Cultura

Bienal das Amazônias Sobre as Águas exibe longa-metragem “Manas” na orla da UFPA

O barco-obra e centro cultural flutuante da Bienal das Amazônias se transforma em uma sala de cinema às margens do rio Guamá para a segunda noite de atividades na orla do Campus Básico da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, com a exibição do longa-metragem Manas (2024), da diretora Marianna Brennand. A programação gratuita faz parte das iniciativas realizadas em torno da Cúpula dos Povos e celebra os saberes da Amazônia.

Acumulando diversas premiações, recentemente, o longa foi o grande vencedor do Los Angeles Brazilian Film Festival, conquistando os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro.  A exibição especial do longa-metragem no barco-obra da Bienal das Amazônias contará com a presença da realizadora e de membros da equipe, às 19h.

Filmado na Ilha do Marajó (PA), o longa acompanha Marcielle, uma jovem de 13 anos que decide romper o ciclo de violência que atravessa as mulheres de sua comunidade. Fruto de uma pesquisa de dez anos, Manas foi construído a partir de histórias reais, transformadas pela ficção em um retrato sensível sobre infância, gênero, território e resistência na Amazônia.

Ainda que não integre a programação oficial da Cúpula dos Povos, a Bienal das Amazônias Sobre as Águas chega para somar às vozes dos diversos segmentos da sociedade civil e fortalecer o diálogo entre arte, território, meio ambiente e dignidade humana – reconhecendo a importância histórica desse encontro de redes, coletivos, instituições e movimentos sociais que defendem a Amazônia e o planeta.

Após cinco meses de navegação pelos rios amazônicos, o barco retorna a Belém depois de uma jornada que aportou em 15 cidades e reuniu quase 60 mil visitantes em atividades inteiramente gratuitas. Em cada parada, o projeto estabeleceu espaços de convivência e de troca, reafirmando a missão da Bienal das Amazônias de promover o acesso à cultura e valorizar as identidades locais como pilares de desenvolvimento e transformação social.

A convite da Universidade Federal do Pará e com patrocínio da Fundação Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), o barco integra a programação da orla universitária como espaço de convivência e criação, potencializando o diálogo entre arte, conhecimento e território, com uma programação que ocorre de 10 a 15 de novembro, das 18h às 22h, com entrada gratuita (sujeita à lotação).

“Chegar à Cúpula dos Povos com o barco da Bienal é um gesto simbólico: o de somar à força coletiva da sociedade civil, afirmando que a arte e a cultura são também formas de ação política e cuidado com o território”, destaca Lívia Conduru, presidente e idealizadora da Bienal das Amazônias.

Programação Cultural – Bienal das Amazônias Sobre as Águas

Centro Cultural Flutuante Bienal das Amazônias sobre as Águas| Orla da UFPA, Belém

De 10 a 15 de novembro, das 18h às 22h

Entrada gratuita – sujeita à lotação

11 de novembro – Exibição do filme “Manas”, com a presença da diretora Marianna Brennand

A obra propõe uma reflexão profunda sobre a violência estrutural que atinge meninas e mulheres da região, sem estetizá-la, e reafirma o cinema como espaço de escuta, denúncia e transformação social.

12 de novembro – Sessão dupla de cinema

               O curta-metragem Jeguatá Xirê (2025), dirigido por Alan Alves-Brito, Ana Moura e Marcelo Freire, nasce do diálogo entre saberes africanos e ameríndios, conectando ancestralidades e cosmologias do Sul Global. Filmado no Rio Grande do Sul, o filme transforma o céu em um arquivo de narrativas e constelações insurgentes, onde cantos, corpos e sonhos dissolvem fronteiras geográficas e espirituais. A obra, inédita no Brasil e premiada no Festival de Cinema de Gramado 2025, propõe uma experiência sensorial e política sobre pertencimento e memória.

