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Dra. Avany Martins Palmeira Pereira: “A pandemia da Covid chamou atenção para uma outra pandemia negligenciada, que é a obesidade”

Nosso Portal  conversa com uma das mais conceituadas profissionais da área médica em nosso mercado e da área de Endocrinologia.
O portal ouviu a Dra. Avany Martins Palmeira Pereira, endocrinologista prestigiada em nosso Estado e em nossa Região.
Dra. Avany fala sobre importantes assuntos na área de saúde, em especial, neste momento de pandemia.
Leia, na íntegra, a entrevista com a Dra. Avany Martins Palmeira Pereira, Endocrinologista formada pela Universidade Estadual do Pará, Residência médica pela Santa Casa de Misericórdia do Pará e de
Especialização em Endocrinologia pelo Hospital Federal da Lagoa-RJ.

1-Como avalia o estágio atual da pandemia?

R- Ainda vivemos a pandemia do Coronavírus, embora não mais na fase de colapso, devastadora, irreprimível que nos tornou reféns completamente indefesos, tamanha foi nossa vulnerabilidade. A pandemia do Coronavírus ainda existe e é fato! Medidas protetivas, pessoais e sanitárias realmente ainda se fazem necessárias, em virtude da alta infectividade do Sarscov-19. Acredito que, infelizmente, muitos ainda irão se contaminar, mas não viveremos mais a fase avassaladora do colapso. Atualmente, temos um pouco mais de experiência com a doença (embora ainda tenhamos muito a aprender), além do fato de muitos indivíduos já terem sido acometidos, sem imunidade garantida, mas que já entraram em contato com o Covid. Existe também a esperança de uma vacina eficaz.

2- Como atuou e atua com seus pacientes?

R- Não pude me afastar muito do consultório, considerando meu público ser o mais vulnerável (diabéticos, obesos). Procurei me manter acessível às solicitações e me dispus pelas redes sociais a atender de modo remoto, gratuito a quem me procurasse. Foi uma fase em que as pessoas não tinham acesso aos atendimentos médicos, o sistema público e privado colapsou! O mundo não estava preparado para o Covid. Nesse momento tivemos que fazer valer nosso juramento e atender a quem nos procurasse, de qualquer forma, de qualquer meio, inclusive disponibilizando receitas até por fotos, eventualmente, em folha de papel simples.

Dra. Avany: “As vacinas são um grande avanço da história da humanidade.”

Um grupo de médicos se formou pelo whatsApp, de forma solidária partilhamos conhecimentos para proporcionar auxílio médico a quem nos procurava. Essa troca de informações e muitas vezes angustias, foi importante.

3- Na área da medicina que atua, que riscos identificou?

R- Literalmente, trabalho com o grupo de maior risco para desenvolvimento da forma grave do Covid- 19 que são obesos e diabéticos. Público propenso a outras morbidades, como hipertensão, dislipidemia, esteatose hepática, doenças ateroscleróticas, fato que os torna ainda mais vulneráveis.

A pandemia da Covid, chamou atenção para uma outra pandemia negligenciada, que é a obesidade. Uma doença inflamatória, crônica, que favorece o acometimento de várias outras doenças graves. Uma doença extremamente estigmatizada e infelizmente, frequentemente considerada como uma espécie de escolha própria e desleixo do paciente, tamanho ser o desconhecimento dessa doença.

4- Qual é a reação dos seus pacientes?

R- Como disse, meu público correspondeu ao grupo de maior risco para o desenvolvimento da forma grave de Covid, portanto foi uma fase tensa. Uns se mantiveram em total isolamento e aos poucos estão retornando agora para ajustes. Outros, descompensaram durante a pandemia e me solicitaram em uma fase mais precoce da pandemia. Por outro lado, observei uma maior conscientização dos pacientes, mais empenhados em melhorar sua saúde e qualidade de vida. Como venho dizendo a Covid chamou atenção para a necessidade de lutar contra a obesidade e diabetes.

5- Você acredita na vacina em que prazo? E na eficácia?

R- As vacinas são um dos grandes avanços da história da humanidade a melhor forma de prevenir e reduzir as doenças infecciosas. Algumas doenças graves como poliomielite, varicela foram erradicadas.

No entanto, existem muitos desafios para uma vacina se tornar eficaz e segura, fato que não diminui nossas esperanças, apenas nos torna mais cautelosos em depositar demasiadas expectativas. Ainda acho que vamos ter que nos preservar com máscaras e medidas protetivas por um bom período.

No Brasil temos 4 vacinas autorizadas para realização de estudos, 2 delas em fase avançada de estudo, sendo que uma das vacinas experimentais (Oxford) entrou ontem para o cronograma de imunização contra Covid-19 do Ministério da Saúde, com previsão para abril 2021. Existe outra vacina experimental contra Covid também em fase avançada (Coronavac). Vamos aguardar com esperança e cautela, nunca deixando de lado os cuidados de proteção.

6- Na Europa estamos na segunda onda e nos EUA há casos de reinfecção, o que você pensa sobre isso?

R- Enquanto não houver vacina eficaz haverá contaminação. É natural que com o retorno gradativo das atividades o número de infectados aumente, isso é inevitável. O que queremos evitar é um novo colapso, muitos infectados ao mesmo tempo. O objetivo é dispor de atendimento e medicação pra quem precisa. O que não aconteceu quando houve um acometimento em massa. Houve fase que não encontrávamos nem um simples analgésico na farmácia, álcool em gel era luxo. Espero que essa situação não volte, mas, para isso, precisamos cooperação de toda população.

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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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