Alex Carvalho, presidente da FIEPA Foto: Divulgação
Brasília – Em um dos primeiros grandes encontros entre o setor produtivo e os pré-candidatos à Presidência da República para as eleições de 2026, lideranças da indústria de todo o país participaram, nesta segunda-feira (22), do evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. A iniciativa reuniu empresários da indústria e representantes das federações estaduais para discutir propostas voltadas ao crescimento econômico, à competitividade e à atração de investimentos.
No encontro, os pré-candidatos à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) apresentaram suas visões para o futuro do país e responderam a questionamentos de empresários e dirigentes do setor industrial.
Ronaldo Caiado (PSD)
A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) foi representada por diretores e presidentes de sindicatos industriais. O presidente da entidade, Alex Carvalho, foi um dos dirigentes escolhidos para fazer perguntas aos presidenciáveis. Um dos questionamentos dirigidos por ele aos candidatos tratou dos planos para as políticas fiscal e monetária como instrumentos para ampliar a confiança dos investidores, estimular a atração de capital privado e criar um ambiente mais favorável ao crescimento econômico. Romeu Zema (Novo) Foto: Divulgação
Em resposta, Romeu Zema (Novo) defendeu uma política econômica baseada no equilíbrio fiscal e na redução estrutural dos juros. Segundo ele, as elevadas taxas de juros atuais funcionam como um “freio de mão puxado” para a economia brasileira, dificultando investimentos, reduzindo o consumo das famílias e comprometendo a competitividade das empresas.
“O Brasil está crescendo menos do que o mundo e corre o risco de se tornar cada vez menos relevante. O principal motivo é a política econômica que mantém juros elevados. Essa taxa de juros funciona como um carro andando com o freio de mão puxado: anda devagar, gasta mais e nem sempre chega onde deveria chegar. Precisamos de juros civilizados para que empresas possam investir e famílias possam consumir”, afirmou.
Zema também defendeu a redução dos gastos públicos, o fortalecimento da responsabilidade fiscal e maior participação de representantes oriundos do setor produtivo na política. Para ele, a experiência empresarial pode contribuir para uma gestão pública mais eficiente e voltada à geração de resultados.
Documento reúne propostas para o desenvolvimento do país
O documento “Construindo o Brasil 2050 – A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis” reúne a visão estratégica da indústria brasileira para as próximas décadas e apresenta propostas voltadas ao crescimento econômico, à competitividade, à produtividade e ao desenvolvimento sustentável do país.
Durante o evento, o presidente da CNI, Ricardo Alban, realizou a entrega oficial da publicação aos presidenciáveis e destacou a importância de construir uma agenda nacional de longo prazo voltada ao fortalecimento da economia brasileira.
“Ao entregar o documento aos presidenciáveis, a indústria brasileira reforçou a expectativa de que as propostas apresentadas contribuam para a formulação dos programas de governo e para a construção de uma agenda nacional baseada em produtividade, inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Elaborado pela CNI, o material consolida a contribuição do setor industrial para o debate nacional e propõe uma agenda estruturada em três grandes eixos: crescimento econômico sustentado, fortalecimento do desenvolvimento produtivo e redução do Custo Brasil.
Ao longo de mais de 300 páginas, a publicação reúne diagnósticos e recomendações em áreas consideradas estratégicas para o futuro do país, como inovação, integração internacional, sustentabilidade, ambiente regulatório e segurança jurídica. Segundo a CNI, o Brasil vive um momento decisivo em que o crescimento econômico dependerá cada vez mais da capacidade de elevar a produtividade, ampliar investimentos privados e criar um ambiente favorável à inovação e à geração de empregos.
Entre as propostas apresentadas aos presidenciáveis estão medidas para ampliar a competitividade da indústria brasileira, fortalecer a inserção internacional do país, impulsionar a inovação tecnológica, acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, ampliar a qualificação profissional e promover maior equilíbrio no desenvolvimento regional.
Infraestrutura é apontada como prioridade para aumentar a competitividade
Entre os temas de maior destaque está a infraestrutura de transportes, considerada pela indústria um dos principais gargalos à competitividade brasileira. O documento propõe a diversificação da matriz de transporte de cargas, reduzindo a dependência do transporte rodoviário de longa distância e ampliando a participação de ferrovias, hidrovias, portos e cabotagem.
A avaliação da CNI é que os custos logísticos brasileiros permanecem acima dos padrões internacionais, comprometendo a competitividade das empresas, encarecendo produtos e dificultando a integração do país às cadeias globais de valor. Para a entidade, a melhoria da infraestrutura é condição fundamental para elevar a produtividade e impulsionar o desenvolvimento econômico.
O documento reúne 12 propostas específicas para o setor de transportes, incluindo a ampliação da participação privada em concessões, a modernização da gestão portuária, a aceleração da devolução de trechos ferroviários ociosos, a expansão da infraestrutura para movimentação de contêineres, o fortalecimento da cabotagem e das hidrovias e o enfrentamento do problema das obras paralisadas.