               Na sequência, será exibido o documentário Panela Histórica (2023), dirigido por Júnior Braga, apresenta memórias, receitas e personagens de Marabá (PA), valorizando a cozinha como território de identidade e afeto. O filme integra o projeto “Panela Histórica: A história de Marabá a partir da cozinha”, idealizado pelo Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA).

13 de novembro – “Furdunço da Cooperação Universitária e Científica Franco-Brasileira na Amazônia” oferecem o show da Orquestra de Carimbó do Pará

               Paralelamente às atividades oficiais da COP30, o barco-obra da Bienal das Amazônias Sobre as Águas recebe o Furdunço da Cooperação Universitária e Científica Franco-Brasileira na Amazônia, promovido pela Iniciativa One Forest Vision, pelo Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica e pela Embaixada da França no Brasil.

O encontro propõe um diálogo entre as bacias do Amazonas e do Congo, com abertura do professor Gilmar Pereira da Silva, reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), e participações de jovens pesquisadores e doutorandos das duas regiões, que compartilharão reflexões sobre o papel da juventude na construção de uma ciência sustentável e solidária.

Encerrando a noite, a Orquestra de Carimbó do Pará apresenta um show que celebra o ritmo e a alegria do carimbó como expressão da identidade e da força cultural amazônica.

14 de novembro – Apresentação musical: Pandeiro Livre recebe o coletivo Amazonizando

               O projeto Pandeiro Livre recebe o coletivo Amazonizando em uma celebração dos tambores, corpos e espiritualidades afro-amazônicas.

Criado em 2018 pelo percussionista Douglas Dias, o Pandeiro Livre é um projeto de arte, educação e bem-estar social dedicado à difusão das percussões brasileiras, com o pandeiro como símbolo de diversidade e convivência. Atuante em escolas, praças e festivais, o grupo desenvolve ações formativas e ocupações culturais em Belém.

               O coletivo Amazonizando, com Mestre Ivamar e Suane Brazão, apresenta um repertório de tambores, cantos e danças de matriz afro-amazônica – como o marabaixo e o tambor de crioula – afirmando o corpo como território de resistência, memória e celebração.

O encontro propõe uma noite vibrante, em que ritmo e ancestralidade se unem para afirmar a cultura popular como força viva da Amazônia.

15 de novembro – Lançamento da série Matriarcas e exibição do documentário Mestras

               Encerrando a programação da Bienal das Amazônias Sobre as Águas, o dia 15 celebra as mulheres que guardam, transmitem e reinventam os saberes do território.

A noite marca o lançamento da série Matriarcas, composta por seis episódios e dirigida por Joyce Cursino, com fotografia de Fernanda Brito. Será exibido o primeiro episódio da série, que apresenta histórias de mulheres que, com arte, fé e resistência, sustentam o tecido social e cultural da Amazônia. A sessão contará com a presença da equipe e uma conversa com o público.

               Na sequência, será exibido o documentário Mestras, dirigido por Roberta Carvalho e Aíla, que retrata mulheres de diferentes regiões da Amazônia – guardiãs de saberes, cantos e ofícios – reafirmando o protagonismo feminino como força criadora, de cuidado e continuidade da cultura amazônica.

Arte, território e convergência

               A presença do barco da Bienal das Amazônias Sobre as Águas na orla da UFPA durante a Cúpula do Clima é um gesto de convergência: uma embarcação que não pertence à programação oficial da Cúpula dos Povos, mas que chega para se somar ao movimento plural e independente da sociedade civil.

               A ação reafirma a missão da Bienal das Amazônias de mobilizar a cultura do e sobre o território, fortalecendo as relações entre arte, educação, ciência e sustentabilidade, importantes instrumentos de transformação social.

               A Bienal das Amazônias Sobre as Águas durante a Cúpula dos Povos é uma realização da Bienal das Amazônias, Kayeb Amazônia, Lettera Editora, Horus Planejamento e Gestão, Instituto Cultural Amazônia do Amanhã e Universidade Federal do Pará, com apoio da Jambo Comunicação e patrocínio da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP).

Fonte: ASCOM/Por Jambo Comunicação

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guaranyjr

Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.

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