Educação também se decide nas urnas
Janguiê Diniz escreve, para este portal, sobre eleição e educação; leia o que ele diz
Janguiê Diniz*
A campanha eleitoral começa a ganhar as ruas e, com ela, propostas, promessas e diferentes projetos para o Brasil passam a disputar a atenção dos eleitores. Entre tantos temas urgentes que estarão em debate nos próximos meses, um deles precisa ocupar lugar de destaque: a educação. Mais especificamente, a educação superior e o papel que ela terá no projeto de desenvolvimento do país a partir de 2027.
As falas iniciais dos candidatos à Presidência da República já sinalizam por onde o tema deve caminhar ao longo da campanha. Há planos que defendem a expansão e a interiorização das universidades públicas, manutenção do ProUni, renegociação de dívidas do Fies e reajuste das bolsas de pesquisa. Outros propõem mudanças na política de financiamento estudantil, aproximação com o setor produtivo, maior direcionamento da pesquisa para áreas consideradas estratégicas ou alterações na estrutura de gestão da educação superior.
A diversidade de propostas é própria da democracia. Cabe a cada candidato apresentar a sua visão e dizer aos brasileiros o que pretende fazer caso receba a confiança das urnas. À sociedade, por sua vez, cabe conhecer essas ideias, debatê-las e avaliar suas possíveis consequências. O que não pode acontecer é a educação ser tratada como assunto secundário em uma eleição que definirá os rumos do país pelos próximos quatro anos.
Essa, inclusive, é uma preocupação que mobiliza a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) a cada novo ciclo eleitoral. Sem abrir mão da sua independência político-partidária e da disposição permanente para o diálogo democrático, a entidade atua junto aos candidatos para garantir alguns compromissos que considera fundamentais para o próximo ciclo de governo. Neste ano, há um que sintetiza todos os demais: colocar a educação superior no centro da estratégia de desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Essa não é uma reivindicação corporativa. É uma necessidade nacional. Ampliar o acesso, assegurar qualidade e formar profissionais preparados para uma economia em profunda transformação precisam ser compromissos permanentes do Estado brasileiro, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto.
O próximo governo encontrará desafios que não podem ser adiados. Precisaremos ampliar o número de brasileiros com formação superior e reduzir desigualdades regionais de acesso. Será necessário enfrentar o gargalo do atual modelo de financiamento estudantil, estimular a inovação e preparar as instituições e os estudantes para as transformações provocadas pela inteligência artificial e por outras tecnologias.
Precisaremos também fortalecer a pós-graduação, aproximar ainda mais a formação acadêmica do mundo do trabalho e assegurar que a avaliação da educação superior seja instrumento de diagnóstico e melhoria contínua da qualidade, e não um mecanismo punitivista. Tudo isso exige planejamento, segurança jurídica, diálogo e, sobretudo, visão de longo prazo.
Um dos pontos que merecem atenção especial é o acesso. O financiamento estudantil precisa voltar ao centro da agenda nacional. O Brasil precisa fortalecer o ProUni, reconstruir e modernizar o Fies e desenvolver novos instrumentos públicos e privados capazes de alcançar brasileiros que desejam cursar uma graduação, mas não dispõem de condições econômicas para fazê-lo.
Também precisamos compreender que educação pública e particular não são projetos concorrentes. São componentes de um mesmo sistema e possuem responsabilidades complementares. As instituições particulares respondem pela grande maioria das matrículas e estão presentes em regiões onde, muitas vezes, são a única oportunidade de formação e mobilidade social.
Por isso, as eleições representam uma oportunidade que vai muito além da escolha de nomes. Elas nos permitem discutir qual país queremos construir. E é justamente por isso que o voto consciente importa tanto. O eleitor precisa conhecer as propostas para a educação, observar o espaço dedicado ao tema nos programas de governo e avaliar se as medidas apresentadas são consistentes e capazes de responder aos desafios reais do Brasil.
Mais do que promessas para um mandato, precisamos de compromissos capazes de atravessar governos. Educação exige continuidade.
Valorizar a educação não pode ser apenas uma frase repetida em períodos eleitorais. Precisa se traduzir em políticas públicas, recursos, segurança jurídica, ampliação do acesso, qualidade e inovação. E o voto de cada eleitor em outubro ajudará a definir se esses pontos estarão no centro das decisões nacionais nos próximos quatro anos. Disso depende o nosso progresso enquanto nação.
Em síntese, ampliar o acesso à educação superior, melhorar sua qualidade e preparar os brasileiros para os desafios e as transformações em curso precisam ser compromissos inegociáveis daqueles que almejam nos representar nas esferas decisórias de poder pelos próximos quatro anos. Compromissos com o presente e, sobretudo, com o futuro do Brasil.
*Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.
Fonte: Universidade da Amazônia/Institucional
Da Redação/Edição por Caroline Batista






