Movimento de mulheres agita praia do Atalaia com feira de produtos orgânicos
A Feira da Agricultura Familiar acontece neste sábado (25), das 6h às 11h.
O verão amazônico ganha outra cara neste final de semana em Salinas com a Feira da Agricultura Familiar do projeto Raízes Femininas, em parceria com o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense (MMNEPA). Produtoras de ao menos seis municípios da região vão se reunir neste sábado (25), das 6h às 11h, na rampa de acesso à praia do Atalaia, em Salinópolis. A iniciativa promete movimentar a cidade do Salgado Paraense com a venda de itens orgânicos, manifestações culturais e pratos regionais.
Além do comércio direto, a primeira edição do evento visa desenvolver circuitos de comercialização para que toda a linha de mercadorias, vindas das mãos de agricultoras e seus familiares, alcance novos mercados. “Temos uma expectativa muito grande nesta primeira edição, junto com esse conjunto de parceiros, para realmente envolver a comunidade local”, destaca o professor Armando Lírio, gerente de Captação e Articulação Institucional da Fundação Guamá (FG).

A programação apresenta alimentos saudáveis, pois recebem um cuidado especial no seu plantio e preparo. Trata-se de uma oportunidade para conhecer não apenas os sabores, mas os saberes envolvidos na produção e na colheita. “Vamos levar o produto da agricultura familiar para comercialização, mas também pensar a feira como um espaço de vivência e articulação cultural”, afirma Kátia Cilene, coordenadora do MMNEPA.
Coordenado pela Fundação Guamá, o projeto Raízes Femininas visa ao fortalecimento da produção local, ao protagonismo e à autonomia feminina. De acordo com Kátia, a realização dessa programação inédita em Salinópolis “significa uma conquista de anos sonhando, uma conquista de uma luta longa de várias lideranças”. Para ela, esse sonho “só foi possível por estar sendo articulado coletivamente por várias frentes de mulheres”.

Economia sustentável no verão amazônico
A cidade de Salinópolis é um dos principais destinos turísticos do período de veraneio. Localizada na região litorânea do estado, conhecida como Salgado Paraense, Salinas, além de ser um polo histórico, impulsiona a economia com a agitação turística durante as férias escolares de julho.
Para o secretário de Agricultura do município, a integração da produção agroecológica e familiar “fortalece a economia do município, gera renda para as famílias, incentiva o empreendedorismo feminino e valoriza os produtos cultivados em nosso território”. De acordo com Erick Dias, a mobilização deve “garantir à população acesso a alimentos mais frescos, saudáveis e de qualidade, promovendo o desenvolvimento sustentável e fortalecendo a agricultura familiar como um dos pilares da economia de Salinópolis”.

Próximas edições já estão previstas
Parceira da iniciativa, a Prefeitura de Salinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, apoia a ação com “assistência técnica, capacitações, incentivo à organização da produção, apoio à participação em feiras e eventos, além de buscar ampliar os canais de comercialização, incluindo o fornecimento para programas institucionais”, afirma o secretário.
“A ideia é que tenhamos, logo em seguida após essa feira, uma segunda ou terceira edição, pois pretendemos certificar esse evento como um produto da agricultura familiar. Essa primeira edição nos dá esse caráter sustentável, garantindo a manutenção da feira como uma atividade regular. Depois disso, elas terão autonomia, a partir da estrutura fornecida, para garantir as edições futuras da própria feira”, destaca o professor Armando Lírio.
Apoio Institucional
Além da Fundação Guamá, responsável pela organização do projeto, do MMNPA e da prefeitura de Salinópolis, a partir da Secretaria Municipal de Agricultura, a Feira da Agricultura Familiar do Raízes Femininas conta com apoio de outras instituições. Lucia Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTRS), destaca que o fortalecimento da autonomia econômica e produtiva das produtores rurais paraenses “é imensamente transformadora a partir de moradia digna, autoestima visível, acredito eu que realmente transforma a mulher”. Por isso o STTRS, além do apoio institucional e logístico, tem se engajado também na divulgação a partir de perfis de mídias sociais digitais e a panfletagem na região.
O acesso ao crédito e à educação financeira é um dos maiores gargalos para as pequenas produtoras. O cooperativismo financeiro apoia a viabilidade e o crescimento sustentável dos negócios dessas mulheres rurais. “Cooperar significa agir conjuntamente e a Cooperativa oportuniza a conexão dessas mulheres entre si. Esse processo coletivo, essa espécie de networking, é o principal ativo de uma Cooperativa, que ainda conta com uma série de soluções financeiros, como conta corrente, empréstimos, seguros, financiamentos e outros com valores muito mais acessíveis”, explica Ivan Costa, Presidente da Sicoob Coimppa.
Quem também apoia o evento é a Toth Educacional, instituição de ensino e treinamentos focada em pós-graduações presenciais e cursos práticos. Para Cleonilda Batista, sócia da Toth “Esse apoio fortalece o empreendedorismo feminino incentivando a geração de renda, a valorização da produção local promovendo oportunidades para que agricultoras e produtoras ampliem sua visibilidade e autonomia”.
Fonte: Assessoria
Por: Cira Pinheiro






