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Casa do Açaí retoma capacitações para batedores

Após breve pausa durante o Círio, trabalhadores voltam a receber formação gratuita, com orientações, licenciamentos e fiscalizações. Cerca de 2.250 batedores do fruto foram habilitados desde o ano passado

O açaí faz parte da rotina, da cultura e da mesa de milhares de pessoas, além de movimentar uma cadeia produtiva que reúne produtores, batedores artesanais, comerciantes e outros trabalhadores em Belém. Para contribuir com a qualidade e a segurança do alimento, a Casa do Açaí retoma, nesta semana, as aulas de capacitação para batedores artesanais, com atividades às terças e quintas-feiras, das 14h às 18h.

Em Belém, o trabalho é realizado pela Casa do Açaí, setor da Diretoria de Vigilância Sanitária (Devisa), vinculada à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Criada em 2015, a unidade atua no cadastro de batedores artesanais, na oferta de capacitações teóricas e práticas, na fiscalização, na coleta de amostras para análise laboratorial e na orientação aos manipuladores, além de prestar atendimento à população.

Conhecimento e oportunidade

Um dos principais serviços oferecidos pela Casa do Açaí é a capacitação gratuita para manipuladores de açaí. As formações apresentam as boas práticas previstas no Decreto Estadual nº 326/2012, que estabelece regras para o processamento artesanal do fruto.

Desde o início da atual gestão, mais de 2 mil batedores de açaí já foram qualificados em Belém. A Prefeitura tem como meta chegar a cerca de 5 mil profissionais capacitados até o fim do ano. As formações também podem atender pessoas que ainda pretendem começar a trabalhar com a venda do produto.

Ao final da capacitação, o participante recebe a Carteira Digital de Manipulador de Açaí, com validade de um ano, como comprovação da formação.

Para Heron Rocha, 57 anos, que trabalha há 32 anos com açaí no Mercado Municipal da Pedreira, buscar conhecimento também significa melhorar o próprio negócio. Ele acompanha a Casa do Açaí desde o início e passou a contribuir com as atividades práticas das capacitações.

“Quando a gente busca conhecimento e coloca em prática, o trabalho melhora. A qualidade melhora, o produto dura mais e o próprio cliente percebe. Hoje, um vai indicando para o outro e as vendas vão crescendo”, relata o trabalhador.

Heron Rocha, que há mais de três décadas trabalha com açaí, transformou a experiência adquirida no dia a dia em conhecimento compartilhado com outros batedores. Crédito: Ascom Sesma

Três caminhos para quem trabalha ou compra açaí

A atuação da Casa do Açaí pode ser entendida em três frentes principais: capacitar, orientar e acompanhar.

  1. Capacitar: oferece formação gratuita, teórica e prática, para manipuladores que já trabalham ou pretendem trabalhar com açaí artesanal.
  2. Orientar e regularizar: a equipe presta informações aos profissionais, realiza cadastramento, orienta sobre boas práticas e atua no processo de licenciamento sanitário dos estabelecimentos.
  3. Acompanhar e ouvir a população: a Casa do Açaí realiza inspeções, coleta amostras para análise, fiscaliza pontos de venda e recebe denúncias sobre possíveis irregularidades.
    O trabalho também chega às feiras, mercados e ilhas de Belém. A equipe pode realizar ações de monitoramento, cadastramento e fiscalização em diferentes regiões do município.

“O trabalho da Casa do Açaí representa segurança alimentar para a população. Queremos que o consumidor saiba identificar os estabelecimentos que trabalham corretamente com o fruto e escolha locais comprometidos com a qualidade. Nosso objetivo é eliminar, de uma vez por todas, os riscos de transmissão da doença de Chagas pelo consumo do açaí”, afirma Jhoy Gerald de Souza Silva, conhecido como Rochinha do Açaí, coordenador da Casa do Açaí.

Um fruto que movimenta trabalho e renda

A dimensão do açaí vai muito além do consumo diário. O Pará responde por mais de 90% da produção nacional e a cadeia envolve diferentes etapas, desde a retirada do fruto até o transporte, beneficiamento e comercialização.

