Festival Afro Maré estreia em Mosqueiro com carimbó, tecnobrega, hip-hop e culturas de terreiro
Projeto inédito e gratuito ocupa o Caramanchão do Chapéu Virado, no dia 6 de setembro, com shows, DJs, batalhas de rima e breaking e concurso de tecnobrega
Carimbó, tecnobrega, hip-hop, breaking e expressões ligadas às culturas de terreiro vão se encontrar às margens da paisagem praiana de Mosqueiro na primeira edição do Festival Afro Maré, projeto inédito que será realizado no dia 6 de setembro, a partir das 12h, no Caramanchão do Chapéu Virado, no distrito de Belém. Com acesso gratuito, a programação reúne Afro Axé Dudu, Flow Cabano, DJ Nayty Show, Estação Carimbó, Os Quentes da Madrugada, Moqueio Tupinambá e Odé Lomi, além de batalha de rima, batalha de breaking e concurso de tecnobrega.
A programação mistura ritmos e linguagens que fazem parte da cultura preta e periférica da Amazônia. O público poderá dançar carimbó, curtir tecnobrega e hip-hop, acompanhar apresentações de artistas ligados às culturas de terreiro.
“Quando se fala em festival afro, quase sempre são colocadas apenas atrações que fazem parte das religiões de matriz africana. Eu enxergo o afro de uma forma muito mais ampla. O rap, o break dance e o próprio brega também estão nesse lugar. Tentei trazer para a programação essas diferentes expressões culturais, das mais tradicionais às mais contemporâneas”, explica o rapper, compositor e produtor cultural Daniel ADR, idealizador do projeto.
O Afro Maré parte de uma relação pessoal com Mosqueiro. É na ilha que Daniel mantém um terreiro ligado ao Tambor de Mina, em uma área da família há mais de duas décadas, cercada por mata preservada. “Quando pensei nesse nome, veio o afro da atuação que faço lá, dentro do culto do Tambor de Mina, e a maré porque estamos em uma ilha cercada pelas águas. Foi daí que surgiu o Afro Maré.”
No centro desse encontro está o Afro Axé Dudu, principal atração do festival e grupo que há quase quatro décadas transforma música e dança afro em instrumentos de valorização da cultura negra e enfrentamento ao racismo.
Criado em 1987 pelo Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA), o Afro Axé Dudu nasceu como bloco afro e construiu uma trajetória marcada pela valorização da identidade negra e da ancestralidade. A presença do Axé Dudu reflete a missão do festival, que entende a valorização da cultura negra também como uma forma de enfrentamento ao racismo. A proposta, porém, não se limita às manifestações afro-brasileiras de caráter religioso. O Afro Maré aproxima diferentes formas de expressão construídas por populações negras e periféricas, colocando no mesmo espaço manifestações tradicionais e culturas urbanas contemporâneas.
A relação entre arte e resistência está presente no trabalho do grupo. “Usamos a música e a dança afro para combater o racismo e mostrar que o povo preto não veio ao Brasil para ser escravizado”, frisa Cláudia Peniche, integrante do grupo.
Carimbó, tecnobrega e hip-hop
O carimbó ocupa um espaço importante na programação, com três atrações. De Santarém Novo, Os Quentes da Madrugada carregam uma tradição ligada à Irmandade de São Benedito e à transmissão do carimbó entre gerações. A sonoridade do grupo é marcada pela percussão e por instrumentos como curimbós, rufo, maracás e reque-reque.
Em 2025, o grupo lançou o álbum Identidade Única, gravado ao vivo no barracão da Irmandade, reunindo composições do carimbó tradicional de Santarém Novo, incluindo músicas preservadas por gerações por meio da oralidade.
O Moqueio Tupinambá leva ao palco uma trajetória ligada à própria Ilha de Mosqueiro e à mobilização cultural de jovens da comunidade. Estação Carimbó completa a programação dedicada ao ritmo.
O tecnobrega chega com o DJ Nayty Show, enquanto o Flow Cabano mostra a presença do hip-hop. As batalhas de rima e breaking ampliam essa participação e convidam o próprio público a ocupar o espaço do festival.
SERVIÇO
Festival Afro Maré
Data: 6 de setembro
Horário: a partir das 12h
Local: Caramanchão do Chapéu Virado, Ilha de Mosqueiro, Belém (PA)
Entrada: gratuita
Programação: Afro Axé Dudu, Flow Cabano, DJ Nayty Show, concurso de tecnobrega, Estação Carimbó, Os Quentes da Madrugada, Moqueio Tupinambá, Odé Lomi, batalha de rima e batalha de breaking.
Fonte: Assessoria
Por: Gil Sóter






