Calor intenso aumenta riscos à saúde e exige medidas de prevenção
Especialistas dos hospitais Barros Barreto e Bettina Ferro orientam sobre hidratação, exposição ao sol, alimentação e outros cuidados para reduzir o risco de doenças nesse período
A chegada do verão amazônico, marcado pela redução das chuvas e pelo predomínio de dias quentes e ensolarados, pede atenção redobrada com a saúde. O aumento das temperaturas pode favorecer a desidratação, agravar doenças respiratórias e elevar o risco de problemas de pele. Para minimizar esses impactos, especialistas do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA/HU Brasil) orientam a população sobre medidas simples para proteger o organismo durante esse período.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão é de temperaturas acima da média em grande parte da Região Norte, cenário associado à influência do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Diante disso, a adoção de medidas preventivas ganha ainda mais relevância, sobretudo nos períodos de maior exposição ao calor e à radiação solar.
Respiração e audição merecem atenção especial
Durante o verão amazônico, é comum alternar entre ambientes externos, com temperaturas elevadas, e locais climatizados. Essa variação pode favorecer o aparecimento ou agravamento de rinite, sinusite, faringite e crises alérgicas.
O otorrinolaringologista do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS), Henderson Cavalcante, recomenda manter boa hidratação ao longo do dia, evitar mudanças bruscas de temperatura e realizar a limpeza periódica dos aparelhos de ar-condicionado. “A boa hidratação permite que as mucosas do nariz e da garganta mantenham sua função de barreira natural contra microrganismos”, explica.
Os banhos em rios, praias e piscinas, bastante frequentes nesta época do ano, também demandam alguns cuidados. “Após os banhos, é recomendado secar bem os ouvidos e evitar o uso de hastes flexíveis, que podem causar lesões e favorecer infecções”, orienta.
Verão aumenta o risco de infecções

O especialista alerta, ainda, para o armazenamento adequado dos alimentos durante passeios e viagens. “As altas temperaturas aceleram a proliferação de microrganismos e aumentam o risco de doenças transmitidas por alimentos. Em viagens para praias, por exemplo, recomenda-se transportar alimentos perecíveis em recipientes térmicos e evitar consumir produtos que permaneceram muito tempo fora de refrigeração ou foram preparados em condições inadequadas”, ressalta.
Também é preciso ter atenção ao consumo de bebidas fora de casa. “É recomendável dar preferência a bebidas industrializadas e devidamente envasadas, especialmente aquelas que já vêm refrigeradas, em vez de sucos naturais ou bebidas com gelo de procedência desconhecida, já que não é possível garantir a origem da água utilizada no preparo”, explica.
Durante o período de férias e de maior circulação em locais de lazer, a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não deve ser negligenciada. O uso de preservativos nas relações sexuais, a testagem regular e o acompanhamento com profissionais de saúde reduzem o risco de transmissão dessas infecções.
A atenção também se volta para as hepatites virais, tema da campanha Julho Amarelo, que busca conscientizar a população sobre prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças. Algumas hepatites podem evoluir de forma silenciosa e causar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A vacinação, especialmente contra as hepatites A e B, aliada à realização de testes quando indicados, está entre as principais estratégias de prevenção.
Proteção da pele ajuda a prevenir doenças durante o verão
Segundo a dermatologista do HUJBB, Rossana Veiga, manter a pele bem enxugada, sem umidade acumulada, é uma medida estratégica para prevenir infecções.
“O calor associado à umidade faz com que o suor permaneça por mais tempo sobre a pele, favorecendo brotoejas e irritações, principalmente em crianças. Também é importante retirar roupas molhadas após banhos de rio, praia ou piscina e secar bem as regiões de dobras, como axilas, virilhas e entre os dedos dos pés, reduzindo o risco de micoses”, aconselha.
A especialista indica ainda reaplicar o protetor solar a cada duas horas durante a exposição ao sol, utilizar chapéus de aba larga e outras barreiras físicas de proteção, aplicar hidratante após o banho e priorizar atividades físicas ao ar livre no fim da tarde, quando a radiação solar tende a ser menos intensa.
Sinais de alerta indicam quando buscar atendimento
Sobre a HU Brasil
O CHU-UFPA faz parte da Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.






