Açúcar ou proteína? Entenda por que intolerância à lactose e alergia ao leite não são a mesma coisa
Apesar de serem frequentemente confundidas, as duas condições têm causas, sintomas e tratamentos distintos; especialista alerta para os riscos do autodiagnóstico.
Muitas pessoas acreditam que intolerância à lactose e alergia ao leite representam o mesmo problema. No entanto, embora ambas estejam relacionadas ao consumo de leite e derivados, as duas condições possuem causas completamente diferentes, exigem cuidados específicos e não devem ser tratadas da mesma forma. A confusão pode levar a restrições alimentares desnecessárias e até comprometer a saúde.
Segundo o nutricionista Rodrigo Baracho, a principal diferença está no componente do leite que desencadeia a reação e na forma como o organismo responde. “A intolerância à lactose ocorre quando há deficiência da enzima lactase, responsável por digerir a lactose, que é o açúcar presente no leite. Já a alergia à proteína do leite envolve uma reação do sistema imunológico contra proteínas como a caseína e as proteínas do soro”, explica.
Enquanto a intolerância está relacionada ao sistema digestivo, a alergia pode provocar reações imunológicas que exigem maior atenção. “Portanto, enquanto a intolerância é um problema digestivo, a alergia é uma resposta imunológica potencialmente grave”, alerta o especialista.
No caso da intolerância à lactose, os sintomas costumam surgir entre 30 minutos e duas horas após o consumo de leite ou derivados. Entre os sinais mais comuns estão distensão abdominal, excesso de gases, cólicas, sensação de estufamento, diarreia e, em alguns casos, náuseas. A intensidade dos sintomas, no entanto, varia de pessoa para pessoa, já que algumas conseguem consumir pequenas quantidades de lactose sem apresentar desconfortos importantes.
Diante de sintomas semelhantes, buscar orientação profissional faz toda a diferença. Rodrigo destaca que o autodiagnóstico é um dos principais erros cometidos por quem suspeita de alguma dessas condições. “Retirar leite e derivados da alimentação por conta própria pode mascarar diagnósticos, dificultar a investigação correta e favorecer deficiências nutricionais, especialmente de cálcio, proteínas e vitamina D”, pontua o docente da Faculdade Serra Dourada Lorena.
O especialista lembra ainda que outros problemas de saúde podem apresentar sintomas parecidos, como síndrome do intestino irritável, doença celíaca e outras intolerâncias alimentares, reforçando a importância de uma avaliação individualizada antes de qualquer mudança na dieta.
“O acompanhamento médico e nutricional permite identificar corretamente a causa dos sintomas e definir a estratégia mais adequada para cada paciente, evitando restrições desnecessárias e preservando a qualidade da alimentação”, finaliza Baracho.
Fonte: Agência Eko






