Marinha do Brasil coordena salvamento de navio mercante africano na costa do Amapá
Operação durou três semanas e envolveu Navios-Patrulha, levantamento hidrográfico e apoio de embarcação do setor offshore
Uma operação de busca, salvamento e assistência coordenada pela Marinha do Brasil (MB) resultou no reboque do navio mercante “Shri Ganesha”, de bandeira da Tanzânia, até o Porto de Outeiro, em Belém (PA), na manhã desta segunda-feira (21), com os nove tripulantes em segurança. A embarcação, que passará por reparos, perdeu a propulsão após uma avaria na praça de máquinas enquanto navegava na costa do Amapá. Iniciada em 30 de agosto, a operação durou cerca de três semanas e envolveu meios navais, levantamento hidrográfico e apoio de uma embarcação do setor offshore.
Em abril, outro navio mercante de bandeira da Tanzânia, o “M.V. Latifa”, apresentou falhas no sistema de propulsão enquanto navegava na costa do Amapá, e também foi socorrido em operação coordenada pelo MB. Sem capacidade de manobra e com mantimentos limitados, a tripulação enfrentava condições de estresse elevado a bordo. O resgate do “M.V. Latifa” terminou com o reboque até um terminal privado em Santana (AP).
Pedido de socorro
A ocorrência teve início em 30 de agosto, quando o agente do navio mercante emitiu um pedido de socorro ao SALVAMAR NORTE, Serviço de Busca e Salvamento Marítimo da MB subordinado ao Comando do 4º Distrito Naval, com sede em Belém (PA). A embarcação apresentava alagamento na praça de máquinas e tinha nove tripulantes a bordo. Na ocasião, o navio estava a cerca de 161 milhas náuticas – aproximadamente 300km – ao norte de Santana (AP).
Sob a influência de fortes ventos e correntes marítimas na região, o navio permaneceu à deriva até encalhar em uma área assoreada, de baixa profundidade e não cartografada, a cerca de 3,5 milhas náuticas (6,4 km) da Ilha de Maracá.
Mesmo diante das variações de maré e da ausência de dados cartográficos sobre a profundidade e o relevo do fundo na área do encalhe, os nove tripulantes permaneceram em segurança a bordo durante todo o período, sem registro de vítimas ou danos ambientais.
Havia também risco de acidente ambiental, pois o “Shri Ganesha” transportava óleo combustível e permanecia encalhado durante parte do dia. Nessa situação, os esforços sobre o casco poderiam provocar fissuras e eventual vazamento. Essas condições exigiam a adoção de medidas para preservar a segurança dos tripulantes e prevenir danos ambientais nas proximidades da foz do Rio Amazonas.
Esforço coordenado e mobilização de meios
Após o pedido de socorro, a MB mobilizou meios navais e recursos para apoiar a embarcação. O Navio-Patrulha (NPa) “Guarujá” desatracou de Belém em 30 de agosto, transportando bombas de esgoto de grande porte para auxiliar no controle do alagamento, além de alimentos e água potável para a tripulação.
Diante do encalhe em área não cartografada, o Navio Hidrográfico Balizador (NHiB) “Tenente Castelo” realizou sondagens para obter dados batimétricos utilizados no planejamento das manobras. A operação também contou com o apoio logístico do NPa “Bocaina” e com a participação da Petrobras e da Bram Offshore. Esta última disponibilizou o rebocador “Mr. Chafic” para auxiliar na operação.
Hidrografia a serviço da segurança
O Navio Hidrográfico Balizador (NHiB) “Tenente Castelo” realizou sondagens e análises no entorno do navio mercante, especialmente durante os períodos de baixa-mar. Os levantamentos forneceram informações sobre a batimetria da área e permitiram avaliar as condições de navegabilidade para o planejamento das manobras.
O levantamento hidrográfico, realizado em área não cartografada, identificou um canal com 450 jardas de largura (cerca de 411 m) e 24,4 milhas náuticas (cerca de 45 km) de extensão, ligando a posição do navio avariado à área previamente cartografada.
Além disso, com base nas observações das variações da maré realizadas no local e em coordenação com o Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), foi elaborada uma Tábua de Marés específica para a região próxima ao “Shri Ganesha”.
Desfecho com êxito
Após o controle do alagamento, o Comando do 4º Distrito Naval e a Capitania dos Portos do Amapá (CPAP) coordenaram os procedimentos para o reboque com as empresas envolvidas. O rebocador “Mr. Chafic”, empregado em atividades na Margem Equatorial, iniciou o reboque do “Shri Ganesha” na manhã de 18 de setembro, com destino ao Porto de Outeiro, em Belém (PA).
O reboque foi concluído na manhã desta segunda-feira (21), com a chegada do “Shri Ganesha” ao Porto de Outeiro, em Belém (PA). Os nove tripulantes permaneceram em segurança durante a operação, sem registro de vítimas.
“A ocorrência reforça a relevância estratégica da Marinha do Brasil como Autoridade Marítima na Amazônia Legal, atuando diuturnamente na salvaguarda da vida humana no mar, na segurança da navegação e na proteção do meio ambiente aquático”, afirmou o Chefe do Departamento de Assuntos Marítimos do Comando do 4º Distrito Naval, Capitão de Fragata Daniel Moraes.
Fonte: Agência Marinha de Notícias
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