Segundo dados do Dieese, a cadeia já chegou a envolver entre 200 mil e 300 mil pessoas no estado, considerando trabalhadores de diferentes etapas. Atualmente, pouco mais de 4 mil empregos formais estão diretamente registrados na cadeia, segundo a avaliação apresentada pelo supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa, mestre em Economia.

Para ele, o açaí já ultrapassou as fronteiras do consumo local e passou a ocupar espaço também nos mercados nacional e internacional.

“O açaí deixou de ser aquela produção artesanal que interessava somente a quem morava por aqui e passou a ter um aspecto alimentar, nutricional, de exportação e econômico gigante”, avalia.

Everson Costa, supervisor técnico do Dieese/PA, acompanha as transformações que fizeram do açaí uma atividade cada vez mais fundamental na economia paraense. “O açaí é uma estratégia econômica e de alavancagem social”. Crédito: Ascom Sesma

Everson destaca que o período de maior oferta costuma ser aguardado pelos consumidores e, também, pelos batedores, que podem aproveitar o aumento das vendas para melhorar a margem e se preparar para a entressafra.

Consumidor também faz parte do processo

Além de oferecer serviços aos manipuladores, a Casa do Açaí também orienta a população. O consumidor pode buscar informações, comunicar possíveis irregularidades e contribuir para que a Vigilância Sanitária identifique pontos que precisam ser vistoriados.

Para Willa Mara Gonçalves, 26 anos, moradora de Icoaraci e consumidora frequente de açaí, a atenção começa no próprio ponto de venda.

“Eu observo se o ambiente está limpo e se os equipamentos e recipientes utilizados estão em boas condições. É algo que faz diferença na hora de escolher onde comprar”, conta.

Willa moradora em Icoaraci e reforça que a “manipulação segura ajuda a evitar a contaminação dos consumidores”. Crédito: Jonas Vila

A participação da população é uma das frentes de divulgação da Sesma. A ideia é ampliar o conhecimento sobre os serviços públicos disponíveis e facilitar o contato entre consumidores, trabalhadores e a Vigilância Sanitária.

Informações e Serviços

Capacitações

Dias: Terças e quintas-feiras

Horário: Das 14h às 18h

Retorno das aulas: Nesta semana

Inscrições

Documentos necessários: documento de identidade e comprovante de residência.
Inscrição: https://visabelem.net/manipulador/inscricao

Após a inscrição, o participante deve aguardar o contato da equipe por telefone ou e-mail com as informações sobre a participação na capacitação.

Licenciamento sanitário

Quem trabalha com a venda de açaí também pode iniciar o processo de licença de funcionamento pela plataforma da Vigilância Sanitária de Belém: https://visabelem.net/

A documentação varia conforme a situação do estabelecimento, como pessoa física, MEI ou pessoa jurídica. A relação completa está disponível na plataforma.

Fiscalização e orientação

A Casa do Açaí realiza cadastramento de batedores artesanais, inspeções sanitárias em pontos de venda, coleta de amostras para análise no Laboratório Central (Lacen), ações em feiras e mercados, monitoramento nas ilhas, análise de rotulagem e orientação aos profissionais.

Onde buscar atendimento

Casa do Açaí – Devisa/Sesma
Travessa Bom Jardim, 370 – Cidade Velha
Atendimento: das 8h às 16h
WhatsApp: (91) 98520-1887
Telefone: (91) 3251-4219
E-mail: [email protected]

Para denúncias e manifestações

Ouvidoria do SUS: (91) 3251-4207
Disque Saúde 136
WhatsApp: (91) 98400-8247
E-mail: [email protected]

A Casa do Açaí recebe denúncias, realiza a apuração das informações e pode elaborar relatórios técnicos e adotar as medidas previstas na legislação sanitária quando são identificadas irregularidades.

Fonte: Agência Belém

Por: Jonas Vila, estagiário sob supervisão da Ascom/Sesma.

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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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