Da comunidade para a tela: jovens transformam vivências em cinema
Patrocinado pela Vale, projeto Cultura na Praça leva oficinas gratuitas a comunidades do Pará e Maranhão e mostra que a sétima arte fortalece identidades e abre caminhos para novas profissões
Em comunidades onde o acesso à cultura e ao audiovisual ainda é limitado, uma câmera nas mãos de um jovem pode significar muito mais do que a oportunidade de produzir um filme. Ela se transforma em um instrumento de expressão, pertencimento e descoberta, capaz de revelar talentos, fortalecer identidades e abrir novos caminhos para o futuro. É essa experiência que o projeto Cultura na Praça vem proporcionando ao longo de oito edições, com patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Rouanet, parceria do Instituto Tatajuba e realização da Vivas Cultura e Esporte e Ministério da Cultura.
Depois de percorrer mais de 25 mil quilômetros e envolver mais de 400 jovens em oficinas gratuitas de cinema realizadas em diversas localidades do Pará e do Maranhão, a iniciativa mostra que seu maior legado vai muito além dos 50 curtas-metragens produzidos (disponíveis gratuitamente e com recursos de acessibilidade na plataforma culturanapraca.art.br). O impacto mais profundo está nas transformações vividas por quem participa do processo.
Para o cineasta e coordenador do projeto, Cris Azzi, o cinema é, antes de tudo, uma experiência coletiva de encontro, criatividade e autonomia. “Eu costumo dizer que o Cultura na Praça é um convite para uma experiência, e o cinema é o caminho para essa experiência acontecer.” Segundo ele, as oficinas são construídas a partir dos interesses dos próprios participantes. Em vez de apenas ensinar técnicas de roteiro, direção, fotografia ou edição, a proposta é oferecer ferramentas para que os jovens contem histórias que dialoguem com suas vivências e seus territórios. “O mais importante não é apenas o resultado final do filme, mas o caminho percorrido. Ver uma comunidade inteira abrindo as portas para acompanhar aqueles jovens produzindo cinema é uma das experiências mais bonitas que existem”, destaca.
Ao longo dos anos, Cris acompanhou de perto mudanças que extrapolam a formação audiovisual. Professores relatam melhora no rendimento escolar de estudantes antes considerados tímidos, enquanto pais percebem os filhos mais confiantes e comunicativos depois da participação nas oficinas. “Quando esses jovens percebem que são capazes de realizar um filme, entendem que também podem realizar muitos outros sonhos. É uma descoberta da própria potência”, resume.

Os reflexos aparecem também na trajetória profissional de muitos participantes. Alguns ingressaram na universidade; outros criaram produtoras independentes, passaram a atuar como editores de vídeo ou desenvolveram iniciativas ligadas à comunicação e à cultura em suas comunidades.
Cinema que revela um Brasil pouco visto
Para Cris Azzi, cada curta-metragem produzido pelo projeto vai além da construção de uma narrativa. As obras registram sotaques, paisagens, tradições e modos de vida que raramente ocupam espaço nas telas do cinema. “Quando você assiste aos filmes do Cultura na Praça, conhece um Brasil pouco divulgado. Mesmo quando as histórias são ficcionais, elas carregam a identidade daquele território, das pessoas e da cultura local”, afirma.
Ao valorizar essas narrativas, o projeto amplia o acesso ao audiovisual e contribui para que diferentes realidades encontrem espaço de representação, mostrando que grandes histórias também nascem longe dos grandes centros urbanos.
Um sonho que virou profissão
Entre as trajetórias inspiradas pelo projeto está a de Gabriel Vieira Santos, de 20 anos, morador de Serra Pelada, no sudeste do Pará. Participante da edição de 2021 do Cultura na Praça, quando tinha apenas 15 anos, ele hoje integra uma produtora audiovisual criada ao lado de amigos da comunidade e sonha em cursar Cinema. No curta “O Reflexo do Tesouro” (disponível em culturanapraca.art.br/curtas/
Durante as oficinas, ele descobriu que fazer cinema é um exercício permanente de construção coletiva. “No começo eu imaginava que várias pessoas pensando diferente seria um problema. Depois percebi que era justamente o contrário. Cada ideia foi melhorando a outra, e o resultado ficou muito mais rico.”
Outro aprendizado marcou sua trajetória: compreender que um filme está sempre em transformação. “O roteiro que você escreve nunca será exatamente o filme que chega ao final. Você descobre novas possibilidades durante as gravações e também na montagem. Isso mudou completamente a forma como eu vejo o audiovisual.”
Hoje, trabalhando como produtor audiovisual, Gabriel considera que o Cultura na Praça foi decisivo para sua trajetória. “Foi esse empurrão que eu precisava. Quero fazer faculdade de Cinema, escrever roteiros, dirigir filmes e viver disso um dia. O projeto mostrou que esse sonho pode ser possível”, afirma.
Sobre o Cultura na Praça
Criado em 2017, o Cultura na Praça atua na formação e na difusão cinematográfica por meio de oficinas gratuitas e mostras itinerantes no interior do Pará e do Maranhão. A iniciativa fundamenta-se na premissa de que a educação cultural é um poderoso vetor de transformação socioeconômica. Ao estimular o protagonismo da juventude, engajar as comunidades e valorizar os patrimônios materiais e imateriais das regiões por onde passa, o projeto impulsiona o desenvolvimento territorial.
Esse impacto também se estende diretamente à economia local. Para fomentar a geração de trabalho e renda, o projeto prioriza a contratação de profissionais e fornecedores das próprias regiões atendidas. O Cultura na Praça conta com patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Rouanet, parceria do Instituto Tatajuba e realização da Vivas Cultura e Esporte e do Ministério da Cultura.
Sobre a Vale
A Vale acredita que a cultura transforma vidas. Pelo quinto ano consecutivo, é a maior apoiadora privada da cultura no Brasil, patrocinando e fomentando projetos e parcerias que promovem conexões entre pessoas, iniciativas e territórios. Seu compromisso é contribuir para uma cultura cada vez mais acessível e plural, ao mesmo tempo em que atua para o fortalecimento da economia criativa.
Fonte: Temple Comunicação
Por: Karinne Homci






