômicos próprios, sem depender de grandes corporações.
Segundo relatório da consultoria global McKinsey, cresce em todo o mundo uma nova geração de empreendedores que abandona modelos tradicionais de expansão e passa a construir negócios menores, mais exclusivos e financeiramente sustentáveis desde a origem.
No Brasil, esse cenário ganha um componente ainda mais simbólico quando protagonizado por mulheres. Dados recentes do Sebrae mostram que o empreendedorismo feminino já representa uma das forças mais relevantes da economia brasileira, embora mulheres ainda enfrentem maior dificuldade de acesso a crédito, capital e investimentos quando comparadas ao mercado masculino.
A trajetória de Ingrid e Roberta reflete exatamente esse contexto, em vez de esperar validação externa, decidiram construir um negócio baseado em autonomia financeira, produção limitada e crescimento orgânico através da própria rede de relacionamento. Sem campanhas massivas, grandes lançamentos públicos e distribuição em escala.
A estratégia inicial de vendas começou de forma quase silenciosa: uma lista VIP formada por pessoas próximas, clientes antigos, conexões construídas ao longo de anos de carreira e uma comunidade que já acompanhava a autoridade profissional construída por Ingrid no mercado nacional.
Para especialistas em negócios, esse modelo representa uma tendência cada vez mais observada globalmente: empreendedores criando ativos próprios altamente rentáveis sem necessariamente depender de estruturas empresariais tradicionais.
Para Ingrid, existe uma mensagem muito clara por trás dessa trajetória. “Muitas vezes o mercado faz as pessoas acreditarem que elas precisam esperar grandes oportunidades externas para começar. Nossa história prova exatamente o contrário. Nós começamos apenas com aquilo que já tínhamos: conhecimento, experiência, rede de relacionamento e coragem para executar.”
Em um cenário econômico onde startups bilionárias, fundos de investimento e grandes rodadas de capital costumam monopolizar as narrativas sobre inovação, histórias como essa começam a mostrar outra realidade. Nem toda grande empresa nasce com investidores, algumas nascem simplesmente quando alguém decide apostar em si mesma e talvez esse seja o empreendedorismo mais poderoso que existe.
Fonte: Assessoria/Por Indrid Pípolos






