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Estudo inédito do Observatório da FIEPA aponta caminhos para ampliar a competitividade da indústria paraense

A cadeia produtiva de alimentos e bebidas responde por praticamente 20% do emprego industrial do Pará e apresenta potencial de expansão a partir da industrialização e da agregação de valor aos produtos regionais. Esse foi o ponto de partida do evento “Cadeias Produtivas – Alimentos e Bebidas”, realizado nesta segunda-feira (14) pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), por meio do Observatório da Indústria, em parceria com o SENAI e a Rede de Observatórios do Sistema Indústria, em Belém.

A iniciativa apresentou dados, diagnósticos e análises sobre o setor, com foco nas cadeias de açaí, cacau, mandioca, carne bovina e dendê. O mapeamento possibilitou identificar oportunidades de crescimento, desafios, tendências de mercado e possibilidades de inovação, contribuindo para a formulação de estratégias que ampliem a competitividade da indústria paraense e agreguem valor à produção.

De acordo com dados do Observatório da Indústria da FIEPA, a divisão de fabricação de produtos alimentícios concentra 17,9% dos 253.791 vínculos industriais do estado, o equivalente a 45.350 empregos. O segmento lidera o ranking entre as 35 divisões industriais analisadas, enquanto bebidas ocupam a 14ª posição. Somadas, as duas atividades superam qualquer outro segmento industrial do Pará.

O levantamento também aponta que a cadeia apresenta crescimento estável, diferentemente de outras divisões econômicas sujeitas a oscilações sazonais. Os maiores grupos, como carne, outros produtos alimentícios, óleos e gorduras e conservas de frutas e vegetais, concentram 79,3% do emprego do setor. A composição evidencia a conexão da indústria com a base agropecuária e extrativa do estado, incluindo pecuária, fruticultura, pescado e oleaginosas.

Verticalização e pesquisa aplicada

Para o presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, o mapeamento representa uma oportunidade de identificar caminhos para a verticalização da produção paraense, com maior incorporação de processos industriais e conhecimento tecnológico.

“Nós entendemos a importância de trazer essa oportunidade de verticalização. Nós identificamos o potencial do Pará na agregação de valor, trazendo o atributo da industrialização dos nossos produtos”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa também deve aproximar a pesquisa aplicada das cadeias produtivas que representam vocações econômicas do estado.

A proposta envolve a articulação entre indústria, instituições de apoio, especialistas e demais atores do ecossistema produtivo. A intenção é ampliar o conhecimento sobre os diferentes elos das cadeias e apoiar decisões voltadas ao desenvolvimento industrial.

O diretor regional do SENAI Pará e superintendente do SESI Pará, Dário Lemos, destacou a necessidade de ampliar o reconhecimento sobre o potencial produtivo da Amazônia. “Nós sabemos o potencial que tem no estado e na Amazônia em si. E isso nunca foi visto. Nunca foi observado, nem por nós e principalmente por quem não é da região. E nós estamos aqui dando a oportunidade para que todos os segmentos voltados a alimentos e bebidas sejam indutores do desenvolvimento de toda a região. São aqueles produtos que nós temos com muito mais visibilidade.”

Cadeia estratégica para a economia paraense

O gerente do Observatório da FIEPA, Felipe Freitas, apresentou os fatores que justificam a escolha do setor como ponto de partida do projeto de mapeamento das cadeias produtivas. Entre eles estão a relevância na geração de empregos, o crescimento acima da média, a capilaridade territorial e a inserção consolidada no mercado externo.

“Primeiro, é o maior empregador da indústria. Segundo, o crescimento acima da média. É um setor perene, estável e que apresenta crescimento”, explicou.

Freitas também ressaltou a presença de indústrias de diferentes portes nos 144 municípios paraenses, o que confere à cadeia ampla distribuição territorial. A demanda internacional por produtos regionais, por sua vez, reforça a importância estratégica do segmento para a economia do estado.

O mapeamento inicial contempla cinco cadeias produtivas. A seleção reúne atividades associadas à produção e ao processamento de alimentos, incluindo o abate de carne bovina, identificado como o maior empregador entre os grupos analisados, além de produtos com relevância regional e potencial de processamento, como mandioca, dendê, cacau e açaí.

A abordagem do projeto considera a cadeia produtiva de forma integrada, desde a obtenção da matéria-prima até a comercialização dos produtos. Segundo Claudio Rodrigues, coordenador estratégico do Instituto SENAI de Tecnologia – Alimentos e Bebidas, essa perspectiva permite compreender a realidade do setor para além da produção industrial.

“Esse é um projeto que vai trazer não apenas o know-how, mas também uma visão diferente da realidade que a gente enfrenta na área de alimentos e bebidas. Ele parte da produção da matéria-prima, seja pelo extrativismo ou pela agricultura, até chegar à etapa final, que envolve a comercialização.”

Com o mapeamento, a FIEPA e as instituições parceiras buscam reunir informações capazes de orientar ações de desenvolvimento, inovação e fortalecimento da indústria de alimentos e bebidas no Pará, considerando as características produtivas do estado e as oportunidades de agregação de valor aos produtos regionais.

 

Fonte: Comunicação Sistema FIEPA

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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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