Cultura

“Burle Marx – Expedição Amazônia”

Exposição inédita revela a histórica expedição de Burle Marx em 1983 pela Amazônia

Um dos maiores paisagistas do século 20, Roberto Burle Marx, ganha uma homenagem que vai além de seus famosos jardins e mergulha em sua faceta como botânico, pesquisador e pioneiro na defesa do meio ambiente. A exposição “Burle Marx – Expedição Amazônia” será realizada de 23 de setembro de 2026 a 17 de janeiro de 2027 no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém, com abertura oficial no dia 22 de setembro, às 19h.

Com curadoria de Luiz Prado, do Instituto Sotaques, a mostra celebra o legado do paisagista e homenageia a equipe de cientistas e pesquisadores que o acompanharam na histórica expedição de 1983. Em uma experiência imersiva, a exposição permite ao público vivenciar de perto os desafios da jornada. Ao manusear o dossiê histórico sobre os dias na floresta, ouvir depoimentos originais e interagir com fotos em monóculos e slides, o visitante mergulha em uma viagem de 11 mil quilômetros marcada por acampamentos, percalços logísticos e uma determinação incansável pela defesa da floresta.

“Esta exposição inédita reforça o compromisso do Centro Cultural Banco da Amazônia com a valorização da memória e do patrimônio cultural. Burle Marx não foi apenas um dos maiores paisagistas do mundo, mas, também, um reconhecido defensor da flora brasileira e da preservação de espécies nativas. Seu legado dialoga diretamente com a prioridade que o Banco da Amazônia dedica à sustentabilidade e à conservação ambiental. Esperamos que os visitantes apreciem e se inspirem nessa mostra tão relevante e atual”, disse Ana Amélia Fadul, gerente do Centro Cultural Banco da Amazônia.

A expedição em números e o pioneirismo ambiental

Movida por interesses botânicos, científicos e acadêmicos, a expedição durou 52 dias percorrendo estradas e rios. A equipe partiu do Rio de Janeiro em setembro de 1983 e retornou em 17 de novembro, cruzando Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará e Maranhão.

Composta por duas Kombis, uma Toyota Bandeirante, reboque e trailer, a frota possibilitou a coleta de cerca de 400 espécies de plantas tropicais (levadas vivas para aclimatização no Sítio Roberto Burle Marx) e o registro de mais de 500 slides fotográficos e vídeos em Super 8. Mais do que uma jornada científica, a viagem marcou a atuação de Burle Marx como precursor do ativismo ecológico moderno, denunciando a destruição da floresta:

“Tendo retornado recentemente de uma expedição à Amazônia (…) sinto-me na obrigação de denunciar, por todos os meios possíveis, a verdadeira tragédia ambiental que, ao longo de 1.000 km de rodovia, presenciei, tomado de um sentimento de frustração e impotência.” (Roberto Burle Marx, em carta de dezembro de 1983).

O paisagista alertava de forma visionária sobre o imediatismo da ocupação humana:

“A cada viagem realizada aumenta nosso assombro ao constatarmos a falta de respeito pela natureza, a pouca importância que se dá ao meio ambiente. Ao longo de 11.000 km não há qualquer sinal que evidencie uma preocupação conservacionista.”

“Resta-me a esperança de uma conscientização do homem de que ele não é o senhor de uma natureza que não vai acabar nunca. Ao contrário, depende dela para seu equilíbrio e sua própria sobrevivência.”

Homenagem especial: Sala Margaret Mee

Entre os ambientes da mostra haverá uma sala dedicada à ilustradora botânica e ativista ambiental Margaret Mee (1909-1988). Amiga e colaboradora próxima de Burle Marx, consagrou-se ao realizar 15 expedições pela Floresta Amazônica a partir dos anos 1950.

Unindo rigor científico e sensibilidade artística, Mee retratava apenas espécimes vivos em seu habitat natural — incluindo a rara Flor da Lua, documentada aos 79 anos. Sua parceria com Burle Marx é emblemática: várias de suas aquarelas foram confeccionadas no Sítio do paisagista, que preserva 18 obras originais e abriga o Sombral Margaret Mee.

Fotografias históricas e objetos do Sítio Roberto Burle Marx

A exposição propõe uma jornada em quatro ambientes. O destaque visual fica por conta de mais de 200 fotografias em múltiplos formatos, permitindo ao público experimentar olhares afetivos sobre as descobertas da viagem. Para enriquecer a imersão, a mostra apresenta acervos e objetos originais do Sítio Roberto Burle Marx.

“Olhar para essa expedição é perceber que ela não termina em 1983. Aquele movimento de Burle Marx pela Amazônia gerou desdobramentos na pesquisa, na preservação, no paisagismo e, principalmente, na forma de compreender e defender a floresta. A exposição parte dessa viagem para revelar um pensamento que permanece vivo e que se mostra profundamente atual”, Luiz Prado, curador da exposição.

Roberto Burle Marx: o pintor que desenhou cidades e jardins

Paulistano nascido em agosto de 1909, Burle Marx foi pintor, desenhista, tapeceiro, pesquisador e um dos maiores paisagistas do século 20. Sua paixão pela botânica começou em Berlim (1928-1929), ao encantar-se com a flora brasileira no Jardim Botânico de Dahlem.

A formação na Escola Nacional de Belas Artes moldou sua visão de transformar jardins em esculturas vivas: “Com frequência pinto meus projetos em planos de cores (…) para entender a relação das formas”, explicava.

Pioneiro na introdução de espécies nativas no paisagismo moderno, assinou ícones globais como o calçadão de Copacabana, o Palácio do Itamaraty, a Pampulha, Inhotim, os jardins da UNESCO (Paris) e o Kuala Lumpur City Centre Park (Malásia). Descobriu mais de 35 espécies botânicas (burlemaxii) e tornou-se um dos maiores colecionadores de plantas vivas do planeta.

Um santuário de arte e pesquisa botânica

Localizado em Barra de Guaratiba (RJ), o Sítio Roberto Burle Marx é um santuário botânico e cultural reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O local foi doado pelo paisagista como uma instituição viva e campo de estudos aberto à pesquisa.

O espaço reúne o mais completo acervo de sua vida e obra, abrigando uma das coleções de plantas tropicais vivas mais importantes do planeta – destino para aclimatação das espécies trazidas da expedição de 1983. O acervo inclui ainda pinturas, tapeçarias, objetos pessoais, projetos arquitetônicos e documentos históricos.

Acervo Exposição Burle Marx. Credito: Divulgação

 

Serviço:

  • Exposição:Burle Marx – Expedição Amazônia
  • Abertura: 22 de setembro de 2026 às 19h
  • Período de visitação:De 23 de setembro de 2026 a 17 de janeiro de 2027
  • Local:Centro Cultural Banco da Amazônia – Av. Presidente Vargas, 800, bairro da Campina)
  • Funcionamento:De terça a sexta-feira, das 10h às 16h. Finais de semana e feriados, das 10h às 14h.
  • Programação especial de abertura:
    • Nos dias 23 e 24 de setembro, haverá visitas guiadas especiais conduzidas por Rafael Zamorano Bezerra, historiador, doutor em História Social e chefe da Divisão Técnica do Sítio Roberto Burle Marx (SRBM-Iphan).
    • No dia 25 de setembro, às 11h, Rafael Zamorano Bezerra ministrará a palestra gratuita “Roberto Burle Marx – O Sítio e suas coleções”no auditório do centro cultural (capacidade para 40 pessoas).

Fonte: FSB Comunicação

Por: Ana Danin

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Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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