“Infraestrutura deficiente eleva custos logísticos, encarece os produtos e reduz a competitividade da indústria brasileira. São fatores que aumentam o Custo Brasil. A modernização do setor de transportes é fundamental para aumentar o bem-estar das famílias, reduzir desigualdades, fortalecer a indústria e promover um crescimento econômico sustentado no país”, afirma Alex Carvalho, presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da CNI (COINFRA) e da FIEPA.
A indústria também defende que o planejamento da infraestrutura seja tratado como política de Estado, garantindo continuidade institucional, previsibilidade e maior capacidade de atração de investimentos de longo prazo. Segundo o documento, a falta de planejamento integrado e as interrupções frequentes em projetos estruturantes reduzem a eficiência dos investimentos e atrasam o desenvolvimento do país.
Segurança jurídica e confiança para investir
Outro tema central do documento entregue aos presidenciáveis é a necessidade de ampliar a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória. A avaliação da indústria é que a confiança dos investidores está diretamente relacionada à existência de regras claras, estabilidade institucional e processos regulatórios eficientes. Flávio Bolsonaro (PL) Foto: Divulgação
O assunto também esteve presente entre os questionamentos dirigidos aos pré-candidatos. Ao responder sobre os caminhos para ampliar a competitividade do país e atrair investimentos de longo prazo, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o Brasil possui uma das maiores oportunidades do mundo para receber novos investimentos, especialmente diante das mudanças geopolíticas e das transformações nas cadeias globais de produção.
Segundo ele, apesar desse cenário favorável, a insegurança jurídica ainda afasta investidores e dificulta a realização de projetos de longo prazo. “Como é que alguém consegue fazer um plano de negócios para dez anos se tudo muda em uma canetada? Precisamos recuperar a confiança e gerar segurança jurídica. Se conseguirmos reduzir a carga tributária, simplificar a legislação e diminuir o Custo Brasil, as empresas brasileiras ficarão mais competitivas e teremos um ambiente muito mais favorável aos investimentos”, afirmou.
O senador também destacou a necessidade de ampliar os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, fortalecendo a conexão entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Para ele, o país precisa criar condições para transformar conhecimento em tecnologia, inovação e geração de riqueza.
Desafios do setor produtivo também marcaram fala de Caiado
O terceiro e último presidenciável a participar do encontro foi Ronaldo Caiado (PSD). Assim como ocorreu com Romeu Zema, o presidente da FIEPA, Alex Carvalho, também dirigiu ao ex-governador de Goiás um questionamento relacionado às políticas fiscal e monetária, à segurança jurídica e às medidas necessárias para ampliar a confiança dos investidores e estimular o crescimento econômico do país.
Em sua resposta, Caiado afirmou que a retomada da credibilidade institucional e a continuidade das reformas estruturantes serão fundamentais para recuperar a confiança do mercado e criar um ambiente mais favorável aos investimentos.
Segundo ele, avanços conquistados em reformas econômicas realizadas nos últimos anos precisam ser preservados e aprofundados para garantir estabilidade e previsibilidade ao ambiente de negócios. “Precisamos ter um governo capaz de dar continuidade às reformas. O Brasil necessita de estabilidade, previsibilidade e confiança para voltar a crescer. Quando o investidor percebe que as regras mudam constantemente, a capacidade de planejamento diminui e os investimentos deixam de acontecer”, afirmou.
O pré-candidato também defendeu o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a redução consistente da taxa de juros como instrumentos essenciais para estimular a atividade produtiva.
Agenda para o Brasil de 2050
Além da infraestrutura, o documento apresenta propostas voltadas ao fortalecimento da política industrial, à ampliação da inovação, ao aumento da cooperação tecnológica internacional, à expansão da integração comercial do Brasil com o mundo e ao desenvolvimento de uma economia mais sustentável e preparada para os desafios da transição energética.
A publicação também destaca a importância da educação e da qualificação profissional como fatores essenciais para elevar a produtividade e preparar trabalhadores para as transformações tecnológicas em curso. Outro eixo é o desenvolvimento regional, com a defesa de políticas capazes de aproveitar as vocações econômicas de diferentes regiões do país e ampliar as oportunidades de crescimento fora dos grandes centros.
Realizado a cada quatro anos, o encontro promovido pela CNI busca aproximar os candidatos à Presidência da República das demandas do setor produtivo brasileiro. Em 2026, o documento “Construindo o Brasil 2050” consolida essa contribuição ao propor uma visão de longo prazo para o país, defendendo a articulação entre poder público e iniciativa privada para criar as condições necessárias ao crescimento econômico consistente, à geração de empregos e ao aumento da competitividade brasileira nas próximas décadas.
Guarany Jr - Prof. de Graduação e Pós de Marketing, Jornalismo e Propaganda, Jornalista, Comentarista, Consultor, Administrador, Palestrante - Belém - Pará - Brasil.