Cultura

Círio 2026: artesãos de Abaetetuba entram na reta final de preparativos dos artigos de miriti

Polo tradicional dos produtos que encantam brasileiros e estrangeiros nas homenagens a Nossa Senhora de Nazaré, município tem nomes com o mestre Acivaldo Negrão, que levará cerca de 6 mil produtos para o período

A poucos dias do Círio de Nazaré, artesãos do município de Abaetetuba, no Baixo Tocantins, intensificaram os esforços para assegurar os coloridos artigos de miriti, tão presentes durante a festividade. Tradicional polo dessa produção no Pará, o município reúne artesãos que, nesta época do ano, ampliam o trabalho para abastecer feiras e outros pontos de venda durante a maior manifestação religiosa e cultural do estado. Entre eles está o mestre Acivaldo Negrão, que este ano levará cerca de 6 mil peças para a capital.

Mestre Acivaldo explica que a preparação para o período começa imediatamente após cada Círio, com a avaliação dos artigos que tiveram maior procura, mapeamento dos futuros clientes que compram no varejo e atacado e a definição de quais peças serão o foco da produção no ano seguinte. A partir daí, ele providencia a compra das matérias-primas, como braças de miriti, lixa, cola e tinta. A produção, que envolve esculpir, pintar, finalizar e embalar as peças, se estende por meses até o momento do transporte dos artigos para Belém, que exige bastante cuidado por conta da delicadeza das peças.

“Nesta época, o miriti tem mais procura porque as pessoas querem uma peça feita com matéria-prima da Amazônia. E, em se tratando do miriti, estamos falando de um dos principais ícones do Círio de Nazaré e do Pará, que é o brinquedo de miriti”, destaca o artesão.

Produção triplicada – Mestre Acivaldo explica que a demanda do Círio faz a produção aumentar cerca de três vezes em relação aos demais meses do ano. Para dar conta desse volume, ele conta, neste ano, com mais quatro artesãos contratados diretamente para o período. Entre as milhares de peças preparadas para o Círio 2026 estão imagens de Nossa Senhora de Nazaré, barcos, canoas, berlindas, além de animais como pombinhas, botos e cobras, que fazem parte do repertório tradicional do artesanato de miriti.

Planejamento – O artesão leva seus produtos a Belém há 15 anos e já participou de diferentes eventos ligados ao Círio, além de exposições em outros espaços da capital. Para ele, o planejamento da produção depende também de ter acesso a recursos para a compra antecipada da matéria-prima.

“Conseguimos acessar crédito por duas vezes, o que nos possibilitou comprar a matéria-prima para fazer o artesanato de miriti, girar o nosso negócio e nos preparar para o Círio”, explica o artesão, cliente do Banco da Amazônia há mais de dois anos.

Com a expectativa de superar as vendas do ano passado, ele também já definiu o destino do resultado das vendas do período. A prioridade, segundo ele, é cumprir os compromissos financeiros, quitar dívidas e reinvestir no negócio para que possa continuar crescendo.

Ancestralidade – Nascido no bairro do Algodoal, no município de Abaetetuba, no Pará, mestre Acivaldo tem mais nove irmãos. “Todos devotos de Nossa Senhora de Nazaré”, ele ressalta.

A relação com o miriti começou aos 12 anos, quando passou a trabalhar com os irmãos após o adoecimento do pai. Há mais de 39 anos, o artesão produz peças tradicionais que já alegraram diferentes gerações de paraenses e turistas do Brasil e exterior. Reconhecido como mestre artesão e guardião da ancestralidade ribeirinha, ele também atua na transmissão desses saberes às novas gerações.

Fonte: FSB Comunicação

Por: Ana Danin

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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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