Infarto silencioso exige atenção a sinais atípicos
Nem todo infarto provoca dor no peito. Sintomas como falta de ar, cansaço com pequeno esforço físico e dores no estômago ou na mandíbula também merecem atenção
O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é a principal causa de morte no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, ocorrem entre 300 mil e 400 mil casos por ano no país, com um óbito a cada cinco a sete ocorrências. Diante desse cenário, identificar os sintomas e buscar atendimento rápido é essencial para reduzir o risco de morte e as sequelas no coração.
Embora o quadro mais reconhecido seja a dor intensa no peito irradiando para o braço esquerdo, essa nem sempre é a realidade. Em muitos casos, os sinais são discretos, dificultando o reconhecimento do problema, o que configura o chamado infarto silencioso.
“É um infarto que ocorre com sintomas atípicos, diferente do quadro clássico que as pessoas costumam associar à dor em aperto no peito, irradiando para o braço esquerdo”, explica Lucianna Serfaty de Holanda, médica cardiologista e professora de cardiologia da Afya Educação Médica Belém.
Mesmo sem a dor torácica tradicional, ele não deve ser subestimado. Falta de ar, cansaço diante de pequenos esforços, desconforto ou dor no estômago e dor na mandíbula, muitas vezes interpretada como dor de dente, estão entre os sinais de alerta.
“Como podem parecer leves ou remeter a problemas digestivos, musculares ou odontológicos, muitas pessoas adiam a procura por ajuda médica; a demora, porém, aumenta o risco de danos irreversíveis ao músculo cardíaco. Nos primeiros minutos, o atendimento de urgência e emergência é fundamental para salvar uma vida”, reforça a especialista.
Alguns grupos demandam atenção ainda maior: idosos, pessoas com diabetes, pacientes com doença renal crônica e mulheres apresentam maior risco de desenvolver manifestações atípicas. “O tratamento dessas condições precisa ser individualizado, com metas definidas para cada paciente”, destaca a professora da Afya. Por isso, qualquer mudança repentina no padrão de disposição, respiração ou dor persistente deve ser investigada, especialmente na presença de fatores cardiovasculares.
Mesmo quando o episódio não é identificado no momento, exames podem revelar lesão no coração. O eletrocardiograma é um dos principais recursos nessa investigação: “nele é possível verificar uma cicatriz, uma área eletricamente inativa. O ecocardiograma também auxilia nessa avaliação”, afirma a cardiologista.
Evidências científicas respaldam a relevância do tema. Um estudo do Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC), publicado em 2016 no Journal of the American College of Cardiology, acompanhou mais de 9 mil pessoas e revelou que cerca de 45% dos infartos ocorreram de forma silenciosa, sem os sintomas clássicos que costumam levar ao atendimento médico.
A prevenção segue como uma das principais estratégias, seja o infarto silencioso ou não. A cardiologista alerta para o uso de esteroides anabolizantes, empregados por homens e mulheres com finalidade estética ou de melhora de desempenho, sem indicação médica e sem aprovação das sociedades médicas. Também são fundamentais: limitar alimentos ricos em gordura e frituras, manter a prática regular de atividade física e acompanhar doenças como hipertensão, diabetes e dislipidemia.
Em caso de falta de ar súbita, dor ou desconforto persistente no peito, estômago, mandíbula, braços ou costas, além de suor frio, náusea ou mal-estar intenso, a orientação é procurar socorro imediato. Mais do que reconhecer os sintomas clássicos, é preciso entender que o infarto também pode se manifestar de forma silenciosa, informação e rapidez são aliadas importantes para salvar vidas.
Fonte: Temple Comunicação
Por: Alessandra Barreto






