Mercado
Bordadeiras de Serra Pelada inauguram loja e celebram sua arte e talento
Momento comemora também resultados do projeto Bordando a Paz, iniciativa da Vale e parceiros, que deu origem ao grupo formado hoje por 80 mulheres
Nesta quinta, 20/8, as bordadeiras de Serra Pelada, distrito de Curionópolis, no sudeste do Pará, inauguram loja reformada onde irão expor e comercializar peças que carregam histórias, memórias e vivências de 80 mulheres da comunidade. A vila ficou conhecida mundialmente por ter abrigado, na década de 1980, o maior garimpo a céu aberto do mundo. Agora cada produto, cada bordado feito à mão, leva consigo um ponto da história da região e o talento de mulheres que hoje transformam memória em arte, renda e futuro.
O momento celebra ainda os resultados conquistados pelo Projeto Bordando a Paz, iniciativa da Vale, que deu origem ao grupo de bordadeiras em Serra Pelada. O projeto foi executado pelo Instituto de Promoção Cultural Antônia Diniz Dumont (ICAD) e, nos últimos dois anos, contou com recursos via Lei de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet. Uma ação que se soma às políticas de geração de trabalho e renda dos poderes públicos municipal e estadual e de outros parceiros. A reforma da loja contou com o apoio das empresas Layne e Omega Service, por meio de programa que incentiva fornecedores da mineradora Vale a realizar investimentos sociais nos municípios onde atuam chamado Partilhar.
Desde 2023, o projeto Bordando a Paz promove formação em bordado, empreendedorismo, criação de produtos, acompanhamento técnico e abertura de canais de comercialização para fortalecer a autonomia econômica das participantes. Ao longo da iniciativa, foram realizadas 860 horas de formação. As mulheres desenvolveram coleções, aprimoraram técnicas de bordado e ampliaram o catálogo de artigos, produzindo almofadas, telas, bolsas, ecobags, saquinhos, camisas e batas femininas entre outros produtos. O projeto também ampliou a presença das bordadeiras em feiras, exposições, internet e parcerias comerciais.
“Cada peça produzida revela o talento, a criatividade e a capacidade dessas mulheres de transformar suas histórias em renda e novas oportunidades. O Bordando a Paz revelou a força deste empreendedorismo feminino em Serra Pelada. A Vale, junto com os parceiros envolvidos, apoiou esse movimento, porque acredita que quando as pessoas têm acesso à formação, mercado e autonomia econômica, elas ajudam a construir um futuro com mais possibilidades para suas famílias e para toda a comunidade”, destaca Vitor Libanio, gerente de Investimento Social Voluntário da Vale.
Maria Martins de Moraes, 53 anos, vive em Serra Pelada há 34 anos. Antes do projeto, cuidava da casa e fazia trabalhos fora, como na padaria onde atuou por cinco anos. Em 2023, entrou no grupo ao saber que aprenderia cerca de 40 pontos — até então, conhecia apenas três. A primeira peça foi emocionante de produzir, conta Maria. “Foi uma mandala que contava sobre a minha história de vida desde a infância. Me emocionei em bordar meus seis filhos, quatro mulheres e dois homens. Eles são tudo para mim”.
Maria revela como era a vida antes e depois do bordado. “Antes eu era dona de casa. Hoje vivo do bordado. Estimo que já produzi mais de 1 mil peças, entre mandalas, ímãs e encomendas. Minha renda não dobrou nem triplicou, quadruplicou”, conta. Para Maria, cada ponto representa gratidão, alegria e reconhecimento. Suas peças já chegaram a outros estados e até aos Estados Unidos. “Quero que as pessoas vejam Serra Pelada como ela é de verdade: um lugar com gente trabalhadora, talento, turismo, paisagens bonitas e histórias que vão além do garimpo”, diz.
A iniciativa é uma das frentes que integra o Programa Juntos contra a Pobreza articulado pela Vale e que reúne poder público, empresas, terceiro setor e universidades com o propósito de atuar coletivamente no enfrentamento da pobreza. Atualmente, cerca de 60 mil pessoas são acompanhadas, sendo 85% delas no Maranhão e no Pará.
Mais do que uma atividade produtiva, o bordado se tornou uma forma de expressão, pertencimento e reconhecimento da potência feminina para impulsionar o desenvolvimento da comunidade. “A metodologia aplicada no projeto uniu escuta, reflexão, memória e técnica, valorizando a arte popular e o protagonismo feminino. Nas linhas, cores e desenhos, as mulheres registram passagens da própria vida, lembranças da comunidade e novas perspectivas para Serra Pelada”, diz Tiago Pasquali, coordenador de Projetos do ICAD.
Os resultados do Bordando a Paz costuram ainda impacto social e econômico. Ao todo, foram lançadas 30 coleções e produzidas 7.800 peças, mais de quatro vezes a meta inicial de 1.800. Outro indicador importante é que 86% das participantes já geram renda por meio do artesanato. As peças das bordadeiras podem ser adquiridas na loja física em Serra Pelada, em feiras e exposições e pelo instagram do grupo Bordadeiras de Serra Pelada.
Fonte: Relacionamento com a Imprensa Vale
Por: Lucas Muribeca






