Paçoca chega ao BioParque e Amendoim pode agora ter uma namorada e nova família
Depois de despertar a curiosidade do público no Dia dos Namorados, quando foi anunciada a busca por uma parceira para o Amendoim, sauim-de-coleira do BioParque Vale Amazônia, a história ganha um novo capítulo cheio de expectativa e romance. Uma fêmea foi localizada e chegou para encontrar o solteirão. Paçoca chegou ao parque, em Carajás nesta semana. E veio acompanhada de dois outros animais da espécie, um na fase juvenil e outro filhote que foram abandonados e adotados por ela. Amendoim ganhará agora não apenas uma namorada, mas uma família inteira dentro de um esforço para a conservação de uma das espécies de primatas mais ameaçadas do Brasil e do mundo.
A fêmea e os animais adotivos desembarcaram em Belém nesta quarta-feira, em voo realizado gratuitamente pelo programa Avião Solidário da LATAM, que permitiu uma operação rápida e segura, reduzindo o tempo de deslocamento e garantindo condições adequadas para o bem-estar dos animais durante a viagem em uma parceria com a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB). Em seguida, a Vale realizou o transporte de Belém para Parauapebas. Antes da viagem, o grupo estava sob os cuidados do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS/IBAMA) de Manaus, mesmo local de origem do Amendoim. Agora, eles estão em recinto técnico do BioParque para cumprir o período de quarentena, receber acompanhamento veterinário e conhecer, aos poucos e com tranquilidade, o novo ambiente.
Somente depois dessa etapa, e conforme a avaliação de biólogos e veterinários, será iniciado o processo de aproximação entre Paçoca e Amendoim. A expectativa é que, em cerca de quatro meses, eles possam estar juntinhos no BioParque. O prazo, no entanto, pode variar, porque cada animal tem seu próprio tempo e a aproximação dependerá da adaptação de Paçoca e da aceitação entre eles.
Segundo Nereston de Camargo, médico-veterinário do BioParque Vale Amazônia, a chegada de Paçoca marca uma fase que exige atenção, paciência e muito cuidado. “Agora começa uma fase muito importante de observação, adaptação e cuidado. Ela chega com dois outos animais da espécie uma na fase juvenil e outro ainda filhote, então precisamos garantir tranquilidade, segurança e bem-estar para o grupo. A aproximação com o Amendoim será feita de forma gradual, respeitando o tempo dos animais. A expectativa é que eles se aceitem e possam formar um casalzinho e uma nova família, mas todo o processo depende do comportamento de cada um”, explica.
Amendoim é um macho de sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), primata de pequeno porte, com cerca de 30 a 42 centímetros e peso entre 450 e 600 gramas. O animal chegou ao BioParque em 2022, encaminhado pelo CETAS/IBAMA de Manaus, após sobreviver a um ataque de cachorro. Desde então, recebe acompanhamento da equipe técnica e aguardava a chegada do seu novo amor para formar casal dentro do programa de conservação da espécie.
A vinda de Paçoca integra o Programa de Conservação e Manejo Ex Situ de Espécies Ameaçadas, iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da AZAB. O objetivo é contribuir para a conservação de espécies de ameaçadas no país.
Associado à AZAB, o BioParque Vale Amazônia também atua com instituições como ICMBio e IBAMA em ações de manejo, reprodução e proteção da fauna silvestre. Ao longo de sua trajetória, tornou-se referência na área, com registros de nascimento de espécies como harpia, ararajuba e onça-pintada, além de abrigar cerca de 360 animais de 67 espécies. O espaço funciona como uma segunda chance para animais como a possível nova família de Amendoim: indivíduos resgatados de situações como tráfico, maus-tratos ou de risco para a espécie.
Espécie endêmica do Brasil, o sauim-de-coleira ocorre em uma área restrita do Amazonas e está entre os primatas mais ameaçados do Brasil e do mundo. A espécie enfrenta ameaças como perda de habitat, fragmentação florestal e expansão urbana. Por isso, cada novo passo no cuidado e na formação de casais em instituições especializadas representa uma contribuição importante para manter populações geneticamente viáveis e apoiar ações coordenadas de conservação.
Fonte: Relacionamento com a Imprensa Vale






