Desafiando as tendências globais, líderes da indústria convertem o progresso ambiental em ganhos bilionários
Apenas 15% das empresas globais se destacam como líderes ambientais, reduzindo emissões quatro vezes mais rápido e destravando US$ 218 bilhões em valor no último ano, incluindo US$ 25,063 bilhões na América Latina e US$ 23,919 bilhões no Brasil.
Um pequeno grupo de empresas globais está provando que a liderança ambiental gera retornos mensuráveis para os negócios. O estudo CDP Corporate Health Check 2026 revela que 15% das empresas em todo o mundo já estão incorporando clima e natureza às decisões centrais de negócio, reduzindo emissões a uma taxa quatro vezes maior que a de seus pares e destravando coletivamente US$ 218 bilhões em oportunidades financeiras apenas nos últimos 12 meses, incluindo US$ 25,063 bilhões na América Latina e US$ 23,919 bilhões no Brasil, acumulados por empresas líderes em clima. Essas empresas líderes reduziram emissões a uma taxa média anual composta (CAGR) de 4%, em comparação com apenas 1% entre empresas de menor desempenho.
Agora, em seu segundo ano, o CDP Corporate Health Check, realizado em colaboração com a consultoria Oliver Wyman, baseia-se nas divulgações de mais de 10 mil empresas. A análise deste ano vai além do acompanhamento de progresso e examina como o desempenho ambiental está remodelando os resultados financeiros em diferentes regiões e setores.
Liderança ambiental avança apesar da incerteza global
Apesar de um cenário geopolítico e econômico turbulento, com sinais regulatórios desiguais, a liderança ambiental corporativa segue avançando. Em 2025, 15% das empresas globais alcançaram o nível Liderança em ao menos um dos temas ambientais, clima, água e florestas, com maior destaque para clima (13%), seguido por água (11%) e florestas (8%). No Brasil, 7% das empresas atingiram o nível Liderança em clima, 11% em florestas e 6% em água, enquanto na América Latina os percentuais foram de 6% em clima, 8% em florestas e 6% em água.
Liderança em sustentabilidade gera oportunidades financeiras
Em diversos setores-chave, empresas globais no mais alto nível de desempenho apresentaram maior crescimento de capitalização de mercado desde 2022, em comparação com empresas em outros níveis, incluindo serviços financeiros (30% versus 19%), infraestrutura (19% vs. 17%) e vestuário (16% vs. 2%). Esses resultados reforçam o argumento econômico para agir sobre oportunidades ambientais dentro dos limites planetários.
Disparidade regional crescente — o Japão lidera o ritmo
O Health Check 2026 destaca uma divergência crescente no desempenho ambiental entre regiões. O Japão emergiu como líder global, com 22% das empresas alcançando o status de Liderança em clima, à frente do Reino Unido (17%), União Europeia (16%) e Índia (11%). China e Sudeste Asiático registram 8% cada; o Brasil aparece com 7% e os Estados Unidos com 5%.
A Europa continua apresentando bom desempenho geral, enquanto o impulso cresce em partes da Ásia. Os Estados Unidos, no entanto, estão ficando para trás. Apenas 31% das empresas norte-americanas alcançaram os dois níveis mais altos de desempenho, em comparação com 52% na UE-27 e 54% na China. O Japão é o único país onde mais de 10% das empresas lideram simultaneamente nos três temas: clima, água e florestas. Somente no último ano, empresas líderes japonesas capturaram US$ 76 bilhões em novas oportunidades relacionadas ao clima.
O que os líderes fazem de diferente
A pesquisa mostra que líderes ambientais estão ativando alavancas claras de negócio para garantir vantagem de longo prazo. Entre elas estão governança robusta, planos de transição críveis alinhados a 1,5°C, forte engajamento da cadeia de valor e incentivos atrelados ao desempenho. Todos os líderes em clima e 78% dos líderes em água e florestas já vinculam a remuneração executiva diretamente a resultados ambientais.
Adaptação: a próxima fronteira de valor
Empresas que reportam por meio do CDP identificaram US$ 1,47 trilhão em riscos físicos ambientais, com mais de um quarto se materializando no curto prazo, evidenciando a dimensão do desafio de resiliência à frente. Embora apenas US$ 84,5 bilhões em investimentos em adaptação física tenham sido divulgados em 2025, desse total, US$ 8,03 bilhões referem-se à América Latina e US$ 7,0 bilhões ao Brasil, o que evidencia uma oportunidade significativa para que as empresas fortaleçam sua preparação, protejam valor e acelerem o desempenho de longo prazo.
Sherry Madera, Chief Executive Officer do CDP, afirma: “Clima e perda da natureza já não são riscos distantes — eles já estão remodelando mercados, cadeias de suprimento e decisões de investimento. O Corporate Health Check 2026 mostra que empresas que aplicam a economia positiva para o planeta estão transformando dados ambientais em melhores resultados de negócio. Ao medir e gerenciar essas pressões, líderes estão alocando capital de forma mais eficiente, fortalecendo a resiliência e destravando valor financeiro tangível, mesmo em meio à incerteza global. O conceito “decisões positivas para a Terra” deixou de ser periférico à estratégia empresarial; está se tornando um motor central da competitividade de longo prazo. O desafio agora é escalar — fazer disso a norma, e não a exceção”.
Nick Studer, CEO da Oliver Wyman, acrescenta: “O impulso para a transição é inegável, mas, ao mesmo tempo, as empresas enfrentam um nível de incerteza política e macroeconômica sem precedentes em uma geração. É animador ver neste relatório que empresas em todo o mundo mantiveram seu compromisso com divulgações ambientais; que a liderança em divulgação está sendo acompanhada por liderança na redução de emissões; e que muitas empresas conseguem assumir uma posição de liderança em divulgação ambiental sem prejuízo ao desempenho financeiro.”
Fonte: Temple Comunicação/Por Jobson Marinho






