Desinformação e falta de apoio ainda comprometem a amamentação no Brasil
No Agosto Dourado, pediatra reforça a importância da orientação e da rede de apoio para mães e bebês
Amamentar é uma das medidas mais eficazes para garantir um início de vida saudável à criança. Muitas mães ainda enfrentam barreiras como desinformação, insegurança e falta de apoio nessa fase. No Agosto Dourado, campanha que incentiva o aleitamento materno, especialista alerta que informação qualificada e acompanhamento desde o pré-natal são fundamentais para que mais bebês recebam leite materno de forma exclusiva nos primeiros seis meses de vida.
Os últimos dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), de 2019, mostram que 45,8% dos bebês brasileiros recebem aleitamento materno exclusivo até os seis meses. Embora o índice represente um avanço, ainda está abaixo da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é alcançar pelo menos 50%.
Para a pediatra homeopata e professora da Afya Abaetetuba, Lianne Negrão, a insegurança materna é um dos principais desafios no início da amamentação. “Em 23 anos de pediatria, observo que a falta de conhecimento gera muita insegurança. A consulta pré-natal com o pediatra ajuda a preparar não só a mãe, mas toda a família”, afirma.
Além de proteger o bebê contra doenças respiratórias, diarreias e outras infecções, a amamentação também reduz o risco de obesidade infantil e contribui para o desenvolvimento cognitivo. Para a mãe, está associada à recuperação mais rápida no pós-parto e à redução do risco de câncer de mama e de ovário, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Mitos podem prejudicar a amamentação
Entre as dúvidas mais frequentes está a crença no chamado “leite fraco”. Segundo a médica, esse conceito não existe. “O leite da frente é mais rico em água e anticorpos. Já o leite do fundo tem mais gordura e promove a saciedade. Por isso, é importante respeitar o tempo de cada mamada”, explica.
Outro mito comum é associar o tamanho das mamas à produção de leite. “A mama não funciona como reservatório. O leite é produzido à medida que o bebê mama, e o tamanho do peito não determina a capacidade de amamentar”, esclarece a pediatra.
Nos primeiros dias após o parto, a ausência da “descida do leite” também pode gerar preocupação. Antes da apojadura, porém, o bebê recebe o colostro, substância rica em nutrientes e anticorpos. “No parto normal, a descida do leite costuma ocorrer até o terceiro dia; na cesariana eletiva, até o quinto. Até lá, o colostro atende às necessidades do recém-nascido”, afirma. A especialista reforça ainda que dor não deve ser considerada normal: “Amamentar não dói quando a técnica está correta.”
Rede de apoio faz diferença
Além dos benefícios para a criança, o aleitamento materno também favorece a recuperação da mulher no pós-parto. A sucção do bebê estimula a liberação de ocitocina, hormônio que auxilia na contração do útero, reduz o risco de hemorragias e contribui para uma recuperação mais rápida.
Para a dra. Lianne Negrão, o sucesso da amamentação não depende apenas da mãe. O apoio da família e dos profissionais de saúde é essencial para que ela se sinta acolhida e consiga superar os desafios dos primeiros dias. Dividir as tarefas da rotina, garantir momentos de descanso, incentivar uma alimentação adequada e evitar cobranças ou comentários que aumentem a insegurança da mulher são atitudes que fazem diferença nesse período.
“A amamentação é um processo de aprendizado para a mãe e para o bebê. Quando a mulher encontra uma rede de apoio acolhedora, ela ganha mais confiança para enfrentar as dificuldades e manter o aleitamento pelo tempo recomendado”, afirma.
A especialista ressalta que promover o aleitamento materno é uma responsabilidade compartilhada. “Amamentar não é responsabilidade apenas da mãe. É da família, dos profissionais de saúde, da sociedade e das políticas públicas. Quando apoiamos uma mãe que amamenta, estamos investindo na saúde, no desenvolvimento e na qualidade de vida das próximas gerações”, conclui.
Fonte: Temple Comunicação
Por: Alessandra Barreto





